26 de fev de 2013

The Royal Philharmonic Orchestra - "Plays The Music of Rush" - 2012

Fazendo uma limpeza em um dos micros que eu uso, encontrei a capa ao lado, uma criação do mago do design, Roger Dean, para o álbum, “The Royal Philharmonic Orchestra Plays The Music Of Rush”, o que me fez mudar de planos, uma vez que, a bola da vez, era um bootleg do Kansas, mas não há de ser nada, pois a próxima postagem será dedicada totalmente a ele. 

Quando me deparo com um álbum deste tipo, vem sempre a mesma pergunta, pois por que diabos uma orquestra sinfônica, insiste em produzir álbuns que tem por essência, o rock, não importando de qual vertente seja, pois diversos álbuns como este já foram produzidos por esta e inúmeras outras sinfônicas? Qual  é o real significado disto tudo? Falta de repertório? Realmente eu não sei o que ocorre, mas independente do que possa ser, um álbum como este é sempre muito bem vindo.

“The Royal Philharmonic Orchestra”
Uma ideia que me vem à cabeça é que como não existem mais compositores de música clássica atualmente e realmente isto deve ser um desestímulo à continuidade da música clássica, portanto servir-se do rock que sempre tem um bom argumento musical e adaptá-lo ao mundo da música clássica é sem dúvidas uma boa maneira de popularizar a música erudita com músicas conhecidas, principalmente dos jovens, ganhando uma nova leitura e consequentemente novos adeptos para este tipo de música. 

Rush
É interessante que estes novos arranjos, independente do tipo de música, têm um resultado sempre muito positivo e eu posso usar como exemplo, um caso extremo, com o “Iron Maiden” (que eu gosto muito) que teve suas músicas orquestradas pela “The Hand Of Doom Orchestra” com o álbum, “Plays Iron Maiden's Piece Of Mind”, com um produto final no mínimo surpreendente. 

Agora chegou merecidamente a vez do Rush, o famoso “Power Trio” Canadense que começou a dar seus primeiros passos pelos idos de 1968, lançando seu primeiro álbum apenas em 1974 e estando na ativa até hoje, com seu álbum mais recente, “Clockwork Angels”, lançado em 2012. 

Adrian Smith
Neste álbum, “The Royal Philharmonic Orchestra Plays The Music Of Rush”, além da própria orquestra, convidados especialíssimos, como Adrian Smith do Iron Maiden, presente em “Red Barchetta” e Steve Rothery do Marillion, presente em  “Working Man”, deu um peso extra às novas e dramáticas interpretações sob a batuta do Maestro Richard Harvey que ainda contou com a presença do Coral Windrush

Para o Rush, sem dúvidas, uma puta homenagem, vinda da Britânica, “The Royal Philharmonic Orchestra”, fundada em 1946 e que é uma das mais ativas orquestras do planeta, portanto, o presente foi dividido em nove faixas de tirar o fôlego, com modernos e elegantes arranjos, executados de forma absolutamente impecável. 

Steve Rothery
Bandas de rock como o Deep Purple, Queen, Beatles, Led Zeppellin e as bandas de vertente progressiva como, o Yes, Genesis, Pink Floyd e tantas outras já tiveram em diversas ocasiões, o seu devido tributo clássico, porém, com certa facilidade para a elaboração das adaptações e ajustes nos novos arranjos para as músicas de origem progressiva, uma vez que parte de sua essência é oriunda da música clássica. 

No caso do Rush eu nem me atrevo a classificar a banda, pois ela ao longo de sua trajetória flertou com diversos estilos musicais, o que confunde um pouco, mas isso não tem a menor importância, pois o que importa mesmo, é que seus arranjadores e executores foram extramente felizes no modo como procederam esta metamorfose musical, do rock para o clássico, transformando estas músicas em um irresistível convite a adentrar ao mundo da música erudita de forma moderna e contagiante, portanto só resta recomendar este álbum a todos, independente da tribo a qual se faça parte.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!

Tracks:
01. 2112 Overture
02. The Spirit Of Radio
03. Tom Sawyer
04. Subdivisions
05. Closer To The Heart
06. Red Barchetta (participação de Adrian Smith)
07. Limelight 
08. Working Man (participação de Steve Rothery)
09. Fly By Night

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DEPOIMENTOS:





  • Prezado mano Véio......

    Eu escrevo neste blog a mais de um ano, e durante todo este tempo, fiquei esperando você postar alguma coisa do Rush, pois sempre tive vontade de escrever sobre este incomparável Power Trio - que na minha opinião - é muito melhor que o Cream ( Fala Véio Dead!!!!!)........

