24 de jan de 2013

MARILLION - "So Here We Are Once More" - 1983

A segunda geração do rock progressivo surgiu na década de oitenta e provavelmente seu surgimento tenha sido o responsável para que bandas da primeira geração tenham permanecido com certa dignidade no caos formado pelo nascimento do movimento Punk no final dos anos setenta na Inglaterra. 

Sem dúvidas essa segunda geração fez eclodir nomes como Pendragon, Marillion, Pallas, IQ, Glass Hammer e algumas outras que souberam driblar a nova ordem musical que tinha como objetivo ser “insubordinada”, “rebelde” e “contra tudo”, portanto, mais fácil de ser digerida e também esquecida, pois seu conteúdo básico flertava muito próximo com o “nada absoluto”, mas as bandas setentistas, principalmente as representantes rock progressivo por alguma razão, sofreram muito com este novo direcionamento musical e fatalmente entraram em crise. 

De um momento para o outro, a orientação era para simplificar tudo, então, letra e música sofisticada nem pensar e neste ponto talvez, depois anos a fio, elaborando intrincados enredos e arranjos viajantes, ficava muito difícil dar forma e alma a uma música que nada iria dizer, que não empolgaria e muito menos encantaria a quem estava habituado com muita pompa e circunstância. 

Isso atingiu a todos sem exceção, foi um holocausto musical e se olharmos para trás e analisarmos o que foi feito na década de oitenta por bandas como o Yes, Genesis, ELP, Camel, Focus, Jethro Tull, PFM, Pink Floyd e tantas outras bandas de mesmo porte, o cenário é muito triste e desolador. 

Na década de oitenta, o Yes produziu os álbuns, “Drama” que é até um bom trabalho, mas fica há anos luz dos álbuns anteriores; o "90125", feito especialmente para atender às rádios FM’s; o “Big Generator” muito fraco por natureza e o ABWH, que deu uma luz no final do túnel para a banda. 

Com o Genesis, o negócio foi ainda mais feio, pois sem Peter Gabriel que parece que estava adivinhando o que ia acontecer com banda, tomou outro rumo e saiu fora, o mesmo aconteceu com Steve Hackett que uns dois anos após, pegou suas guitarras e também se mandou, portanto o Genesis adentrou nos anos oitenta, desfalcado de suas melhores cabeças pensantes e o resultado, foram os álbuns, “Duke”, “Abacab”, “Genesis” e “Invisible Touch”, em meu conceito todos muito fracos. 

Eu poderia continuar com essa linha de raciocínio e incluir mais bandas, mas acho que ficaria muito longo e chato, pois essa conversa toda foi apenas para introduzir o álbum, “So Here We Are Once More” que uma apresentação da integra de “Script For a Jester's Tear”, lançado em 1983, do Marillion, com seus B’sides inclusos e com a música “Assassing” que seria lançada apenas no álbum “Fugazi” em 1984. 


Essa embromação toda foi apenas para pontuar a coragem do Marillion em lançar um álbum altamente conceitual, rico musicalmente e nada comercial, contrariando os interesses comerciais de gravadoras, rádios e de até um grande público acéfalo que com certeza não entendeu nada deste álbum, mas por outro lado, foi a redenção para outro grande público, ávido por música com um mínimo de qualidade e que foi surpreendido na época de seu lançamento por um trabalho de altíssimo nível e que hoje sem dúvidas tornou-se um clássico. 

É comum escutar ou ler que o Marillion e que principalmente Fish, imitam o trabalho do Genesis e de Peter Gabriel respectivamente, mas que seja, pois pelo menos eles dão prova de que tem bom gosto e inteligência em ter escolhido o Genesis como uma fonte de inspiração, mas na realidade, fora o fato de Fish gostar de se maquiar e teatralizar sua voz nas músicas, assim como Peter Gabriel o fez em sua época, o Marillion como um todo tem muita personalidade e identidade própria. 

Analisando músicas épicas como as suítes, “Grendel” ou “Forgotten Sons”, não há nada do Genesis nelas, mas todo o conceito e essência do rock progressivo dos anos setenta nela estão contidos, de uma forma mais moderna e que não agrediu aos velhos e também aos novos ouvidos que possuem uma quantidade mínima de neurônios. 

As músicas, “He Knows You Know”; “Garden Party”; “The Web” e “Charting The Single" que são mais simples, carregam em seu DNA toda uma linhagem e linguagem tipicamente progressivas em poucos minutos de duração que facilmente são compreendidas por quem tem familiaridade com este tipo de música. 

Quando chega a vez de “Script For a Jester's Tear”, lá encontramos o “Teatro Genesiano" em sua essência, com todo o seu lirismo e poesia, personificados na potente e bela voz de Fish, que com seu talento nos faz mais próximo de tudo aquilo que amamos. 

O Marillion tem como seu maior patrimônio, seus músicos, pois todos sem exceção são exímios instrumentistas que nos brindaram com álbuns antológicos dentro da era Fish, que prematuramente abandonou o grupo e saiu em carreira solo. 

Relativo a este bootleg que está com o áudio perfeito, uma vez que foi extraído diretamente da mesa de gravação de uma rádio FM , eu apenas estranhei que Mick Pointer que aparece nos créditos de “Script For a Jester's Tear”, não apareceu nos créditos deste trabalho como o baterista e em seu lugar entraram John Martyr na bateria e Andy Ward (Camel) na percussão. 

