20 de abr de 2016

Johann Sebastian Rio - "O Maestro Provisório" - 2016



Em cartaz no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. 
Dia 24 de Abril de 2016

Fundada em 2014, a orquestra Johann Sebastian Rio fez seu primeiro concerto ao vivo com enorme sucesso no Theatro Municipal em maio de 2015. 

A orquestra que tem como proposta renovar os formatos de apresentação da música clássica, voltando ao Teatro com o musical "O Maestro Provisório", com texto e direção de Deborah Bapt. 

Foto: Ana Clara Miranda
Estrelado por Kadu Garcia, Letícia Medella, Aramís David Correia e os músicos da Johann Sebastian Rio, "O Maestro Provisório" é uma realização da Johann, faz parte do projeto da Temporada 2016, patrocinado pela Prefeitura do Rio, Secretaria Municipal de Cultura e Anbima (através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura).

Foto: Ana Clara Miranda

A Johann Sebastian Rio tem direção artística de Felipe Prazeres e assessoria artística de Eduardo Pereira e Ivan Zandonade.

O espetáculo é voltado para o público infanto juvenil, contando a história de um palhaço em crise, que reencontra uma amiga palhaça, antiga companheira de circo, e ambos decidem tentar a sorte como maestro e maestrina assistente de uma orquestra

IMPERDÍVEL!!!!


Dia 24 de Abril, 11:30h.
Theatro Municipal, Cinelândia.
Venda de ingressos no site: ingresso.com
R$10,00.




17 de abr de 2016

RICK WAKEMAN - "Starship Trooper” - 2016

CARACA!!!! Daqui para frente não é necessário ler mais nada, apenas escutar o álbum, mas como sou muito teimoso vou continuar escrevendo, pois quando a gente imagina que o cidadão está à beira da aposentadoria, já vestido com pijama listrado e o famoso chinelão de couro, ele nos brinda com um álbum cheio de boas surpresas e com convidados muito interessantes.

As surpresas vão desde algumas músicas que não conheço a autoria, mas são excelentes,  até a alguns covers  para lá de alucinados, pois passam por obras do The Who, Yes (quase um cover dele mesmo), Pink Floyd, The Doors, Supertramp e até o 10CC, reescritos sob a ótica de Rick Wakeman com resultados alarmantemente positivos no álbum de nome muito sugestivo, “Starship Trooper”, lançado no último dia 15 de abril deste mesmo ano. 

Rick Wakeman é um gênio por tudo o que já criou e executou, mas temos que reconhecer que ao longo de sua brilhante carreira, ele sempre esteve muito bem acompanhado de músicos de primeiríssima linha para poder dar vida a suas complexas criações desde os seus primórdios nos idos da década de setenta e agora não foi diferente.

Na linha de frente dos convidados temos Billy Sherwood, Tony Levin, Steve Hillage, Tony Kaye, Willian Shatner (o Capitão Kirk), Steve Howe, Carmine Appice, Jürgen Engler, Colin Moulding, Jerry Goodman, Nik Turner, Jimmy Haslip, Huw Lloyd-Langton, Mickey Thomas e para completar o time, o Nektar.

Tem música para tudo quanto é gosto, pois além de suas próprias composições que estão realmente muito interessantes, com ares setentistas em seus arranjos , ele de forma muito eclética, selecionou vários clássicos da música como, “Love Reign O'er Me” do The Who que se em sua origem já era genial, agora com um pequeno toque progressivo, ganhou mais alguns predicados, pois realmente nunca tinha imaginado escutá-la em uma versão instrumental sem a magnífica VOZ de Roger Daltrey, poderia ser tão linda quanto o seu original. 

Botar as mãos em uma música como “The Great Gig in the Sky” é uma temeridade equivalente a abrir a porta de um Boeing a 18.000 pés de altitude, pois a chance de acontecer uma catástrofe é muito grande, entretanto, estamos nos referindo a Rick Wakeman, e ele como sempre, com sua generosidade faz uma grande homenagem ao Pink Floyd, pois a música manteve o seu encanto agora pelas suas mãos e pelas mãos não menos generosas de Steve Howe, só aplaudindo de pé.

Continuando seu tributo ao Pink Floyd, agora com a música “Nobody Home”, veio a minha mente a imagem de Roger Waters a interpretando juntamente com Rick Wakeman, o que seria algo muitíssimo bem-vindo e inusitado, pois seria juntar duas forças de magnitude estratosférica da música em um único espaço, quase uma fusão nuclear musical. 

