15 de mar de 2014

GENESIS - "Live at the Rainbow Theatre" - 1973

Quando a música é boa, tem essência, tem uma história, ela fatalmente se perpetua e quanto mais o tempo vai passando, mais forte e presente vai ficando e essa percepção é muito fácil de entender, pois quando comecei a me interessar por música, há uns quarenta anos passados, meu pai além de MPB e Jazz escutava muita música clássica, que teoricamente em meu entendimento naquela época, era um hábito musical de gente “velha”.

Legal né, além do rock progressivo que eu tanto amo, eu também escuto muito a musica clássica, então, por conseguinte eu também sou um “velho”, certo? Não, errado!!!

Eu escuto a música clássica por conta de sua qualidade, da sua história, das suas origens, e este fenômeno está se repetindo com o rock progressivo, que já é um quarentão, que na sua puberdade quase sucumbiu por razões diversas, mas foi inteligente o suficiente, para “se fingir de morto” por um pequeno espaço de tempo e poder continuar sua trajetória.


Essa é uma questão que me persegue, porque para alguns pareço um louco por estar escutando sempre as mesmas “velhas” músicas e canções, mas o que muitos não conseguem compreender é que por não serem descartáveis, nem representantes de um momento específico (e.g. “Carnaval”), elas realmente se perpetuam em nossas vidas de tal forma, que quando escutadas por nós que realmente às amamos, parece que sempre escutamos algo novo.

O caso é tão sério, que se notaram, há bem pouco tempo coloquei um “Plug-in” de uma Rádio, no topo da página e a primeira “música” que começa a tocar, é a íntegra do álbum, “Tales From Topographics Oceans”, do Yes e o resultado é que ainda não consegui chegar ao álbum seguinte, pois não tenho coragem de pular o álbum, por razões óbvias, mesmo sabendo que há uma interessante seleção musical a minha espera na sequencia.

Há quem torça o nariz para as gerações seguintes que sucederam as bandas do rock progressivo clássico dos anos setenta, mas tudo bem, gosto é algo pessoal, intransferível e merece todo o nosso respeito, entretanto, estas gerações seguintes foram o esteio necessário para a longevidade de seus antecessores, portanto, só resta agradecer a bandas como o Marillion, IQ, Pendragon, Pallas, Procupine Tree, Glass Hammer, Citizen Cain e tantas outras que por também amarem o rock progressivo, proporcionaram aos seus ídolos a longevidade eterna.

Se não fosse assim, eu não poderia estar publicando mais uma vez, algo sobre o Genesis, um fenômeno musical, que nos anos setenta, junto a bandas como o Pink Floyd, Yes, ELP, Camel, Jethro Tull, Eloy, PFM e mais um sem numero de outras bandas de mesma grandeza, que promoveram uma nova ordem e um renascimento musical que até hoje influencia o nascimento de novas bandas que seguem o estilo e modifica outros, como no caso do mundo do “metal”, com o surgimento de novas bandas de metal sinfônico.

Muito bem, desta vez a gravação é de um show feita em fevereiro de 1973, no legendário Rainbow Theatre, palco de grandes e antológicas apresentações e desta feita, o personagem principal foi o Genesis, com sua clássica formação frente aos seus instrumentos e microfone.

Quanto às músicas, até então já haviam sido lançados os álbuns, Trespass, Nursery Crime e Foxtrot, com o álbum “Selling England By The Pound” ainda no forno, pois só seria lançado oficialmente em outubro deste mesmo ano, portanto, as músicas, Dancing With The moonlit Knight, “I Know What I Like”, “Firth Of Fifth”, “More Fool Me” e “The Battle Of Epping Forest”, estavam sendo colocadas à prova antecipadamente e junto delas mais dois super clássicos, “Watcher Of The Skies” e “Supper's Ready", sendo esta última para mim, simplesmente inigualável, inimitável e indestrutível, pois nem Phil Collins conseguiu destruí-la quando assumiu o controle da banda após a saída de Peter Gabriel.

Comentar as músicas ou seus músicos, nem pensar, pois existem centenas de milhares de blogs que já devem ter escrito de tudo e eu mesmo em outras ocasiões também escrevi bastante sobre o Genesis, no entanto gostaria que este álbum, “Genesis Live At the Rainbow Theatre”, servisse como um bom exemplo do que é uma música perpetuada.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Genesis:
Peter Gabriel
Steve Hackett
Mike Rutherford
Tony Banks
Phil Collins

Tracks:
01 - Watcher Of The Skies
02 - Dancing With The moonlit Knight
03 - I Know What I Like
04 - Firth Of Fifth
05 - More Fool Me
06 - The Battle Of Epping Forest
07 - Peter Gabriel & Phil Collins - Green Grass Tale (Duo Performance)
08 - Supper's Ready



8 de mar de 2014

FONYA - "Perfect Cosmological Principle" - 1998

Continuando a minha saga para encontrar bandas de rock progressivo fora do eixo convencional da Europa como a Inglaterra, Alemanha, Itália e outros, eu indico agora a banda Fonya,  originária dos EUA, a princípio um duo formado pelos irmãos Fournier, Chris e Phil, sendo o primeiro multi-instrumentista e o segundo o vocalista.