Esse registro um tanto longo que fiz, foi para pontuar que talvez tenha faltado oportunidade ou mesmo coragem aos nossos “heróis” do passado, em continuar a produzir o que realmente sabiam fazer, ou seja, música com qualidade, conteúdo, determinação, teatro e garra, que foram materializados em álbuns como, “Close To The Edge”, “Mirage”, “Thick As Brick”, “Foxtrot”, “Moving Waves”; “Trilogy”; “Historia Di Un Minuto”, “Atom Heart of Mother” e tantos, mas tantos outros álbuns, que seria impossível de escrever aqui, mas que a história da música fez o favor de registrar. 

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Marillion:
Fish;
Mark Kelly;
Steve Rothery;
Pete Trewavas;
John Martyr;
Andy Ward;

Tracks:
01. Radio Announcement #1 0:26
02. Grendel 17:27
03. Radio Announcement #2 0:13
04. Garden Party Intro 0:29
05. Garden Party 6:49
06. Script For A Jester's Tear 8:55
07. Assassing Intro 0:30
08. Assassing 7:28
09. Charting The Single 5:14
10. Forgotten Sons Intro 0:40
11. Forgotten Sons 10:33
12. Market Square Heros 4:19
13. Margaret (incl. Jean Genie & The Web 6:35
14. He Knows You Know 5:36

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DEPOIMENTOS:

  1. Camaradas, eu gosto muito do Marillion e essa banda ocupa um lugar em minha memória afetiva, desde a época de lançamento do lagaza ladra. A música deles me marcou muito e foi fundamental para que eu me apaixona-se por rock elaborado cada vez mais. Soube no início dos anos 90 que o Fish havia caído fora e que um novo vocalista de nome Steve Hogan havia entrado na banda. Comprei uma coletânea do Marilion que tinha um X na capa e foi só o que tive de material com o na época, novo vocalista.

    Achei muito pop o som mas tinha uma música aqui e outra ali que "passavam" e tinham ainda algum valor. Mas apesar de ouvir muitos internautas dizerem que a fase com Steve Hogan é boa também, nunca tive tanto amor a banda assim que me fizesse escutar todo esse material com esse cara cantando.

    Em 1997 fui num show do Mariliion em BH e foi um puta show para mim por terem tocado vários clássicos do Marilion era Fish. Mas atualmente os caras praticamente limaram quase que completamente do repertório as músicas com o Fish... Aí não animei em ir nessa última apresentação.

    O que vocês pensam sobre o Marillion pós Fish?

    Abraços

    Luciano
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  2. Prezados Capitães e Navegantes

    Mano Véio....você na verdade não fez uma resenha sobre o Marillion, mas sobre um cenário pós anos 70 com o rock Progressivo.

    De todas as bandas que você citou, somente o Marillion conseguiu a expressão mundial equivalente às grandes bandas dos anos 70, as demais, infelizmente sofreram da "Síndrome de Eloy", boas demais, mas pouca mídia e divulgação.

    O Marillion da era Fisch pode ser perfeitamente identificado, como uma versão Genesis de Peter Gabriel dos anos 80. Se o Genesis de Peter Gabriel tivesse formado não no início dos anos 70, mas no início dos 80, seria exatamente igual ao som do Marillion de Fisch.

    Os teclados de Mark Kelly tem nítida influência de Rick Wakeman, a Guitarra de Steve Rothery tem uma marca pessoal que é só dele, colocando-o como um dos mais versáteis e ecléticos guitarristas de rock Progressivo.

    Não vejo Fisch como um clone ou imitador de de Peter Gabriel, mas um cantor, compositor, com criatividade e talento ao nível de Peter Gabriel.

    A obra do Marillion da era Fisch é imaculada....Era exatamente aquilo que nós fãs do rock progressivo estávamos desesperadamente procurando nos apáticos anos 80.

    O que aconteceu com o Marillion após a saída de Fisch, foi um efeito semelhante ao que aconteceu com o Genesis da fase Phil Collins....

    Uma mudança gradativa e radical não apenas no som, mas nas características da banda. Isso de certa forma causou na maioria dos fãs, um certo desconforto, pois em um curto prazo de tempo, os grandes clássicos da era Fisch, foram sepultados.

    Dessa forma, podemos definir que existiram dois Marillions...O Clássico de Fisch, e o Melódico de Steve Hogarth, que como bem colocado pelo Luciano, tem momentos muito bons, mas entre outros oscilam.....

    Oscilam não porque são ruins, mas porque nós fans exigentes e por muitas vezes chatos ( e eu me incluo nesta categoria) não temos mais a parecência ou a boa vontade para ouvir na íntegra um álbum como Brave ou Marillion.com........ Melhor usar este tempo para ouvir os trabalhos da era Fisch.

    PORÉM!!!!!!!!! Tenho a obrigação de registrar mais uma vez neste blog que o Álbum Marbles e sua versão ao vivo Marbles Live estão à altura das obras da era Fisch...

    Parece-me que baixou alguma coisa na banda quando fizeram essa obra que os motivaram ou inspiraram a resgatar neste trabalho, de forma magistral alguma coisa que havia se perdido em 20 anos.....Talvez o fato deste CD ter sido financiado pelos próprios fãs tenha contribuído para isso...

    Obra esta que está sim à altura do blog do Mano Véio, e dos exigentes ouvidos de todos os Capitães e Navegantes que circulam por essas ondas.