    Só que não muito raro, você coloca na sua resenha um gap, que faz com que eu leve minha linha de raciocínio para uma direção completamente diferente daquilo que eu queria escrever...

    Nós já estamos discutindo neste Buteco a muito tempo, o período de ouro do rock, e seus principais componentes, gênios, vertentes, influências, e a conversa sempre acaba com a célebre frase....” MALDITOS SEJAM OS SEX PISTOLS”

    E no meio destes debates, sempre fica aquele sentimento de que um dia as coisas irão mudar...Você mesmo já confessou em uma dessas últimas rodadas que é um otimista em relação à dias melhores....

    Pois bem Mano Véio....Lendo essa resenha, eu acho que encontrei uma possível resposta para nossos incontáveis debates......

    Você escreveu que é bem provável que a releitura das obras das grandes bandas da década de 70 em roupagem sinfônica, seja possivelmente porque hoje não há mais grandes compositores deste gênero....., ( E foi essa única frase que mudou toda minha linha de raciocínio sobre o que eu iria escrever)...........

    Eu acrescento....Quem aprecia este gênero de música, com certeza não vai arriscar seus ouvidos em um compositor novo..... Melhor ouvir Wagner, Bach, Beethoven.....

    Pergunta....E não é exatamente isso que nós fazemos em relação à música que é feita hoje????
    Às vezes um de nós recomendamos ao outro....”Putz, escuta só esta banda!!!! Veja como ela é boa!!!! “ Essa é a máxima do blog do Véio Dead e da Luciana......Mas em via de regra, a gente acaba sempre nos “Atom Heart Mothers, Supper’s Ready e Close to the Edge da vida.....”...Você escuta Genesis todo dia, mas tem o Magnification no lacre...Sacou????

    (fim da primeira parte)




    Aonde eu quero chegar com tudo isso???? Simples meu caríssimo Mano veio, e demais Capitães e Navegantes..........

    Após a ressaca da Idade Média, o mundo através do Renascimento Cultural eclodiu em diversas vertentes, ciência, política, filosofia, artes....E dentro das artes entre os séculos 18 e 19, floresceu o período clássico da música erudita e seus principais mentores ( autores)... Vamos resumir isso tudo na figura de Mozart, etc...

    Ou seja, a música clássica/erudita é um produto típico de um determinado momento da história, em que a humanidade estava passando por uma série de transformações!!!!! Pertence àquele período e nunca mais vai voltar....Pelo Menos não da forma como se apresentou...Pois era exatamente o alívio e inspiração que as pessoas precisavam para curar as feridas criadas pelo jesuitismo, absolutismo, feudalismo, e outros ismos.....

    Agora, vamos raciocinar com a mesma lógica.....Em que momento o rock surgiu?????

    Depois de outra ressaca....Primeira guerra, Segunda Guerra, Holocausto, Guerra Fria, Paranoia Nuclear, Racismo.....O rock veio para romper todos os paradigmas, toda melancolia, todo medo, toda repressão que assolava o mundo naquela época...

    Quer maior afronta para uma sociedade extremamente conservadora e racista como os EUA, ver de uma hora para a outra surgir um movimento musical e radical justo da raça negra????

    Tinha que ter um Keith Moon para arrebentar uma bateria, os Fucking Stones, mijando no posto de gasolina...E por fim, As bandas que mais amamos, totalmente influenciadas pelo movimento da música clássica...........O Mundo mudou depois de Elvis e Beatles....

    Conclusão desta mini tese....A música clássica/erudita foi um movimento único em um momento único da história.......O rock como conhecemos e vivemos, também.....

    Quem viu, viu, quem não viu.....Paciência.....Assim como os fãs da música clássica são fiéis de geração a geração, haverá os fãs do rock de verdade de geração a geração.......

    Mas esqueça que teremos um dia, um movimento semelhante com o mesmo padrão de criatividade e qualidade. Outro talvez.........Igual jamais..........

    Da mesma forma como a seu tempo só houve uma Quatro Estações, só existirá um Tales From Topographic Oceans.

    Onde entra os Sex Pistols nesta história?????????? Digamos que além de Malditos, eles também foram dadas as devidas proporções a Primeira Guerra Mundial....

    Mais do que nunca Mano Véio.....Obrigado pelo espaço e pela brilhante resenha.....

    P.S....Você fica me devendo um post do Rush ....

