17 de abr de 2012

PINK FLOYD - "Live In Montreux" - 1971

Algumas semanas atrás, Roger Waters passou pelo Brasil fazendo um estardalhaço danado, quando apresentou na íntegra, sua opera rock, The Wall, que encantou a todos, principalmente o público mais jovem, não só pelo seu ineditismo musical, mas também por toda a teatralidade empregada. 

Mas como poderia um “velhote” de quase setenta anos, empunhando seu baixo, lotar os estádios por onde passou e atrair tanta gente jovem, que talvez em sua maioria, nunca tenha se dado conta de sua existência? 

Acontece que o “velhote”, além de ser um gênio por natureza, tem uma origem chamada Pink Floyd, e só para refrescar a memórias dos mais desavisados, ele iniciou suas experiências musicais ao final da década de sessenta, ao lado de outro gênio, Sid Barrett, que de tanta genialidade associada às drogas, acabou por enlouquecer completamente, sendo substituído pelo não menos genial, David Gilmour

O Pink Floyd foi para todos os músicos que por lá passaram em seus primórdios, uma escola de música experimental, onde a liberdade de criação era a única regra a ser cumprida, obviamente associada ao talento de cada um. 

Se não fosse assim, álbuns legendários e emblemáticos como, “Atom Heart of Mother”; “Meddle”; “The Dark Side of The Moom”, “Wish You Were Here”; “Animals“ e lógico, o tão afamado “The Wall” de autoria exclusiva de Roger Waters, sequer teriam existido. 

Para entender o fenômeno Roger Waters no Brasil, basta olhar para trás, pelo menos uns quarenta anos e escutar o que faziam quando eram tão jovens como os de hoje, que ficaram encantados pelo show de música, teatro e pirotecnia proporcionado por Roger Waters, portanto, o bootleg, “Pink Floyd Live In Montreux", gravado entre os dias 18 e 19 de setembro de 1971, durante o “Montreux Jazz Festival” na Suíça, servirá como um bom exemplo. 


Este bootleg de apenas seis faixas duração mostra a transição da fase psicodélica para o rock progressivo com muita propriedade e isto pode ser facilmente percebido nas músicas, “Atom Heart of Mother” e “Echoes”, onde o nível de experimentação já não é tão presente e uma temática bem definida é inserida em seus contextos, mostrando o início do amadurecimento da banda que até aquele momento já havia produzido todo o tipo de loucura musical, sendo o que, o ápice da loucura viria em 1972 com o filme documentário, “Live at Pompeii”, postado recentemente, que sintetizaria toda a cena Pinkfloydiana produzida até aquele momento. 

Roger Waters, Nick Mason, David Gilmour e  Rick Wright   
Particularmente, minha preferência entre as dezenas de músicas produzidas pelo Pink Floyd, é justamente a música, “Atom Heart of Mother”, uma mega suíte de mais de vinte minutos de duração, que de tudo tem um pouco, mesclando o jazz com o psicodelismo, ritmando a música com pegadas bem hard rock, mas com o eruditismo do rock progressivo e da própria música clássica, criando uma nova dimensão musical diferente de tudo que eu já havia escutado e pela reação do público ao final desta música, acho que o sentimento foi o mesmo. 

Acredito que com esta breve resenha e principalmente com este bootleg, o entendimento de quem não viveu a cena progressiva dos anos setenta e não acompanhou de perto a carreira de Roger Waters, fique aclarado e entendido o porquê, de tanto espanto e admiração por “The Wall”, que foi lançado em novembro de 1979.


ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Pink Floyd:
Roger Waters
David Gilmour
Rick Wright
Nick Mason

Tracks:
CD1:
1. Echoes 24:52
2. Careful With That Axe, Eugene 13:14
3. Set The Controls For The Heart Of The Sun 14:52
CD2:
1. Cymbaline 13:05
2. Atom Heart Mother 31:49
3. A Saucerful Of Secrets 21:12

LINK

"Echoes"

"Atom Heart Mother Suite Part1 Live at Montreux Jazz Festival"

"Atom Heart Mother Suite Part2 Live at Montreux Jazz Festival"

"Atom Heart Mother Suite Part3 Live at Montreux Jazz Festival"

"Atom Heart Mother Suite Part4 Live at Montreux Jazz Festival"

8 comentários:

  1. Prezado Gustavo,

    Vc é um dos poucos mortais que conheço , que prefere "Atom Heart Mother" do que a também ótima, "Echoes". Também prefiro a primeira.

    Podem até me acusar de radical, me chamarem de chato, mas Pink Floyd é esse ai, um quarteto, esse era o PF que me cativava, me emocionava.
    Depois que viraram medalhões, encheram o palco com outros músicos. Tudo muito bem produzido, mas que não me cativava mais... Tudo frio, sem emoção... Já vi apresentações do Roger Waters, nas quais haviam três guitarristas no palco. Pra que tanto?

    "A Saucerful of Secrets", com 21 minutos?! "Atom Heart Mother" com 31 minutos?! Se for isso mesmo, sou obrigado a baixar.rs

    Abraços e parabéns pelo post.

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    Respostas
    1. Meu caro amigo,

      Que bom em tê-lo por aqui......

      Roderick, em meu entendimento, o álbum, "Atom Heart Mother" é o início da evolução natural do Pink Floyd......

      É a mostra do amadurecimento da banda e talvez o primeiro grande reconhecimento que tiveram no meio musical, pois o cenário progressivo nunca mais foi o mesmo......

      A suíte é impecavelmente perfeita e só poderia ter sido criada por mentes visionárias.....

      Você tem razão, o Pink Floyd de verdade é um quarteto que nunca precisou de muita pirotecnia para agradar, bastava apenas empunhar seus instrumentos e mandar ver.....