    Isto posto....Parabéns pela resenha Mano Véio....Pois como não poderia ser diferente, elas sempre extrapolam a esfera musical...e essa talvez seja a maior contribuição desse Buteco!!!!!

    A todos....do fundo do Meu coração

    ABRAÇO.....FORÇA....SUCESSO!

    The Ancient
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    1. Minha saga com o Marillion, é ambígua, bem contraditória.
      Comprei o primeiro álbum deles, logo quando lançado no Brasil. Cheguei até a falar com o vendedor: poxa, em pleno anos 80, uma banda grava um disco com apenas 6 faixas. E eu não sou um purista progressivo. Aliás, nunca fui purista, de forma alguma,detesto isso!

      Gostei bem mais ainda do segundo LP...

      Já o terceiro, achei que deixava a desejar.

      E comecei a sentir uma certa antipatia pelo Fish, achando que ele não passava de um imitador do Peter Gabriel, bem forçado. Achei engraçadíssimo, quando um crítico da revista Bizz, disse ao comentar sobre um dvd da banda, que o cantor do Marillion, cantava como se fosse um Peter Gabriel chorão rs. Concordei, lógico. rs

      E , um dia, quando eu estava numa loja, a qual fazia minhas compras e trocas, o segundo álbum do Marillion começou a ser executado, a pedido de um cliente. Ao voltar a ouvir aquela introdução, com uma guitarra, creio que sintetizada, uma percussão , tipo tabla, e o vocal do Fish, tive uma recaída(rs). Voltei a gostar do Marillion.

      Pra mim, a obra prima do grupo é o segundo disco, "Fugazzi". E esse álbum é o único, no meu modo de pensar, em que o Marillion, foi, de fato, uma banda, porque nos outros, foram uma Fish Band. No "Fugazzi", cada instrumentista deu tudo de si, o que não escutávamos em outros álbuns com a presença do Fish. Genesis, na minha opinião, nunca foi uma banda do Peter Gabriel, como muitos dizem, mas o Marillion, foi, realmente, a banda do Fish.

      E eu passei a gostar dele, do Fish, tenho até seus dois primeiros LPs solos. Ele foi um Peter gabriel chorão(rs), mas muito simpático. Tenho um vinil, coletêna, no qual, numa faixa ao vivo, ele apresenta um a um dos integrantes do Marillion, e esbanja uma simpatia impressionante!

      Agora, o Marillion não chega nem aos pés do grande Genesis. Seus instrumentistas são bem comuns. Até mesmo Ian Mosley, um baterista que fez furor em outras bandas, se tornou um músico comum no Marillion.

      Quanto a Steve Hogart, ele não tem voz de Peter Gabriel, tem uma voz própria. E "Seasonn' End", é meu segundo disco preferido o Marillion. "Univinted Guest" me arrepia, tanto a melodia, como a letra, e o vídeo também, numa grande interpretação de Hogart.

      Gosto também do segundo disco com Hogart. Mas depois não acompanhei mais a carreira do grupo.
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    2. Meus amigos,

      Com atraso de algumas semanas, vamos tentar dar prosseguimento às nossas conversas:

      Luciano,

      Eu tenho diversos álbuns do Marillion da era “Hogart”, mas confesso que não gosto muito.....
      Eu conto nos dedos de uma das mãos, as músicas que ainda consigo escutar........
      Em relação aos álbuns mais recentes eu nem faço idéia.....

      O problema não é Hogart, que tem muito talento para a música pop, mas o que acontece é que o próprio Marillion, mudou seu rumo para fugir do pop de “Fish” e acabou por fazer o pop de Hogart, o que para mim não teve muito sentido........

      Carlão:

      Eu tenho procurado escrever textos bem curtos, que na maioria das vezes não tem como objetivo o álbum postado, mas serve de pretexto e com a pretensão de dirigir o assunto para uma seara mais abrangente e menos focada em um álbum ou um artista.....

      O Marillion da era Fish, possui um acervo de músicas invejável e comparável ao que foi produzido por outras bandas da década de setenta, não só pela qualidade das composições, mas também pelo talento dos músicos.......

      Você por diversas vezes já citou o ábum “Marbles” como sendo uma boa peça, mas ainda não tive coragem de escutá-lo com boa vontade e ainda têm um “Open Your Eyes” do Yes na frente...........

      Grato pelas palavras, meu irmão.....

      Roderick:

      Que há muita semelhança no estilo de cantar entre Peter Gabriel e Fish, isto é inegável, mas com certeza, Fish têm muita personalidade e talento suficiente para se manter......

      Quando Fish saiu do Marillion, a banda não perdeu apenas um excelente vocal, mas perdeu uma imensa legião de fãs que eram adoradores da voz e das performances de Fish no palco.....

      Hogart tem qualidades sim, mas que ainda não me tocaram a ponto de me conquistar...... pode ser uma questão de tempo, tendo em vista que eu só passei a curtir o Led Zeppelin depois dos quarenta......

      Um grande abraços a todos,

      Gustavo
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      1. Porra.............Até que enfim!!!!!!! eu já tava no maior tédio.......Cê chega no buteco, pede uma, pede duas e cadê os caras??????

        Mano Véio........É exatamente o que eu disse...O Hogarth é legal, tem bom vocal, é afinado, mas a formação do Marillion com ele sofre desse mal que você e eu citamos...Falta boa vontade para ouvir....Mas realmente, eu me rendi ao CD Marbles...Principalmente a versão ao vivo....