    P.S2...Imperdoável você não ter nada do Iron Maiden....

    ABRAÇO......FORÇA.....SUCESSO!!!!!!!!!!
    The Ancient




    Meu velho,

    Antes de qualquer coisa, me desculpe em demorar tanto para dar continuidade ao assunto, mas ando um tanto atrapalhado com as obrigações profissionais....

    Brilhante, é o mínimo que posso dizer de seu texto, que retrata fielmente os acontecimentos do passado e do presente...

    Este movimentos como prova a história, são cíclicos e nós estamos totalmente envolvidos em um momento de transição, onde não há uma vertente musical predominante, com diversos sub-gêneros musicais atuando de forma descoordenada o que para nós, dinossauros do rock, é o fim.....

    Eu tenho fé que dias melhores virão e um álbum como este é no mínimo um alento......

    A bem da verdade, além do Rush e do Iron Maiden, eu tenho muita vontade de expor outras bandas, como o Deep Purple, Procol Harum, Santana, Uriah Heep e tantas outras, mas uma hora eu chego lá....

    Abraços,

    Gustavo





    Que pérola!



    Meu caro,

    Você está absolutamente correto, quanto ao álbum, ao Rush e a filarmônica..... absolutamente perfeitos.....

    Abraços,

    Gustavo


    1. Mano Véio.......Eu leio com muita atenção tudo o que você escreve, porque sempre aparece uma frase, uma palavra que muda completamente a direção daquilo que eu pretendia escrever.......

      A história nos ensina que depois da tempestade, vem a bonança...E ela vem sempre conforme a necessidade da humanidade....

      Passando pelo blog do Véio Dead, eu ví um post da Billie Holiday onde o Véio Dead publica fotos de linchamento....Era assim que os negros eram tratados na América....O rock mudou esse tipo de comportamento....

      Hoje vivemos uma fase semelhante...Intolerância, competitividade, capitalismo selvagem, terror, chacina, pobreza cultural....Creio que um novo movimento deverá surgir, em algum momento de um futuro que penso não seja tão próximo....Até lá...Seria muito legal ver no seu blog as bandas que você citou....sem falar no Queem é óbvio....

      Abraço...Força...Sucesso

      The Ancient

      P.S. Cê tá desculpado.....pois como já disse.....vivemos de forma igual, com um pé em cada cidade...e no meio da linha de tiro....
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    2. God save the queennnnnnnnnnnn!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! PQPPQPPQP e PQP!!!!!!!!!! Desculpem mas eu sou um puta de um pregui e escrevi sobre esse post logo que veio a luz, mas não conferi e não foi salvo meu comentário, ai a pregui me impediu de discorrer sobre o assunto, mas o Anc me incita a debater e por partes como o parente Jack the ripper: Qto ao prq Gustavo e amigos destrambelhados é simples!!!!! A orquestra Sinfonica Alemã Abre suas apresentações com a opera Dracula do PFM!!!! Esta vem com Rush, e outras já fizeram e fazem com outros, tudo só pela música, maestro é que nem matrix, ele não ouve como ouvimos ele vê notas e as notas que ele vê compõem um cenário tão lindo que eles enveredam por essas plagas, e as vz quebram a cara, mas na maioria dá certo e prq? Prq esta´pronto, prq está montada a música nota por nota e como todo maestro que se preza ele quer fazer arranjos para aquele tema. Anc Rush e Cream são agua e oleo, a unica coisa que os une é a qualidade musical que comparada o Rush realmente fica atrás, Lifenson não toca como Clapton, Lee nem chega perto de compor como Baker e o Peart é aluno do Ginger, ele disse isso heim!!!!numa entrevista ele simplesmente cita o Ginger como um monstro e não tem como qualificá-lo, vou eu dier o que?
      Agora que o Rush criou um estilo isso sem dúvida e é possivel porque cada bluseiro tocando suas notinhas faz isso como falo sempre, qto mais eles com a parefernália a disposição. Talvez sim queiram preservar como temos até hoje um Bach nos ouvidos até m comercial de tv mas no fundo mesmo, é prq agradou aos ouvidos dos maestros e dos idealizadores e todos que se envolvem numa orquestra, mas como já vimos se um Von Karajan não quisesse não entrava no set list, poderia ser pra rainha da inglaterra, e ele era ate´um dos melhorzinhos prq alguns são irascíveis em suas atitudes e mesmo por grana, se não gostarem não fazem, aqui no brasil já vi isso com o Uirapuru, que mataram metendo em coisas governamentais e nunca mais se ouviu tocar ou as bachianas de Villa Lobos tb comercial de tv e descrédito total, lá não, lá eles encontram a pérola na ostra, aqui matá-se a ostra pra comer e joga-se a pérola fora.
      Gustavo e Anc e quem mais tiver saco de ler, vou postar ainda o Sex Pistols e discorrer uma tese sobre eles, preparem-se,rs
      Enjoy!!!!!!!!!!!!!!!!
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    3. Véio Dead.......Eu não tenho problema nenhum em dizer para uma pessoa quando eu a amo de paixão.....E eu o Amo tanto....mas tanto, que confesso não ter estrutura para iniciar uma nova tese sobre Cream ( mas jamais perderia a chance de dar uma alfinetada)......

