19 de abr de 2015

ELP - "Once Upon A Time In South America" - 2015

Quando o assunto é o ELP, o negócio é ser curto e grosso, pois não há mais adjetivos para descrever os feitos de seus músicos e principalmente a sua música que atravessa as décadas sem levar em conta o momento e continua atual.

Eu muitas vezes me pergunto o porquê de continuar postando determinadas bandas, como o ELP e a cada tentativa de justificar esse ato eu encontro uma resposta diferente, entretanto ultimamente eu me deparei com uma resposta que pode ser a mais próxima deste fenômeno.


A proporção em que a tecnologia em todos os setores vai avançando, a criatividade humana vai sendo esvaziada pelo uso de softwares cada vez mais sofisticados, hardware de alto poder, APPS que tudo fazem e tudo mais que um “geek” de ultima geração possa sonhar, facilitando a nossa vida e fazendo com que raciocinemos cada vez menos, pois com um simples toque, temos a resposta e/ou a solução para alguma necessidade. 


No universo da música, não está diferente, pois salvo raríssimas exceções, a partir da década de noventa para os dias atuais, o que se escuta está longe de ser chamado de música como realmente ela deveria ser, pois há ausência de letras e arranjos musicais com um mínimo de inteligência e sofisticação que chamem a atenção.

Emerson
Até bandas da incomparável e inconfundível era jurássica do rock que insistem em permanecer na ativa também padecem deste mal, com o um agravante que é o desgaste natural de décadas de trabalho a serviço da arte, onde a criatividade parece que se aposentou unilateralmente em algum momento e não mandou um aviso aos seus patrões que estava encerrando suas atividades.

Tenho notado que sistematicamente têm surgido novas bandas de rock, principalmente no universo progressivo que é onde eu tenho feito minhas observações e esta situação vem se repetindo, com músicas feitas a partir de sofisticada tecnologia de ponta que está disponível nas melhores casas do ramo, que em alguns casos revelam bons músicos, mas que infelizmente são desprovidos de alma musical, que é ponte que liga o músico ao seu destino final, nós, simples mortais, porém, extremamente exigentes e implacáveis, quando o assunto é a boa música.

Lake
Não adianta ter o mais sofisticado teclado ou guitarra ou o instrumento musical que for, se ele é utilizado de forma protocolar sem o músico e a música transferir o código que mexe nas nossas emoções e nos faz atravessar décadas escutando as mesmas músicas como se elas fossem atuais.

Dai chegar até ao álbum, “Once Upon a Time - Live in South America” do ELP, com shows acontecidos na década de noventa, com a maioria das músicas feitas na década de setenta e mesmo assim soar como algo inédito, pois a cada execução é possível sentir a capacidade de renovação que seus músicos conseguem transferir à música mesmo que subliminarmente, ativando o código que dá a centelha em nossos neurônios liberando sensações e bem estar que tecnologia nenhuma consegue proporcionar, isso sim, é o que há.

Palmer
Agora, chega de bla bla bla e vamos ao que interessa, que é o ELP e sua música, desta vez em terras Sul-americanas, inclusive com direito a passagem em terras Tupiniquins, mais precisamente na Cidade do Rio de Janeiro.

Esse álbum é o registro da passagem do ELP, pelo Chile, Argentina e pelo Brasil na década de noventa nos anos de 1993 e 1997 e para situar cronologicamente a banda, em 1992 foi lançado o álbum de estúdio “Black Moon” e em 1994 o álbum, “In the Hot Seat” e desde então não se juntaram mais para trabalhos em estúdios, produzindo apenas novos trabalhos individuais, no entanto, a parceria continuou nos palcos.

Falar de seu membros está fora de questão e falar de suas músicas é chover no molhado, mas não mencionar músicas como, Tarkus, Pictures At An Exhibition, Karn Evil 9, Hoedown, From The Beginning, Knife Edge, Fanfarre For The Common Man e Lucky Man, seria um sacrilégio, portanto, para quem já conhece, a lembrança que elas ainda soam muito forte foi feita e para quem ainda não conhece, não perca tempo, escute estas músicas e se encante definitivamente com o ELP

RECOMENDADÍSSIMO!!!!

ELP
Keith Emerson
Greg Lake
Carl Palmer

Tracks
Disc One

01 Introductory Fanfare
02 Tarkus
03 Knife Edge
04 Paper Blood
05 Black Moon
06 Close To Home
07 Creole Dance
08 Still… You Turn Me On
09 C’est La Vie
10 Lucky Man
11 Honky Tonk Train Blues
12 Touch And Go
13 Pirates
Tracks 1-13 Recorded Live at Estadio Chile, Santiago, Chile on April 1, 1993

Disc Two

01 Hoedown
02 Pictures At An Exhibition
03 Fanfare For The Common Man / America / Rondo
04 Introductory Fanfare
05 Tarkus
06 Knife Edge
07 Paper Blood
08 Black Moon
09 Keith Emerson Piano Solo
Tracks 1-3 Recorded Live at Estadio Chile, Santiago, Chile on Aril 1, 1993. Tracks 4-9 Recorded Live at Obras Stadium, Buenos Aires, Argentina on April 5, 1993

Disc Three
01 Creole Dance
02 From The Beginning
03 C’est La Vie
04 Lucky Man
05 Honky Tonk Train Blues
06 Touch And Go
07 Pirates
08 Hoedown
09 Instrumental Jam
10 Pictures At An Exhibition
Tracks 1-10 Recorded Live at Obras Stadium, Buenos Aires, Argentina on April 5, 1993