        Quanto ao Open Your Eyes, eu realmente estou curioso para ler sua resenha....Você tem um CD do Yes que está no lacre...Hahahahahahaha....

        Cê falou um troço interessante Mano Véio....eu descobri os Ramones depois dos 40....

        Abraço a todos

        The Ancient
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      2. Carlão,

        Eu faço um puta esforço para gostar da banda com o S. Hogart, mas confesso que é difícil....

        E não é por falta de esforço, pois eu tenho pelo menos uns oito álbuns desta segunda fase do Marillion, mas nem assim eu me animo em perder tempo em escutá-los.....

        Acho que no final de semana eu turo o lacre do cd e escuto este álbum (Open Your Eyes) que já ta virando um dramalhão mexicano... hahaha

        Pois é bicho, o Led Zeppelin é tardio para mim e eu carrego todos os álbuns no telefone e escuto quase diariamente....

        Recentemente eu adquiri o blu-ray deles, "Celebration Day" que é de 2007 e mesmo com toda a idade que eles estavam, ainda tocam demais e deixam a platéia em êxtase.... o show é muito bonito e o filho de J. Bonham, o Jason, não nega a filiação e deu um show na bateria.... esse show vale muito a pena ser visto.....

        Abração,

        Gustavo

16 de jan de 2013

ELOY - "Ludwigshafen" 1978

Se há uma banda que eu gosto de reservar um espaço especial aqui no blog, esta certamente é o Eloy, pois a considero de primeiríssima linha, mesmo que não tenha conseguido os mesmo níveis de popularidade que um Genesis, Yes, Pink Floyd e tantas outras da mesma geração conseguiram. 

Em geral é muito complicado encontrar algum material disponível de shows do Eloy, fora da linha de catálogo que a rigor só tem um, portanto quando surge algo, é uma obrigação dividir com todos e para tanto, apresento o bootleg, “Ludwigshafen”, datado de 1978 na Alemanha, porém com a data real de origem desconhecida.

A banda se apresentou com a sua melhor formação em meu conceito, tendo como elenco Frank Bornemann nas guitarras e vocais, Klaus-Peter Matziol no baixo, Detlev Schmidtchen nos teclados e Jürgen Rosenthal na bateria. 

Tratando-se do Eloy, falar de formação é algo complexo, pois em sua história, as entradas e saídas de músicos foram muitas, mas em geral a banda sob o comando de Frank Bornemann conseguiu manter uma uniformidade em seus álbuns, até certo ponto surpreendente e para mim, a que consta deste álbum é a mais criativa, pois com esta  união, foram criados os álbuns mais significativos da discografia da banda como, “Down”; “Oceans”, “Live”, “Silent Cries and Might Echoes” e o “Colours”, no período de 1976 até 1980. 

Esta apresentação com exceção das músicas, "The Dance in Doubt and Fear" e "Lost!? (Introduction)" é a integra do álbum, “Down” de 1975, que junto aos álbuns, “Power and the Passion” de 1975 e “Oceans” de 1977, formam a “Santíssima Trindade” da discografia do Eloy, pois considero estes álbuns perfeitos, sob o ponto de vista estético da ótica progressiva. 


Pode até parecer para alguns, uma blasfêmia ou sacrilégio o que vou dizer a seguir (e acho que não é a primeira vez que eu afirmo isto), mas eu sem medo, digo que para mim, o Eloy é como um “Pink Floyd Alemão” sem a fase psicodélica, sob a regência de Frank Bornemann, que é gênio por excelência quando está compondo suas peças, canta razoavelmente bem em inglês com sotaque alemão, o que dá um diferencial as suas vocalizações e ainda por cima empunha sua guitarra com muita destreza e personalidade. 

Ele consegue um resultado musical muito semelhante ao Pink Floyd, pois consegue gerar um cenário espacial muito envolvente e cativante, encontrado em álbuns como ”Meddle”; “Atom Heart of Mother”, “The Dark Side of the Moon” e até mesmo, “Wish You Were Here” que são álbuns altamente viajantes. 

Com toda esta dedicação à música, foram produzidos dezessete álbuns de estúdio, três coletâneas e um álbum gravado ao vivo oficial, fora os raros bootlegs que vez por outra aparecem na Net, criados ao longo de quatro décadas de muita doação de talento, inspiração e amor à música. 

Como fã de carteirinha que sou da banda e principalmente de Frank Bornemann, não resta alternativa, senão recomendar muito este bootleg, que como todos os outros já apresentados aqui no blog, é parte constante da história da música e diretamente do rock progressivo.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Eloy:
Frank Bornemann - Guitars, Vocals
Klaus-Peter Matziol - Bass Guitar
Detlev Schmidtchen - Keyboards
Jürgen Rosenthal - Drums

Tracks:
01. Awakening
02. Between the Times
  a. Between the Times
  b. Memory Flash
  c. Appearance of the Voice
  d. Return of the Voice
03. The Sun Song
04. Lost?? ( The Decision)
05. The Midnight Fight / The Victory of Mental Force
06. Gliding Into Light and Knowledge
07. Le Réveil du Soleil / The Dawn


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DEPOIMENTOS:

O mais gratificante aqui no blog, é poder contar com pessoas que graciosamente disponibilizam seus conhecimentos e experiências, portanto, estar inserindo estes cometários diretamente na resenha é uma obrigação e especificamente nesta resenha, nós temos uma pós-graduação em "Eloy", ministrada por Roderick Verden (Imperdível) e em seguida uma esclarecedora visão geral do rock progressivo feita por Carlos "The Ancient" envolvendo o Pink Floyd



Amigo boa banda, parte importante do Alemão progressiva, o meu favorito é Floating e The Ocean

Atenciosamente
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  1. Eu na verdade sou suspeito para falar de qualquer álbum do Eloy, pois eu gosto de todos.....