O Fonya produziu sete álbuns de estúdio entre os anos de 1992 e 2000, entretanto resolvi começar pelo quarto álbum, "Perfect Cosmological Principle" lançado em 1998, pois além das músicas inéditas, nele está contida uma homenagem ao YES, com uma pequena parte de “The Gates of Delirium” extraída da gravação álbum ao vivo, "Yesshows" e que está refletida na  música, “Delerium's Gate”, última faixa deste álbum.

Aproveitando a oportunidade, coloquei duas faixas bônus, onde mais uma vez o Fonya surpreende pela coragem e competência em executar as musicas do Premiata Forneria Marconi e do Camel, que foram extraídas dos álbuns, “Zarathustra’s Revenge”, um álbum tributo ao rock progressivo Italiano e do álbum “Harbour of Joy”, um tributo ao Camel, ambos postados aqui no blog anteriormente.

Falar em Fonya chega até ser engraçado, pois é uma banda de um só músico, no caso Chris Fournier, pois seu irmão Phil, apenas participou do primeiro álbum emprestando sua voz, com Chris executando todos os instrumentos neste e nos demais álbuns.


Chris tem uma formação musical invejável, pois muito cedo começou a ter aulas de baixo e quando começou a aprender a ler música, foi capaz de aprender guitarra, teclados e bateria sozinho e após sua primeira graduação,  na Maine's Cheverus High School, ele passou por cerca de seis anos, animando festas junto com seu irmão, o que permitiu que pudesse sobrevier neste período, mas como era e é um amante do rock progressivo, ele comprou um gravador de quatro pistas e começou a compor suas próprias músicas de teor progressivo.

Para ele isto era muito pouco, pois sua sede de saber era muito grande, então ele se formou em eletrônica pelo Southern Maine Technical College e em seguida cursou o curso de engenharia eletrônica na University of Maine e com toda essa bagagem acadêmica, associada a sua inteligência musical, finalmente ele pode por em prática seu sonho de ser um músico completo e poder externar sua satisfação através da sua música.

Caracteristicamente é um som eletrônico, que lembra o Tangerine Dream, entretanto menos experimental e mais voltado para o rock progressivo sinfônico, uma vez que consegue produzir várias camadas harmônicas pelo diversos teclados que são acionados simultaneamente produzindo a atmosfera e o cenário característico deste tipo de música.

"Perfect Cosmological Principle" é um álbum altamente viajante, dinâmico, lembrando uma trilha sonora de filme de ficção científica por conta da riqueza estrutural de suas composições que realmente nos remetem ao rock progressivo dos anos setenta.

O álbum conta com duas suítes, Flight of the Rigel Orion e Uniform Expansion and the Perfect Cosmological Principle que revelam esta fantástica experiência, assim como a música, “Delerium's Gate”, que é uma prova de admiração e respeito por uma das obras mais importantes do YES.

A rigor o álbum inteiro é muito bom, completamente envolvente, em momento algum, no meu caso deu aquela maldita vontade de pular uma faixa sequer e ao contrario disso, tive que em alguns casos voltar uma faixa, pois a atração pela música foi imediata. 

Portanto, fica o convite para quem ainda não conhece a obra do Fonya, a ter contato com um novo universo musical, muito rico, inteligente e inspirador, que revela um talento musical pouco conhecido, que tem por nome “Chris Fournier” e para aqueles que já conhecem seu trabalho, fica o convite para relembrar de sua adorável música. 


ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Fonya:
Chris Fournier / all instruments; all music, except for track 7 (by YES)

Tracks:
01. Tetrabiblos (Ptolemy, 200 AD) (9:36)
02. Spiral Structure in Virgo (4:50)
03. Flight of the Rigel Orion (14:02)
     a) Approaching Arctana (4:22)
     b) Compression (5:51)
     c) Spirit of Sunshine (3:41)
04. Mare Nektaris (6:27)
05. Flash Spectrum Scanning Helium Horizon (9:13)
06. Uniform Expansion and the Perfect Cosmological Principle (19:43)
     a) One Hundred Million Years (5:31)
     b) Expansion (5:31)
     c) So Many Parsecs, So Little Time (6:07)
     d) We've Been Here Before 2:13
07. Delerium's Gate (7:36)
Bonus "Ondas":
Fonya plays PFM - Medley
Fonya plays Camel - Eye of the Storm

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