      Porém você escreveu algo extremamente importante....O Maestro nunca ouve da mesma forma que nós....Eu nunca ouvi música...

      Eu incorporava a música....Incorporar é diferente de ouvir....É você mesmo sem saber cantar ou tocar porra nenhuma, ficar ali no quarto com a bolacha rodando e se imaginar no lugar do seu ídolo, tentando fazer igual e ser fiel, sem ter público, sem ter instrumento.....

      É meditar sobre o som que está rolando e buscar nele inspiração.......Um Maestro jamais ouvirá Freewill da forma que eu ouvia.......

      Brilhante colocação!!!!!!!!!!!

      Mano Véio......a gente ainda vai acabar editando um livro!!!!!!!!

      E que venha os Fuck Pistols...........E God Save The Queen!!!!!!

      The Ancient


      P.S.
      Jack Bruce é melhor letrista que Neil Peart?????????
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    4. Leia meu veio leia: ...Lee nem chega perto de compor como Baker e o Peart é aluno do Ginger...aliás tocar o Lee toca sim muito mas o Jack Bruce é imbatível e não sou eu quem diz apesar de fã, amo sim o Geddy Lee forcei muito pra cantar Fly by Night igualzinho mas pra quem fazia cover do Gentle Giant era ficha,ré,ré..mas qualidade técnica do JB é algo assim insuperável. Grato pelos afagos, aceito sim não sou falso humilde sabe "ah eu não mereço", que nada, é bom sim de vez em qdo receber afagos, e fazê-los tb é óbvio. Tinha mais pra falar mas como disse escrevi e fechei a página, completamente destrambelhado, tinha outras obs até legais como essa do Dracula, prq no blog da Luciana meteram o pau em mim qdo postei, e aí respondi que o maestro de uma das maiores sinfônicas do mundo a escolheu como uma das mais perfeitas obras ao ponto de abrir suas apresentações na europa com ela.
      Mas é isso, sigamos em frente.
      Enjoy!!!!!!!!!!!!!!!!!
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    5. Obs: PQP, eu e vc confundimos alhos com bugalhos, o GEDDY LEE não é melhor compositor que JACK BRUCE; saco, ô idade da porra ,rs
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    6. É verdade Veio Dead.........

      A gente escreve tanta coisa que acaba se confundindo todo......Você por um momento chegou a afirmar que o Cream é melhor que o Rush e que Jack Bruce é melhor letrista que Neil Peart....Eu pensei comigo.... Nossa, será que o Dead perdeu a cabeça??????

      Direto de Xanadu..........

      The Ancient
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  • 15 de fev de 2013

    YES - "Open Your Eyes" - 1997

    Depois de muito, mas muito tempo mesmo, talvez uns 15 anos, eu resolvi por fim a um dramalhão mexicano em minha vida musical, que tem por nome, “Open Your Eyes”, vigésimo terceiro álbum de estúdio do Yes, se contar com “Keys to Ascension I e II” como álbuns de estúdio. 

    Esta iniciativa foi estimulada pela insistência de Carlos. Calma!!!! Não é o “Chacal”, mas sim o “The Ancient”, nosso mestre cervejeiro musical aqui no boteco, que por diversas vezes mencionou as qualidades deste álbum que já tem uns dezesseis anos de existência e que por mim nunca havia sido escutado, encontrando-se lacrado até hoje, dia 15/02/2013 e que as fotos anexas à resenha irão comprovar. 

    Como eu me considero um fã da ala “Xiita” do Yes, ou seja, um fundamentalista de barba e turbante na cabeça e que usa um cinto enfeitado com uns trinta quilos de TNT, não esperem compaixão de minha parte em relação a este trabalho que eu começo a analisar agora pela capa, antes mesmo de tirar o lacre do CD. 