    Valeu por sua presença aqui no blog....

    Abraços,

    Gustavo
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  2. Amigo gustavo, lamentavelmente o link não está funcionando mais. Parabéns pelo texto bem elaborado, eu tenho curiosidade de conhecer os demais trabalhos do Eloy, eu possuo em mp3 os dois primeiros e o "Planets" que tive o prazer de compra-lo logo quando saiu em vinil no Brasil no periodo em que o album era lançamento.
    Parabéns pelo Blog. Grande Abraço!!!
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  3. Ricardo,

    Já estou providenciando um novo link.... aguarde!!!

    Obrigado pelas palavras....

    Volte sempre!!!

    Abraços,

    Gustavo

    1. Oi Gustavo. Coincidentemente, adquiri três cds do Eloy, nesta semana: "Floating", "Colours" e "Dawn". Tenho-os, em mp3, mas, um deles adquiri em troca, os outros dois comprei, mesmo estando muito sem dinheiro.rs

      No meu conceito, o Eloy não teve uma mulher formação.

      O primeiro álbum destoa dos outros, já que é hard rock , os teclados são ouvidos apenas ocasionalmente e o Frank Bornemman não canta. Na verdade, neste disco, Bornemann não se destaca muito. Contudo, é um ótimo disco.

      No "Inside", Fritz Randow entra tocando bateria. Manfred Wickezorke, que no primeiro disco era guitarrista(junto com Bornemann), toca orgão e guitarra. Tocando apenas orgão hammond, Wickezorke dá um verdadeiro show com o seu instrumento. E ele faz a mesma coisa no "Floating".

      No "Power and Passion", Wickezorke, abandona de vez a guitarra e passa a tocar outros tipos de teclados, além do seu orgão: sintetizador, mellotron, piano...

      Infelizmente, Wickezorke não está presente no disco seguinte, "Dawn". Eu disse "infelizmente", mas felizmente ele foi muito bem substituído , por Detlev Schmidtchen, que também tocou guitarra, no disco em questão. E foi neste álbum, a estréia do ótimo baixista,
      Klaus-Peter Matziol . Infelizmente, Fritz Randow não participou do "Dawn", mas para a alegria dos fãs, entrou no seu lugar, "Jurgen Rosenthal", que era um ótimo letrista e fazia narração.

      No "Ocean", com a mesma formação do Dawn", as guitarras ficam por conta só de Bornemann.

      No "Silente Cries..." continua a mesma formação.

      No "Colours", Rosentall sai, dando lugar para o batera Jim Macgillivray, que também ajudava nas letras das melodias.
      Detlev Schmidtchen parte, e o álbum marca a estréia de mais dois integrantes, os xarás Hannes, Folberth nos teclados e Arkona nas guitarras.

      No próximo disco, "Planets", Arkona, além de tocar guitarra, toca teclados também, com isso, para nosso deleite, os sintetizadores comandam as viagens sonoras do Eloy.

      Em "Time to Turn", Fritz Randow volta a ficar por conta das baquetas. E esse excelente formação, Frank Bornemann, Klaus Peter-Matziol, Hannes Arkona, Hannes Folberth e Fritz Randow, prossegue junta até o disco de 1984, "Metromania".

      E foi depois do Metromania", que o Eloy se acabou, como um conjunto. Os tempos eram outros. O próximo disco, "Ra", foi lançado 3 anos depois...Oficialmente, o Eloy se tornou uma dupla: Frank Bornemann e o tecladista Michael(não me lembro seu sobrenome). Esse continuou a acompanhar Bornemann, nos discos posteriores. E, posteriormente, o baixista Klaus Peter voltou...

      Os discos lançados depois do "Metromania" são bons, mas não tanto como os outros...

      Concordo que o Eloy é uma espécie de Pink Floyd alemão. Taí o "Wish You Were here", que não nos deixa mentir(rs).

      Pouquíssimos grupos foram como o Eloy. Enquanto, a maioria(e põe maioria nisso, dos grupos progressivos, criaram músicas mais descartáveis, curtas, como surgimento do punk e da new wave, o Eloy continuou fazendo seu som bem trabalhado e viajante, até o ano de 1984. O trabalho de teclados da banda é, simplesmente, maravilhoso; pouquíssimos grupos fizeram o uso das teclas com tanta eficiência assim. Boas tramas de guitarras, belo som do baixo e ótimo vocal de Bornemann, que é muito criticado, para meu espanto. Sua voz casa bem com a sonoridade viajante do Eloy.
      As histórias dos discos são cativantes, místicas, nos emocionam, quase todas ideias de Bornemann, que tinha dificuldades de escrever letras sozinho, assim como as melodias, mas era um homem de ideia, um sonhador!
      E as capas dos álbuns? Sublimes!!!