Interessante ouvir “Crime of the Century”, um Mega clássico do Supertramp, em um formato
mais sinfônico, diferente de seu original, criando uma nova atmosfera, provando que música boa, é ilimitada, que mexendo aqui e ali, ela se adapta, se recria e que pode atrair magicamente.

Uma bela homenagem a música pop do século passado, um clássico do 10CC, “I'm Not in Love” que tanto embalou os casais românticos, agora mais uma vez envolto em um cenário romântico que manteve o espírito da música, pode sem sombra de dúvidas embalar os casais deste novo século.

Nos últimos anos, não é incomum vê-lo executando “Starship Trooper” em suas apresentações, um Yes, música integrante do “Yes Album” que ele não participou, entretanto, como é um poço de generosidade, coloca a seu lado Tony Kaye que a época de seu lançamento era o tecladista oficial da banda para mais uma vez reviver este sonho de música e logicamente dar o seu toque mágico em “Wurm” onde é o momento em que Rick Wakeman claramente se diverte ao dedilhar seu teclados, pois cada vez que ele a executa, uma nova variação surge sobre o mesmo tema, mais uma vez provando que música boa, é metamórfica.


Não satisfeito, pega um Hiper clássico do rock, como “Light My Fire” do The Doors e o eleva a um outro plano musical completamente diferente de seu formato original, mas ela está lá, intrigante, magnética, agora totalmente sinfônica e a conclusão que chego é que mais uma vez a música venceu o tempo, os preconceitos, está acima do bem e do mal e não aceita desaforos se tiver origem, berço, pois a aura de encanto que a envolve permanece intacta.

Deixei propositadamente para o final, tecer alguns comentários sobre algumas músicas do álbum, uma vez que escutei pouco esse álbum e ainda não tenho uma opinião formada sobre elas, entretanto, não posso me furtar do direito de alertar sobre a música que abre este álbum, “Sober”, pois tinha muito tempo que não escutava algo parecido, tão rock progressivo, música de raiz, visceral, Space Rock e mais uma série de adjetivos que vão surgindo à mente a cada viajante audição.

No caso de Rick Wakeman, sou extremamente suspeito e parcial, portanto desconfiem de tudo o que disse e tirem suas próprias conclusões escutando esse álbum, que para mim provavelmente será o melhor de 2016 e se não for, será um prêmio para todos nós, pois para superá-lo o esforço vai ter que ser hercúleo e o resultado inesperado.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!


Tracks:
01. Sober (feat. Billy Sherwood & Jürgen Engler)
02. Are We to Believe? (feat. Steve Hillage, Billy Sherwood & Jürgen Engler)
03. Random Acts (feat. Jerry Goodman, Nik Turner, Jimmy Haslip, Billy Sherwood & Jürgen Engler)
04. Dynamics of Delirium (feat. Jürgen Engler)
05. Love Reign O’er Me (feat. Huw Lloyd-Langton & Carmine Appice)
06. Crime of the Century (feat. Tony Levin & Billy Sherwood)
07. The Great Gig in the Sky (feat. Steve Howe)
08. I’m Not in Love (feat. Nektar)
09. Starship Trooper (feat. Tony Kaye, Mickey Thomas & Billy Sherwood)
10. Check Point Karma (feat. Colin Moulding & Billy Sherwood)
11. Change (feat. William Shatner & Billy Sherwood)
12. Nobody Home (feat. Billy Sherwood)
13. Light My Fire (feat. Steve Howe & Jürgen Engler)

LINK


13 de abr de 2016

LOBÃO - "O Rigor e a Misericórdia" - 2016

Acredito que nos últimos quinze anos este seja o melhor álbum produzido aqui no Brasil, sim, o álbum do Lobão, “O Rigor e a Misericórdia”, produção 100% independente, sob todos os aspectos, pois ele fez tudo, executou todos os instrumentos musicais de forma exemplar e para completar o feito, não satisfeito, lançou um livro de mesmo nome simultaneamente. Já sei, alguém vai dizer, sim e daí? Simples, são bons “pra caralho!!!” 