    O CD ainda lacrado....
    De Roger Dean, o mago do design, temos apenas o "logo" da banda, lindo como sempre, mas alocado em um fundo preto, o que dá a impressão, de um vazio absoluto e sem gravidade, ao contrário das capas de álbuns anteriores que eram reveladoras e impressionavam pela beleza e já serviam de passaporte para alguma viagem musical, mas isso por si só, não é motivo para considerarmos este álbum um bastardo na discografia da banda, mas confesso que isto para mim é um desestimulo muito grande. 

    Ainda com CD lacrado, notei algo que logo chamou a minha atenção, pois por hábito, o primeiro nome que procuro é sempre o do tecladista e como não vi um “Wakeman”, ou um “Kaye”, ou até mesmo um “Moraz” nos créditos, então comecei a desconfiar que algo possivelmente poderia estar errado com este álbum, levando-se em conta que "Yes sem teclados é como praia sem sol", mas como ainda não havia escutado o álbum, qualquer especulação seria muito injusta com a banda e uma total falta de respeito de minha parte. 

    O CD semi-deslacrado
    Como a primeira impressão é a que fica, resolvi escrever a resenha baseando-me apenas em uma única audição e logo de cara, voltei no tempo, mais precisamente ao álbum, “90125”, um velho conhecido das rádios FM’s, pois era um álbum dançante, assim como este, mas isso não significa que “Open Your Eyes” não seja um bom trabalho, longe disto, mas revela um indício do caráter e da personalidade imposta pela banda nestas músicas. 

    Em geral, nota-se que é um álbum de música Pop, bem sofisticado, mas Pop e muito monotônico, pois a cadência da bateria de Alan White é muito similar em praticamente em todas as músicas, limitando-se a fazer o acompanhamento sem exercer uma posição efetiva, mas não chega a ser um álbum monótono, que conta com a presença maciça de guitarras, dividindo o espaço em vários momentos com todos os integrantes da banda cantando ao mesmo tempo, o que nos remete diretamente a ”90125”, onde esta fórmula teve sucesso. 

    O CD parcialmente deslacrado....
    No passado de “90125”, tivemos Tony Kaye  à frente dos teclados, o que foi uma coisa muito boa para o álbum e agora, Billy Sherwood que originariamente é um guitarrista, foi apenas um coadjuvante na função e que pouco se percebe no desenrolar das músicas fazendo apenas o acompanhamento temático em cada peça, ou seja, muito aquém do que se poderia esperar de uma banda como o Yes, onde os teclados sempre foi uma preocupação, pois neles sempre encontraram abrigo para colorir as “viagens”, mas compreendendo a essência do álbum por uma visão menos Xiita e mais holística, ele não chega a dar medo é da para ser escutado nestas condições sem o menor problema. 

    Jon Anderson dividindo os vocais com Billy Sherwood não foi um problema para este tipo de música e Steve Howe e Chris Squire tiveram um desempenho suficiente para atender as necessidades e a baixa complexidade das músicas, limitando-se a dar o suporte musical sem grandes virtuosismos. 

    O CD tolamente deslacrado....
    Não é um álbum brilhante e nem poderia ser, pois seu antecessor, “Talk” (Keys to Ascension I e II não contam), é um álbum muito mais criativo e cativante e o álbum posterior, “The Ladder”, que ou bem ou mal, teve um tecladista, o “vodqueiro”, “Igor Korochev”, que era movido à “Natacha”, pois se fosse movido à “Absolut”, com certeza tocaria bem melhor, mas mesmo assim, “The Ladder”, que também não chegou a ser brilhante, foi uma bela tentativa de volta ao passado feito pelo grupo e soa melhor aos ouvidos do que “Open Your Eyes”, portanto, ele está imprensado por obras mais sofisticadas e complexas, que o prejudicam se comparado a estes trabalhos. 

    Resumindo este “imbróglio” todo, o que temos, é um “Fusca” com peças de “Ferrari”, que se perdeu no meio do caminho e poderia ter ido um pouco mais longe e que em meu conceito faltou coragem de ir adiante, mas ai, os motivos são diversos e vão desde a simples falta de criatividade, o que não é anormal depois de trinta anos de estrada, até chegarmos às imposições mercadológicas que são preponderantes nestes momentos e que com o perdão da má palavra, fodem tudo

    Em fim, o resultado geral, visto apenas por um fã da banda (no caso, eu), é de um álbum agradável de ser escutado, pois é descompromissado com qualquer dogma ou doutrina musical, com músicas muito “cantadas”, lembrando o “Roupa Nova”, obviamente guardando as devidas proporções, bem ao estilo “Easy Listenning”, o que não é nenhum demérito para a banda, apenas mostrando a versatilidade que seus mentores tem nos momentos de crise em poder sobreviver, portanto, para quem ainda não conhece o álbum, vale a pena dar uma conferida neste trabalho do Yes, que se não é dos mais brilhantes já produzidos, tem pelo menos o selo de qualidade de uma das bandas mais criativas do planeta.