      1. Eu já disse uma vez aqui que o Pink Floyd não é (ja foi) uma das minhas grandes paixões do rock progressivo assim como o King Crimson. Mas estou sempre procurando descobrir velhas bandas de progressivo conhecidas ou pouco conhecidas. Vou seguir as dicas de vocês esquecer que o Eloy se parece com o Floyd, e vou experimentar a banda.

        Meu leque de bandas prog de meu acervo não é grande e se resume em: Yes, Genesis, Steve Hackett, Gentle Giant, Jethro Tull, Focus, ELP, Triumvirat, PFM, Banco Del Mutuo Soccorso, Le Orme (não me impressionou muito essa) Camel, Kansas, Pink Floyd (tenho o wish you were here), King Crimson (tenho os 2 primeiros apesar de não ligar muito pra banda), Nektar, Marillion, O Terço. Estou sempre buscando aumentar esse acervo do estilo mais apaixonante do rock sem dúvidas - o rock progressivo.


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      2. Já experimentei alguns discos e algumas músicas do Gryfon, Can, Khan, Gong, mas tenho que reouvir discos dessas bandas. Esqueci do Colosseum e Colosseum 2 que gosto muito também.

        Abraço a todos.

        Luciano
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      3. Não conhecia essa banda, mas gostei muito do som.
        Parabéns pelo material.


        1. Vamos por as cartas na mesa........................

          E colocar algumas verdades que precisam ser ditas.........o Roderick - O Lorde - a um tempo atrás fez um comentário a respeito do Pink Floyd mais do que verdadeiro.....corajoso e lúcido....O Pink Floyd que cultuamos é o Pink Floyd de Roger Waters, que basicamente criou as seguintes Obras Primas..Atom Heart Mother...Echoes.....DSOTM....Wish You Here....The Wall....ponto!!!!!!!!!!!!

          Nem as loucuras psicodélicas de Sid Barret e nem Show Busines de Gilmour pode ser considerado Pink Floyd.....

          Estou dizendo isso, porque o Eloy tem uma obra que está sim à altura dos grandes trabalhos do Pink Floyd, e maior do que os More, Animals e Finals da vida.....

          Já disse neste blog em outras oportunidades, que End Of Odissey, entra na na minha concepção na lista de das 10 maiores canções de rock Progressivo.

          A obra do Eloy ( tão magistralmente dissecada pelo Roderick - O Lorde - ) tem muito mais consistência e coerência do que a obra do Pink Floyd - É obvio que não tem nenhum DSOTM....Mas também não tem nenhum Ummagumma...

          O rock progressivo é um estilo de música inteligente, com o mais alto nível de criatividade....para um público cada vez mais seleto e exigente....Penso apenas que o grande problema das bandas de hoje não está nem na construção sonora, mas nos nomes... Mostley Autumn, Blue Mammuth, ANKH, Porcupine Tree, Samurai of Prog....

          Esses nomes são muito pra cabeça....Yes, Camel, Genesis, Eloy, Kansas......Nada como simplificar as coisas....Se o Yes tivesse um nome tão complicado quanto as músicas que fazia, duvido que teria feito o mesmo sucesso...

          Só pra finalizar o que estou dizendo.... Será que John and the Moondogs, faria o mesmo sucesso que The Beatles????

          Agora Mano Véio.....Que alegria, que satisfação ver tantos novos companheiros neste buteco mais simpático da Net!!!!!!!!!!!.....

          P.S. Não esqueça de tirar do plástico Open Your Eyes!!!!

          PARA TODOS OS NOVOS COMPANHEIROS DE BEBIDA....

          ABRAÇO....FORÇA.....SUCESSO!!!!

          The Ancient
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        2. Oi Carlos, muito interessante seu comentário, principalmente quando falou dos nomes complicados das bandas atuais do rock progressivo(e das mencionandas, só conheço Porcupine Tree-rs). Mas vc tem que lembrar que o rock progressivo , é tido como pomposo, então...rs

          Contudo, creio que vc não me entendeu. Talvez até eu não tenha sido claro, mesmo escrevendo muito, é provável que não tenha me expressado direito.

          Concordo que a obra do Eloy tem muito mais consistência e coerência que a do Pink Floyd; costumo até falar que o Eloy foi o que o Floyd deveria ser depois do "Wish You Were Here", mas não foi. E pra infelicidade, de nós, fãs do grupo, a banda(Floyd) passou a gravar de dois em dois anos, sendo que o "The Final Cut", foi gravado 3 anos após o "The Wall", enquanto o Eloy gravou anualmente , até o "Metromania".

          O que não concordo contigo, e, claro, é uma questão de ponto de vista, é sobre vc ter dito de eu apreciar mais o Pink Floyd , do Roger Waters...

          Bem, lá vem mais delongas...rs

          Recentemente, eu disse no site "Whiplash", que, na verdade, o Pink Floyd gravou apenas um disco: "The Piper At the Gates of Dawn". Se Waters, Wright e Mason fossem coerentes, corajosos e, até mesmo , honestos, ao contratarem David Gilmour, deveriam criar outra banda, pois Barrett era disparado a figura principal do Floyd, e até mesmo criou o nome do grupo. Ainda assim, penso que o Floyd do "The Piper..." era um conjunto; valendo ressaltar que Waters escreveu uma música(muito boa , por sinal) e que haviam duas faixas instrumentais, compostas por todos os integrantes, uma delas, ocupando
          pelo menos metade do lado 2. E os teclados de Wright se destacavam muito também. Mas, Barrett era o principal compositor e cantor da banda.