Mas nem tudo são flores, eu preciso voltar uns trinta anos no tempo, lá pelos idos dos anos oitenta e confessar que eu o odiava com todas as minhas forças (....eu era muito careta....), apesar de contraditoriamente gostar muito de suas músicas, “Me Chama”; “Corações Psicodélicos”; “Decadence Avec Elegance” ,“Radio Blá”, “Vida Bandida” e tantas outras que ele fez, (...mas não contava pra ninguém...), pois ele tinha aquele “ar rebelde” estampado na cara que me incomodava muito (....acho que era aquele cabelão, o jeito de falar com certa superioridade que era foda de aturar.....). 

Para completar minha ira, alguns anos mais tarde vejo Lobão de braços dados com o maior problema da atualidade que estamos vivendo aqui no Brasil...., Lula, PT e cia....., pensei, agora fodeu tudo, se passar na minha frente eu passo com o carro por cima, não tem conversa, e com isso o meu ódio só aumentou. 

Entretanto, a História (com agá maiúsculo) é muito cruel e implacável, pois um dia ela chega e cobra seu preço, e isto aconteceu com ele, viu o monte de merda que fez em nome da democracia, achando que estava dando sua contribuição cívica e com o passar do tempo descobriu que estava rodeado por uma horda de aloprados com o firme propósito de criar um Projeto de Poder e não de Governo, lógico, pulou fora imediatamente.

Isso aconteceu poucos anos depois de seu engajamento no mundo político, e como já passou muito tempo desde então, a merda é a mesma, atualize-se agora, basta ler em qualquer site de informação, as manchetes de agora, de amanhã e depois, e depois......., ele enxergou isso muito antes de todos nós..., um visionário??, não, apenas sentiu na pele o que é estar nos bastidores do poder. 

Então pela primeira vez tive que reconhecer o seu valor como pessoa física, cidadã, pagador de pesados impostos, uma vez que publicamente admitiu seu engano e tornou-se um feroz desafeto de tudo o que representasse aquele projeto, seja na figura das pessoas, das ideias e de tudo mais....., mas para mim, ainda não era o suficiente, eu não estava convencido que ele pudesse ser uma pessoa legal.

O tempo passa, e mais uma vez, lá vem ela, a História, veio cobrar seu preço, desta vez eu era a vítima, e veio na forma de um livro, chamado “50 Anos a Mil”, deste mesmo Lobão, comprado com um único propósito, o de esculachar geral, ter motivo para falar mal e poder odiá-lo ainda mais.

Entretanto, fui atingido mortalmente logo nos primeiros capítulos, pois passei a enxergar um outro indivíduo, humano pra cacete, com seus medos e receios, de rara inteligência e cultura (....só lendo o livro para entender...) que teve a coragem de expor suas entranhas, dentro e fora do seio familiar, contando tudo o que aconteceu com ele desde a sua infância até tempos anteriores ao livro. Leiam, pois vale cada centavo de seu custo.

Então, pensei, “....mas que merda, virei um fã do cara, e agora, o que eu faço??? Agora velho, já era, e pouco tempo depois, eu começa a ler o livro, “Manifesto Do Nada Na Terra Do Nunca”, seu segundo trabalho literário, muito bom por sinal, que enfureceu alguns críticos vendidos que não merecem o menor crédito, bem como todos os escalões políticos, seguidores e afins dos aloprados, o que lhe rende até hoje uma série de chateações e prejuízos, inclusive de ordem financeira, pois em várias ocasiões, teve shows cancelados por ameaças veladas e algumas diretas junto a organizadores e produtores, mas enfim, este é o preço que se paga quando doutrinas violentadoras são confrontadas, mas o fim está próximo. 

Não quero ser piegas, mas não conseguiria por questões de ordem ideológica, escrever a resenha deste álbum, sem antes fazer o meu “Manifesto do Ódio na Terra do Xurupito”, pois não seria justo com o artista, portanto, isto feito, vamos ao que interessa, que é a música e o belíssimo álbum, “O Rigor e a Misericórdia”, onde Lobão não se preocupou nem um pouco em fazer uma música comercial (....aliás, acho que ele nunca teve esta preocupação...), fácil de escutar, pra tocar em rádios FM ou coisa parecida.

Fez o que quis, tocou pra cacete, teve a audácia e a coragem de produzir um álbum sem se prender a estilos musicais, algo incomparável, mostrando maturidade, virtuosismo e capacidade intelectual em produzir um material com real qualidade e esmero. 