Disc Four
01 Fanfare For The Common Man / America / Rondo
02 Karn Evil 9 1st Impression Part 2
03 Hoedown
04 Touch And Go
05 From The Beginning
06 Knife Edge
07 Lucky Man
08 Tarkus
09 Pictures At An Exhibition
10 21st Century Schizoid Man
11 America
Track 1 Recorded Live at Obras Stadium, Buenos Aires, Argentina on April 5, 1993. Tracks 2-11 Recorded Live at the Metropolitan Theater, Rio de Janeiro, Brazil on August 16, 1997



1 de abr de 2015

THE ROYAL PHILHARMONIC ORCHESTRA - "Plays Prog Rock Classics" - 2015

Não é incomum o lançamento de álbuns como este, com orquestras executando peças clássicas do rock, entretanto, esse foi criado dentro dos estúdios Abbey Road, com a participação da The Royal Philharmonic Orchestra e como se não bastasse, teve também a participação de alguns nomes estelares da estratosfera do rock progressivo para então formar uma grande banda de rock.

Associado a isto, devemos somar um elenco de músicas de bandas não menos estelares como o Yes, Pink Floyd, Jethro Tull, ELP, Rush, King Crimson, Focus, Genesis, Moody Blues e o Gentle Giant, para transformar este álbum em uma celebração ao rock, a música clássica e a tudo de bom que ela proporciona.

Músicos da RPO
Se alguém perguntar se há algum pré-requisito para se escutar um álbum de música clássica ao ritmo do melhor rock progressivo, eu diria que sim, apenas gostar de música, não importando a tribo ou a tendência musical que se associe ao perfil do ouvinte e vou mais longe, pois do modo como foi concebido, é um convite irrecusável para quem não tem familiaridade com a música clássica.

A The Royal Philharmonic Orchestra dispensa maiores comentários por razões óbvias, mas como o intuito é informar, não custa lembrar que ela é originária da Inglaterra, tendo sido fundada em 1946, pelo então maestro Thomas Beecham que ficou no comando artístico até 1961 como diretor e regente titular da filarmônica.

Adrian Smith
Isto posto, vamos aos convidados estelares que se agregaram a filarmônica e faço questão de começar por Gavin Harrison, ele mesmo, o batera do Porcupine Tree, que doa seu talento para a música, “21st Century Schizoid Man” do King Crimson.

Adrian Smith, um dos guitarristas do Iron Maiden, dá o ar da graça na música, “Red Barchetta” do Rush e como não poderia deixar de ser, deixa sua marca “metálica” registrada e no mesmo tom, Patrick Moraz impõe seu estilo à música "Think Of Me With Kindness" do Gentle Giant.

Há uma contribuição muito significativa na música, “Roundabout” do Yes feita pelo tecladista Jimmy Greenspoon do Three Dog Night, que infelizmente faleceu no início de 2015, deixando suas últimas impressões muito bem gravadas neste álbum.

Ian Bairnson, multi-instrumentista, membro quase que cativo do “Alan Parsons Project”, mostra o que sabe em “Comfortably Numb” do Pink Floyd, e na sequencia, Guthrie Govan que por um bom tempo foi membro do Asia, também está presente em “21st Century Schizoid Man”.

Patrick Moraz
Mark Feltham do New Model Army vem convidado para a música “Nights In White Satin”  do Moddy Blues e por fim, o musico e compositor, Richard Harvey do Gryphon, contribui para a música, Thick As A Brick do Jethro Tull.

Finalmente podemos chegar sem muitas delongas ao ápice deste álbum que sem dúvidas alguma são suas músicas, que a luz dos meus sentimentos, foram muito bem escolhidas, todas elas sem exceção, mas como tenho língua grande, ou melhor dizendo, uma escrita longa, aponto a primeira faixa, uma suíte especialmente montada com a junção das músicas Tarkus e From the Beginning do ELP, como umas das melhores versões orquestradas que já ouvi. 

Thijs Van Leer
Roundabout, Watcher of the Skies, 21st Century Schizoid Man são músicas que estão em um formato para fazer levantar defunto de caixão e sair pulando de alegria, pois além de clássicos em sua forma original, com certeza se tornarão clássicos da música clássica também.

A música Focus II que teve a participação especialíssima de Thijs Van Leer, dá a impressão que foi feita propositadamente para um dia, migrar do rock para a música clássica, assim como uma lagarta se transforma em uma borboleta, ficando até difícil de escolher qual a melhor versão, mas como sou declaradamente um volúvel musical, fico com as duas.

RECOMENDADÍSSIMO!!!!

Musicians:
The Royal Philharmonic Orchestra

Guest Musicians:
Gavin Harrison
Adrian Smith
Patrick Moraz
Jimmy Greenspoon
Ian Bairnson
Mark Feltham
Richard Harvey
Thijs Van Leer

Tracks:
01. ELP Suite: Tarkus / From The Beginning / Tarkus (Reprise)
02. Comfortably Numb feat. Ian Bairnson
03. Thick As A Brick feat. Richard Harvey
04. 21st Century Schizoid Man feat. Gavin Harrison and Guthrie Govan
05. Focus II feat. Thijs Van Leer
06. Nights In White Satin feat. Mark Feltham
07. Think Of Me With Kindness feat. Patrick Moraz
08. Roundabout feat. Jimmy Greenspoon
09. Watcher Of The Skies
10. Red Barchetta feat. Adrian Smith

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