    RECOMENDADO!!!!

    Yes
    Jon Anderson / vocals
    Chris Squire / bass, harmonica, vocals
    Billy Sherwood / guitars, keyboards, vocals
    Alan White / drums, percussion, vocals
    Steve Howe / guitars, steel, mandolin, banjo, vocals


    Tracks:
    01. New State of Mind (6:00)
    02. Open Your Eyes (5:14)
    03. Universal Garden (6:16)
    04. No Way We Can Lose (4:56)
    05. Fortune Seller (5:00)
    06. Man In The Moon (4:41)
    07. Wonderlove (6:06)
    08. From The Balcony (2:43)
    09. Love Shine (4:37) 

    10. Somehow, Someday (4:47) 
    11. The Solution (5:25)


    7 de fev de 2013

    THE BEATLES - "The Beatles Over Wembley" - 1965

    O que me estimulou a falar algo sobre os Beatles foi o fato de ter começado a ler o livro, “The Dark Side of The Moon – Os bastidores da obra prima do Pink Floyd”, escrito por John Harris, que com uma narrativa em tom biográfico, conta com requinte de detalhes um pouco da história da banda e os momentos e anteriores e posteriores à produção deste álbum, que é sem dúvidas um divisor de águas na história da música contemporânea. 

    Que relação teria o Pink Floyd com os Beatles??? A princípio, não se vislumbra nenhuma relação, mas se a gente começa a ligar alguns pontos entre si, um cenário bem interessante começa a surgir, pois os Beatles viveram intensamente o movimento psicodélico, produzindo verdadeiras obras primas, como os álbuns, “Revolver” (1966) que conta com a música, “Tomorrow Never Knows”, que é um marco do movimento psicodélico e que já foi executada por diversas bandas do passado e do presente e temos também, "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" (1967), "Magical Mystery Tour" (1967) e "Yellow Submarine" (1969), fechando o momento psicodélico dos Beatles, que após este período, passaram a fazer uma música mais “cabeça”, voltada para os conceitos orientais. 

    Nesta mesma época, o Pink Floyd produzia os álbuns, "The Piper at the Gates of Dawn" (1967); "A Saucerful of Secrets" (1968) "More" (1969); "Ummagumma" (1969); "Atom Heart Mother" (1970) que são peças fundamentalmente psicodélicas e que certamente tiveram a influência da música dos Beatles, pois falar em vanguarda musical era falar de Beatles e desde o seus primórdios, o Pink Floyd de Sid Barrett buscava exatamente isso, ou seja, uma música diferenciada. 

    Por mais simplórias e ingênuas que possam parecer aos ouvidos, a música dos Beatles, foi responsável direta pelo nascimento de diversos movimentos musicais que eclodiram ao final dos anos sessenta e na década de setenta, pois foi um trabalho que ultrapassou os próprios limites da música, impondo novas tendências no modo vida das pessoas que viveram aqueles momentos. 

    Eles representaram a liberdade e a rebeldia que estava oprimida dentro das pessoas, por conta de imposições governamentais, sociais e familiares que regiam o modo de vida e mesmo quando houve a separação da banda em 1970, onde um planeta inteiro de uma hora apara outra, ficou órfão da banda e esta influência não parou ou diminuiu com a separação, pois cada um isoladamente com sua criatividade e carisma continuou a contagiar as pessoas e a mudar o mundo. 

    O bootleg, “The Beatles Over Wembley” é uma compilação de apresentações da banda, que vão de 1962 a 1965, marcando a fase inicial da banda, com todas aquelas musicas que desde então, embalaram os nossos sonhos e momentos inesquecíveis. 

    Apesar de ter começado o texto comentando sobre a fase psicodélica dos Beatles, fiz questão de postar este bootleg que marca a fase inicial da banda, onde talvez na época ninguém pudesse imaginar a magnitude e a profundidade que as músicas, criadas e executadas por quatro jovens gênios, pudessem ir tão longe e atingir um número incontável de fãs, que não para de crescer, pois as novas gerações herdam esta cultura das gerações posteriores e tudo leva a crer que este fenômeno cultural não terá fim. 

    ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

    The Beatles:
    John Lennon
    Paul McCartney
    George Harrison
    Ringo Starr


    Tracks:
    01 - Introduction
    02 - She Loves You
    03 - You Can't Do That
    04 - Twist & Shout
    05 - Long Tall Sally
    06 - Can't Buy Me Love
    07 - I Feel Fine
    08 - Baby's In Black
    09 - She's A Woman
    10 - Ticket To Ride
    11 - Long Tall Sally
    12 - Blackpool Night Out - Intro
    13 - I Feel Fine
    14 - I'm Down
    15 - Act Naturally
    16 - Ticket To Ride
    17 - Yesterday
    18 - Help!
    19 - A Taste Of Honey
    20 - Twist And Shout
    21 - Roll Over Beethoven
    22 - I Wanna Be Your Man
    23 - Long Tall Sally
    24 - Medley Of Hits
    25 - Can't Buy Me Love
    26 - Shout


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    DEPOIMENTOS:

    1. Um conhecido, fã de blues, disse que quem não gosta dos Beatles é doente. Muito radical(rs), ele não deveria dizer isso. Digo que quem não gosta dos Beatles, não é gente boa(rs). Tenho muita reserva, fico velhaco, bem atento mesmo , para a pessoa que diz não gostar dos Beatles(rs).
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    2. Recentemente postei no blog do Véio Dead, um comentário onde eu afirmava que os Beatles sempre estiveram anos luzes à frente dos Fucking Stones......Os Fucking Stones na essência de sua obra sempre fizeram rhythm and blues........... Quando fizeram algo diferente nos anos 60, imitaram a obra máxima dos Beatles com Their Satanic Majesty Request.......

      Por outro lado, o trabalho mais aclamado dos Fucking Stones é Exile On Main Street, que nada mais é do que um álbum de rhythm and blues ( muito bem elaborado diga-se de passagem)

      Revolver dos Beatles marca o início da era de ouro do rock, ....E se me permite discordar de você Mano Veio, não sei podemos afirmar que Revolver seja simplesmente um álbum psicodélico, pois são muitas as variantes que ele abrange...A própria faixa de abertura, é um rock cru, com um riff contagiante, que não tem nada a ver psiocodelismo....

      De fato, em algumas faixas, podemos ver nítida influencia do movimento, She Said, She Said e a fantástica Tomorrows Never Knows, mas quem fazia música naquela época com cítara indiana??? ...

      Quer dizer, Revolver foi muito mais que um disco concebido dentro de um movimento....O Movimento estava contido nele como parte de um todo muito maior que o próprio movimento -perdão pelo jogo de palavras -
      Os Beatles tinham como mérito maior a química e a criatividade.......

      Não tinham o melhor baterista, de longe o melhor baixista, e muito menos um front man.....Mas tinham inteligência, e muita criatividade.........Funcionaram à margem do perfeccionismo, e o conjunto de sua obra serviu para influenciar tudo o que viria a eclodir na década de 70.

      Tanto é verdade, que em carreira solo, eles foram tragados pelas bandas que eles mesmos influenciaram nos anos 60.

      Meu caro Lorde, quem não reconhecer nos Beatles uma banda ímpar e que praticamente transformou o rock em música para ouvir e não apenas para dançar, não tem propriedade para discutir absolutamente nada não de rock, mas de música como um todo.

      Na minha modesta opinião, eles pararam na hora que tinham que parar........Se quisessem poderiam ter escolhido o gênero que quisessem na década de 70, que dentro dele teriam sido os melhores....

      A todos Capitães e Navegantes

      ABRAÇO..........FORÇA.........SUCESSO!
      The Ancient
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    3. Roderick,

      Meu velho,

      Quem não gosta de Beatles, "Bom sujeito não é....., é ruim da cabeça ou doente do Pé...."........

      Eu também desconfio de quem diz que não gosta dos Beatles, principalmente se tiver entre 50 ou 60 anos....

      Abraços,

      Gustavo


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    4. Carlão,

      Vamos lá..., "Revolver" com certeza não é um álbum 100% psicodélico, mas foi a primeira experiência que estavam fazendo neste sentido, o que permitiu irem a fundo nos demais, que por sinal, o que para a época foi uma loucura generalizada....