Esta coragem é a que falta à vários bundões dos mais diversos segmentos musicais dos Brasil, que um dia fizeram sucesso e agora vivem à sombra do passado, com sabor naftalina e por conta desta covardia coletiva, propiciou-se o abre alas para o atual “FEBEAPA” – Festival de Besteiras que Assolam o País (Stanislaw Ponte Preta), para a categoria, “MPB do século 21”, um desastre total, culpa também de produtores raquíticos e medíocres intelectualmente e da nossa estimada e acéfala indústria fonográfica.

Não tenho a menor pretensão de fazer uma autopsia, música à música, mesmo porque, Lobão já se deu a este trabalho e fez isso de forma muito bem detalhada em seu mais novo livro,  intitulado, “Em Busca do Rigor e da Misericórdia”, descrevendo o processo de criação de cada música, onde buscou a inspiração e com muita precisão técnica descreve os instrumentos e softwares que usou em sua jornada solitária.

Paralelamente retrata de forma visceral suas tretas mais recentes com seus desafetos, que não são poucos, tendo em vista a sinceridade com que Lobão lida com os fatos e acontecimentos, principalmente do atual momento social e político e de suas consequências. 

O livro está disponível para usuários do Kindle ou em versão física na “amazon.com”, Saraiva e nas demais casas do ramo. 

Voltando ao álbum, logo na primeira faixa em um rompante progressivo, Lobão é possuído por uma entidade tecladista e manda ver em uma belíssima peça instrumental, chamada “Overture”, um prelúdio composto com um enredo cromático muito interessante, feito com harmonizações bem sofisticadas, completamente fora da curva da normalidade musical a que estamos acostumados nos dias atuais.


Aliás, a tônica deste álbum é estar fora da curva da normalidade sob quaisquer aspectos, pois além de ter tocado todos os instrumentos, deu uma caraterística inovadora no seu modo de cantar, as vezes em modo gutural, outras em tom de deboche o que lhe é muito peculiar e como fez a mixagem das músicas, deu uma nova perspectiva à sua voz, ou seja, ousou e se deu bem, mas teve gente esbravejando, o que é normal, afinal, gosto não se discute, se respeita.

Dois bons exemplos disso são as músicas “Os Vulneráveis” e principalmente a “Marcha do Infames” que teve claro endereçamento, com uma letra bem pesada, mas sem ser agressiva, que descreve nosso momento social e político, compassada em ritmo marcial o que confere um tom patriótico a canção e fere mortalmente a quem tem que ser ferido, sensacional.

Como todo álbum temático que se preza, sempre há um “gran finale” e Lobão não se fez de rogado, pois acertou na mosca, bem entre os olhos, com a música título, “O Rigor e a Misericórdia” e mais uma vez possuído, agora por uma entidade sinfônica, deu um banho de bom gosto no arranjo que fez sob medida para letra da música com uma riqueza de detalhes presente em todos os instrumentos, só percebido em músicas dos anos setenta....., seria uma influência dos tempos do Vímana??? Pouco importa, a música é sensacional, to com ela grudada na cabeça já a alguns dias.  

Resumo da ópera, particularmente gostei muito do álbum por sua excelência, diversidade musical, pois cada música representa um caminho bem distinto, com identidade própria, com linguagem independente, portanto, esse álbum possui uma dinâmica muito grande e capacidade de penetração bem abrangente para agradar a gregos e troianos, basta ouvir, o resto, vem naturalmente.

Ficha Técnica:
Lobão - Voz, todos os instrumentos e engenharia de som.

Tracks:
01. Overture
02. Os Vulneráveis
03. A Marcha Dos Infames
04. Assim Sangra A Mata
05. O Que Es La Soledad En Sermos Nosotros
06. Alguma Coisa Qualquer
07. Dilacerar
08. Os Últimos Farrapos Da Liberdade
09. A Posse Dos Impostores
10. Ação Fantasmagórica A Distância
11. Profunda E Deslumbrante Como O Sol
12. Uma Ilha Na Lua
13. A Esperança É A Praia De Um Outro Mar
14. O Rigor E A Misericórdia

LINKS

Spotify - https://open.spotify.com/album/15S4UCrGu36rKG1lUKkeCo
Deezer - http://www.deezer.com/album/12006112
iTunes  - https://itunes.apple.com/br/album/o-rigor-e-a-misericordia/id1068897086

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