8 de fev de 2016

ERIK NORLANDER - "Seas of Orion" - 2004

Esse é o cara, Erik Norlander, compositor e multi-tecladista de primeira linha, que tem como fonte de inspiração para seus trabalhos e modo como executar suas músicas nada menos que os deuses do Olimpo, Rick Wakeman, Keith Emerson e Jon Lord e isto está muito bem registrado em suas músicas.

Desta vez, vamos voltar ao ano de 2004 e chegar ao seu quinto álbum solo intitulado, “Seas of Orion”, muito mais próximo do progressivo eletrônico do “Tangerine Dream” do recém falecido Edgar Froese (01-2015), gênio alemão da música eletrônica, do que do progressivo clássico de suas principais fontes de inspiração.

Muito bem, isto significa que estamos frente a frente com um álbum naturalmente eletrônico, genuinamente instrumental, destinado especialmente a ouvidos afetos a este tipo de música, pois não estamos diante de um eletrônico dançante, mas sim a um eletrônico viajante, portanto é necessário que o ouvinte tenha certa dose de paciência e atenção para captar os mínimos detalhes que este tipo e composição oferece. 

Erik Norlander
Por falar em viagem, ela começa muito bem com a música, “Fanfarre For Absents Friends”, que é uma viagem frenética a bordo de um não menos frenético sintetizador que nos proporciona momentos memoráveis que nos remetem aos deuses do Olimpo acima citados, acompanhados de uma poderosa percussão sob a execução de Greg Ellis, marcando o compasso e os rumos dessa viagem.

Este álbum a rigor é bem dinâmico, com poucas ou quase nenhuma experimentação eletrônica que em alguns casos torna-se algo maçante e por muitas vezes acaba estragando o clima da música, fato este que não acontece neste trabalho, portanto é um bom sinal de divertimento, predicado essencial para um bom álbum.

Moog Modular
Este álbum segue um padrão único de comportamento, mas não causa monotonia de espécie alguma, pois a música de Erik Norlander atrai pela capacidade de criar diferentes atmosferas, portanto não é raro bater aquele “dejà vu” e sentir a presença de algo que já foi escutado em outras épocas (não vou pronunciar o que ou quem, para não perder a graça) e/ou mesmo, o modo da execução que é muito peculiar em muitos tecladistas que conhecemos.

A naturalidade com que ele mistura as tecnologias do passado com as do presente, talvez seja seu maior trunfo, pois dar sentido musical com equipamentos analógicos vintage como por exemplo, um Moog Modular de 1967 (aliás, fico pensando como ele conseguiu um raro instrumento como este) e de outro lado com um sintetizador  Alesis A6 Andromeda, que  tem agregada ao seu DNA as mais altas concepções tecnológicas.

Alesis Andromeda A6
Isso é uma tarefa dificílima que requer muito equilíbrio, sensibilidade musical e profundos conhecimentos técnicos do que estes sofisticados equipamentos podem oferecer para gerar um produto final com qualidade e principalmente que dê sentido lógico à obra. 

Este álbum ainda revela uma boa surpresa, pois há um pequeno cover da música “Opera Souvage: Hymne” do legendário “Evángelos Odysséas Papathanassíu”, sim o “Vangelis”, que é outro Mega-Hiper-Blaster compositor e multi-tecladista que tenho certeza que é também sem sombra de dúvidas fonte de inspiração para Erik Norlander

Bem, acervo musical ele tem de sobra, pois são nove álbuns de sua carreira solo, mais oito álbuns de sua banda, a Rockets Scientists e com a sua esposa que tem um belo vozeirão, Lana Lane, são mais dezoito álbuns, ou seja, o cidadão trabalha e estuda muito sobre tudo o que faz, portanto não é de se admirar que ele consiga produzir álbuns muito bons e consistentes, fazendo-nos sempre retornar aos seus demais trabalhos.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Musicians:
Erik Norlander - Keyborads
Greg Ellis - Drums and Percussion

Tracks:
01 - Fanfarre For Absents Friends
02 - City Of Livings Machines
03 - New  Gotham Prime
04 - Adrift On The Fires Seas Of Orion's Shield
05 - Oasis In Stasis
06 - Opera Souvage: Hymne



2 comentários:

  1. Mr. Gus! Beleza?
    Grande disco! Eu também curto bastante esse cidadão aí. Acho que uma das principais virtudes dele é justamente uma das apontadas em seu (ótimo) texto: a mistura do já antigo e da modernidade, tudo em prol da boa música; e essa mistura não se restringe somente aos teclados antigos e modernos, mas também quanto à visão da música em geral, já que ele utiliza alguns "clichês" do clássico e tradicional rock progressivo, com muita reverência, mas trazendo um espírito mais contemporâneo às suas composições, arranjos e performances.
    Os outros discos dele também são bem bacanas como esse, mas com vários toques diferentes entre cada um deles, uns mais sinfônicos, outros nem tanto, etc.
    Ótima postagem.
    Abração!
    M

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    Respostas
    1. Sim meu velho, este cidadão, não só é um excelente músico instrumentista, como também é um excelente compositor e como vc bem disse, mescla muito bem os cliches do progressivo clássico com os cliches da música contemporânea resultando em belos espécimes musicais......

      Muitíssimo obrigado por suas palavras.....

      Um forte abraço,

      Gustavo

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