      Eu concordo que eles acabaram no momento certo e que cada um, seguindo seus próprios caminhos, fizeram uma "Revolution" no mundo da música e os que ainda estão vivos e na ativa, principalmente Paul MacCartney, continuam a encantar as gerações do passado, bem como as do presente......

      Comparar Beatles e Stones para mim, é uma coisa fora de questão, independente de todas as polemicas e fofocas que possam ter ocorrido, pois não são comparáveis, apenas são de uma mesma época e nada mais....

      Cada banda seguiu um caminho bem distinto e tem seu público cativo até hoje e para ser bem honesto, em meu conceito, nada se compara ao trabalho dos Beatles....., não há similar, nem de longe.....

      E ainda tem aqueles cretinos do "Oasis", os irmão Galagher, que se acham tão bons ou populares como os Beatles, fazendo um Popzinho bem fuleiro, ao estilo das rádios FMs, bem parecido com o que o "Lulu Santos", fazia nos anos no anos 80 e 90...... só rindo mesmo.....

      Abraços,

      Gustavo


      1. Sabe Mano Véio.........às vezes eu escrevo umas coisas, e depois fico pensando, acho que vou tomar porrada de montão!!!! Quando eu fiz esse comentário no blog do Véio Vead, eu tive essa sensação....Mas pra minha surpresa, não houve nenhuma manifestação!!!

        E mais uma vez fiquei surpreso....Porque parece-me que existe alguns tabus no rock que ninguém se atreve a falar, e os Fucking Stones, é um deles...Eu (conforme disse no blog do Véio Dead) até hoje não sei se gosto dos Fucking Stones...Tem uma música boa aqui...outra ali....um álbum lá...outro acolá....

        Mas nada que outros contemporâneos da década de 60 não tenham também feito... Na minha opinião, existe mais folclore e bandalheira do que originalidade....

        Os Beatles é diferente...Creio que já devo ter mencionado no seu blog ( minha cuca já não está lá estas coisas ) Mas na faculdade, cheguei a fazer uma apresentação dos Beatles como empresa...E se você analisar os Beatles sobre todos os pontos de vista de uma empresa moderna, até nisso eles foram pioneiros...

        O Oasis é fruto da crítica medíocre que existe hoje e sempre existiu...na década de 70 eles desciam o porrete em bandas tidas hoje como consagradas no Hall da Fama...

        Na verdade eu acho que só deveria entrar para o Hall da Fama bandas fundadas até 1979.........Hoje em dia, qualquer banda é tida como melhor, ou aquelas baboseiras todas...

        Honestamente........já se passaram mais de 30 anos do lançamento de Drama do Yes, e pouquíssima coisa apareceu onde podemos catalogar como produto de qualidade....

        São tantas porcarias lançadas, que quando surge algo que vale a pena ( de novo cito Marbles ) acaba sendo tragado pelo mar de mediocridade que abunda este mundo afora.......

        Caras que reclamam de blogs porque demoram pra fazer download, são o retrato fiel do nível de cultura e ouvintes que temos hoje em dia....

        ABRAÇO...FORÇA....SUCESSO

        The Ancient
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      2. Carlão,

        Aqui você sabe que a "tribuna" é livre, portanto, as opiniões são respeitadas, pois afinal de contas, cada um sente a manifestação artística musical de uma forma bem particular......

        Tem gente que adora os Stones....

        Para falar a verdade, dos "Stones", eu só gosto de uma música, "Sympathy For The Devil" que está no álbum, "Rock and Roll Circus", que é diferenciado e conta com a presença do Jethro Tull, John Lennon e outros.....

        Como eu não gosto, meu interesse em falar algo sobre a banda é próximo de zero e como você bem disse, outros grupos fizeram um trabalho igual ou melhor que eles na mesma época, talvez faltando um pouco mais de divulgação.....

        Ainda vou escutar com carinho o "Marbles" para ver se consigo escrever algo.....

        Abraços,

        Gustavo


        1. Parabéns pelo blog e todos os comentários... simplesmente sensacionais. Mas gostaria de dizer que o link está quebrado, ok? Ficarei esperando por um novo link, certo? Mais uma vez parabéns!!!
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          Respostas
          1. Caro,

            Wolverine,

            Seja mais um a frequentar aqui este boteco, pois será um prazo ter a sua presença aqui conosco...

            Grato pelas palvras.....

            Aqui está o novo link: http://www.sendspace.com/file/q8umip

            Já corrigido na resenha.....

            Volte sempre!!!

            Abraços,

            Gustavo


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