          Um nome(bem sem vergonha-rs) para a banda remanescente, formada por Waters, Wright, Gilmour e Mason: psychedelic space.

          E o espaço psicodélico(rs) existiu até o Animals, que mesmo só com composições de Waters e Gilmour, mostrava uma banda de rock, um quarteto. Mesmo Mason, que achei muito devagar no "Wish You Were Here", se saiu bem, no "Animals". E tal disco foi o único, do DSOTM pra cá, em que não há músicos de fora.

          "The Wall" é um disco solo do Waters, com uma boa ajuda do Gilmour.

          "The Final Cut" é um puro (e pouco inspirado) álbum solo de Waters.

          "AMLOR", solo de Gilmour.

          "The Division Bell", solo de Gilomur, com um convidado especial, que o ajudou a escrever algumas músicas , até cantando uma delas, o saudoso Richard Wright.

          Prezado, Carlos, sinceramente, sabe que eu gostava muito da inconstância dessa banda chamada Pink Floyd. Até antes do "The Dark side..." eu os achava mais ecléticos. Mas, muitos acham que eles não sabiam para onde irem...

          Segue a lista dos meus preferidos, dos 14 álbuns de estúdio da coisa chamada Pink Floyd:

          1) A Saucerful of Secrets
          2) Obscured by Clouds
          3) Atom Heart Mother
          4) Meddle
          5) Ummagumma
          6) The Wall
          7) The Dark Side of the Moon
          8) Wish you Were Here
          9) The Division Bell
          10) The Piper At The Gates of Dawn
          11) More
          12) Animals
          13) A Momentary Lapse of Reason
          14) The Final Cut

          Saudações a todos!
          Tudo de bom!
          ResponderExcluir
        3. Agora que li, "pós-graduação em Eloy"(rs). Muita gentileza sua, Gustavo! Sou é muito prolixo(rs).

          Valeu!



          1. Meu Caro Lorde!!!!

            Recentemente discutimos sobre os trabalhos do Genesis com e sem Peter Gabriel....Obra de Arte e Bons Álbuns progressivo!!!

            No caso do Floyd, eu classificaria como Obras Primas ( os álbuns que citei ) e no resto muito experimentalismo, muita esquisitice e alguns bons trabalhos.....Eu entendo que Roger Waters foi o elemento criativo e preponderante nas obras cruciais do Pink Floyd ( Rick um artesão sobre estas obras - injustiçado -); ( Mason apático, sem brilho mas competente); ( Gilmour hábil o suficiente para atender as exigências de Waters e assim como Rick dono de uma bela voz).

            Qualquer coisa fora desta química jamais poderá ser considerado Pink Floyd....

            O Eloy como conjunto da obra é simplesmente fantástico...Eu comentei neste blog certa vez, que na ocasião do primeiro Rock 'n Rio, o Eloy estava com uma sucessão de quatro obras simplesmente impecáveis ...Planets, Time to Turn , Performance e Metromania....E acabaram trazendo os chatíssimos Scorpions, Nina Hagen e o Yes de Trevor Rabin.....

            Mano Véio acha que o que faltou para o Eloy talvez tenha sido um pouco de mídia...Acho que ele tem razão, porque a obra da banda é simplesmente inigualável, e não deve nada aos grandes nomes da década de 70....

            Meu Caro Lorde....Debater com o Véio Dead é muito bom!!!! Mas filosofar sobre os estranhos caminhos do rock progressivo com você é sempre um aprendizado!!!!

            ABRAÇO.....FORÇA....SUCESSO!!!!!

            The Ancient























13 de jan de 2013

BLUE MAMMOTH - "Blue Mammoth" - 2011

É sempre muito bom descobrir novas bandas de rock progressivo em pleno século 21 e quando elas são do Brasil, melhor ainda, pois é um sinal de que nem tudo está perdido, portanto, estou tendo o privilégio de dividir com todos, a banda “Blue Mammoth”. 

Eu recebi um e-mail do Julian Quilodran, baixista da banda, compartilhando um link do Soundcloud com a íntegra do álbum e como sou extremamente curioso, logo fui escutar as músicas e a primeira impressão que tive é que não se parecia com nada que já havia escutado (Genesis, Yes, Elp, Pink Floyd e afins...), o que foi ótimo e determinante, pois logo vi que estava diante de uma banda com identidade e personalidade própria, o que é muito difícil de encontrar atualmente. 

A banda é formada por Julian Quilodram no baixo, violoncelo e flauta; André Micheli nos teclados e voz, Tiago Mayer na bateria e backing vocals e Cezar Aires na guitarra, completando o quarteto do “Blue Mammoth”, que mistura as influências do Rock Progressivo, Hard Rock e Art Rock, com o emprego de complexos arranjos sinfônicos em suas músicas, resultando em belas e raras peças musicais. 


Lendo sobre a banda em sua Homepage, http://www.bluemammothband.com, foi possível perceber que são músicos com alta qualificação musical, o que facilmente justificou a qualidade do álbum que tem o mesmo nome da banda e que começou seus trabalhos em 2009, lançando este álbum em 2011. 

Como a Homepage é bem didática mesmo estando em inglês, vale a pena dar uma chegada por lá, para conhecer um pouco mais da história da banda, de suas músicas e de seus integrantes atuais, pois notei que o guitarrista do álbum, André Lupac pelo que entendi, não faz mais parte do grupo, tendo sido substituído por Cezar Aires

Quanto ás músicas, em geral são muito envolventes e de facílima aceitação, pois reúnem as principais características que nós, jurássicos escutadores de rock progressivo gostamos de ouvir, como solos de sintetizadores e guitarras viajantes com bons vocais compassados por baixo e bateria bem presentes, para dar corpo e alma às músicas que sempre esperamos que nos levem a algum lugar fora da realidade e penetre em mundos desconhecidos. 

Diante da atual crise de mediocridade e falta de criatividade da música brasileira em todos os segmentos, poder escutar um álbum como este é o mesmo que encontrar um Oasis no deserto, pois a realidade atual é a pior possível, graças a Indústria Fonográfica que é acéfala por essência, mas que o tempo (que pode ser muito cruel com ela), vai se encarregar de enterra-la definitivamente. 

O importante é que o "Blue Mammoth" está aí, então é só dar uma conferida em seu trabalho que está disponível no Soundcloud, no Youtube e no Myspace que com certeza não haverá arrependimento e sim surpresa e admiração.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Musicians:
Julian Quilodran
André Micheli 
Tiago Mayer
Cezar Aires

8 de jan de 2013

PINK FLOYD - "Good Morning Folks" - 1970

Primeira resenha do ano tem que começar com um bom dia para quem é de bom dia, boa noite para quem é de boa noite, Saravá para quem é de Saravá, Shalom para quem é de Shalom, Aleluia para quem é de Aleluia, Amém para quem é de Amém e para todos os afins religiosos e raciais, que 2013, “o ano da mudança”, possa ser realmente fantástico para todos. 

Então, vamo que vamo, que o Pink Floyd tá vindo ai gente!!!! Calma!!! Não é uma Turnê da banda pelo Brasil. É apenas mais um magnífico bootleg, intitulado “Good Morning Folks”, para deliciar nossos jurássicos e exigentes ouvidos com músicas imortalizadas pela história do rock. 

O ano da gravação é o de 1970 (tão jurássico quanto nós, não???) e as músicas são de uma época em que a banda primava em ser o mais visceral possível, dependendo apenas dos seus notáveis cérebros musicais e de toda a emoção que era transferida para seus instrumentos musicais, deixando de lado qualquer tipo de apoio pirotécnico ou visual, pois o show eram eles próprios. 

A banda como um todo era e ainda é genial, mesmo com todos os problemas que passaram ao longo destas quatro décadas de brigas e desentendimentos e todos que por lá passaram, eram individualmente gênios, não da física ou da medicina, mas da música e das artes, pois cada um sem exceção, deu sua contribuição de forma pragmática, sem misticismos ou vaidades, apenas doando suas almas em nome da música. 


To certo que o Sid Barrett deu uma despirocada geral, mas não foi por conta do sucesso que fazia e sim por conta das drogas que consumiram e fritaram o seu cérebro que era tão genial ou mais que os demais companheiros de banda, sem dúvidas uma lástima e uma perda irreparável para o mundo da música. 

Eu não canso de repetir que fazer música na década de setenta, era uma tarefa titânica, o que não permitia dar espaço ao surgimento de aventureiros, pois no terceiro acorde, já estaria morto e enterrado, portanto, inteligência, criatividade e talento em doses cavalares, eram os ingredientes básicos para se criar e executar as músicas que como imãs, nos atraem até hoje. 

Isto tudo, sem o uso de equipamentos de ultima geração, digitais e inteligentes, que acabam por substituir a capacidade e a inteligência humana, por chips com trilhões de micro-circuitos que tudo simulam e então, com apenas um dedo e um “arpegiato” em modo “on”, temos uma orquestra inteira encantando multidões e se usarmos mais um ou dois dedos para executar um medíocre acorde, a catarse e a admiração coletiva estará completa, pois é exatamente o que faço, quando vai alguma visita em minha casa e perguntam sobre o que um simples teclado caseiro da Yamaha faz. 

O pior de tudo é que as pessoas saem com a impressão que eu sei tocar alguma coisa (só rindo), pois a tecnologia empregada em um equipamento como este é tão grande, que engana mesmo, por isso, reverenciar e comemorar a existência de um Sid Barrett (in memorian), Rick Wright (in memorian), David Gilmour, Roger Waters e o Nick Mason, antes mesmo de ser um prazer, é uma obrigação minha como consumidor e adorador da música do Pink Floyd, que em sua maior parte valeu-se de equipamentos analógicos e do talento de seus criadores. 

Comentar as músicas de “Good Morning Folks” é chover no molhado, então eu apenas farei menção às músicas, "Pink Blues" e "Biding My Time (Part II)" que se não me engano, não figuram nos álbuns de estúdio, apenas aparecendo eventualmente nos shows e logicamente a música “Atom Heart of Mother” que mesmo sem o aparato de um coro e a orquestra de metais continua me cativando a cada audição. 

ALTAMENTE RECOMENDADO !!!!

Pink Floyd:
Rick Wright 
David Gilmour,
Roger Waters
Nick Mason

Tracks:
01 - Astronomy Domine
02 - Fat Old Sun
03 - Atom Heart Mother
04 - Cymbaline
05 - Embryo
06 - Biding My Time (Part II)
07 - Pink Blues



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