      Volte sempre, pois sua presença é muito importante para todos.....

      Abraços,

      Gustavo

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  2. Concordo com praticamente tudo dito aqui, realmente "Atom heart mother" é demais, porém "Echoes" transmite alguma coisa tão profunda ou mais que a primeira dita.

    Parabens pelo artigo.

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  3. Helton,

    A lindíssima “Echoes” é a evolução de “Atom Heart of Mother” e seu grande diferencial está no fato de ser cantada, o que naturalmente no aproxima dela.....

    Minha preferência por “Atom Heart of Mother”, está calcada em cima da orquestra de metais e do coro, bem como da diversidade de ritmos e estilos musicais mesclados que foi submetida.......

    São particularidades mínimas que arrumamos para justificar uma ou outra preferência , mas que na verdade pouco importam, quando estamos diante do legado musical do Pink Floyd e realmente eleger a melhor música fica muito difícil.........

    Grato pelas palavras!!!!

    Amigo, a casa é sua, portanto, volte sempre !!!!

    Abraços,

    Gustavo

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  4. Prezado Mano Véio....Prezado Roderick "O Lorde"...E todos que assim como eu são seguidores de carteirinha deste Super Blog!!!!

    Eu já tive a oportunidade de expressar minha opinião sobre o Pink Floyd em outra oportunidade, e o Gustavo fez as honras de destacar meu comentário no post, onde eu dizia exatamente tudo isso que foi colocado!!! O Pink Floyd de verdade era aqueles quatro "descamisados - pés rapados" tocando Echoes em Pompéia....Aquela monstruosidade de luzes que destacou as turnes de Delicated Sound e Pulse representavam tudo aquilo que o álbum The Wall execrou....

    No entanto....Eu faço a seguinte reflexão!!!!!!! Porra!!!! Como eu queria ver o Yes fazendo apresentações lotando arenas como o Morumbi, Maracanã, com um show de luzes e efeitos visuais!!!!! Aquilo que jamais caberia no Floyd dos anos 80...90..e nas apresentações de Roger Waters, era tudo o que qualquer fã do Yes queria ver nos últimos 30 anos...

    Eu fico deprimido quando são postados vídeos das apresentações do Yes dos últimos anos!!!! Eles dividiram a cena com o Pink Floyd nos anos 70, eram juntos com o Genesis os GIGANTES do Rock Progressivo!!!!

    Com todo respeito à obra Atom Heart Mother e The Wall, mas Fragile, Relayer, Tales From.., Close To The Edge, estão no mesmo nível ( no mínimo )...E mereciam uma roupagem à altura!!!!!!!!

    O Yes e o Floyd que aprendemos a amar não existem mais....Porém, a diferença é que o Yes é a única Instituição que tem tudo para continuar, precisa apenas fazer como a Madonna...Se reinventar a cada trabalho....Deveria ter feito isso depois de 90125!!!!

    ABRAÇO....FORÇA....SUCESSO ( a todos )

    Carlos "The Ancient"

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  5. Prezados, é um prazer ler o comentário de vocês todos... Concordei com absolutamente tudo que foi escrito, e refleti em coisas que já tinham passado por minha cabeça, como a ausência injusta de produção nos shows do Yes comparados com os megashows do Pink Floyd e Walters. Aliás, eu sempre não consegui entender muito bem, e sempre achei curioso o fato de existir uma maior popularidade do Pink Floyd em relação à do Yes... Antes que alguns de vocês possam estranhar, falo isso, mas longe de querer desmerecer o Pink Floyd pelo seu sucesso. Apenas não compreendi como conseguiram se popularizar bem mais que o Yes, Genesis, e alguns outros gigantes... Certa vez há alguns anos, numa conversa com um fã de progressivo mais velho do que eu, que devia beirar os 50, curiosamente escutei dele que o Pink Floyd era das poucas bandas que ele não tinha comprado um único disco desde a juventude, alegando a banda fazer um som simplista comparado ao que o Yes, e o Genesis (para citar alguns exemplos) faziam na época... Mas curiosamente também, eu já me identificava com essa linha de percepção. Agora, confesso que já tive a minha fase de "bolha" fã de Pink Floyd (por volta dos 18 - 23 anos), de passar horas e mais horas introspectivo ouvindo Atom Heart Mother, Meddle, Obscured By Clouds... Mas apartir de um certo momento esses discos começaram a me passar um sentimento de tristeza, contrário ao que o Yes me passava... Então migrei gradativamente do Floyd para o Yes. Mas gostaria de reexperimentar os clássicos discos do Floyd em momentos apropriados, para dar uma nova chance a banda e as minhas novas percepções. Abraços! E longa vida a esse maravilhoso mundo do Rock Progressivo!

    Luciano

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  6. Pode ser que eu não tenha entendido certos comentários, diante disso, de antemão, deixo minhas desculpas.

    Nos bons tempos do Yes, da áurea época que Rick Wakeman participava da banda, havia muito pompa nos shows.
    O Yes, que veio ao Brasil, sem Wakeman e sem o grande Ste ve Howe, era uma pálida amostra do que a banda foi, mesmo na produção do show.

    Rótulos sempre me perturbaram, mais provocam polêmicas, que mostram o que realmente é um determinado estilo.

    Gosto demais do Yes, mas só antes da entrada de Trevor Rabin. E não o culpo pela decadência da banda, que se tornou, como quase todas bandas oriundas dos anos 70, nos anos 80, descartável.

    Caro Luciano, com todo respeito, será que este seu conhecido fã de rock progressivo, não seria um mala, chamado Hélio?rs

    É muito falado que os músicos do Genesis(adoro a banda, dos tempos do P.Gabriel) e do Yes, outros ainda, como o King Crimsom, tinham muito mais técnica do que os psicodélicos, ou seriam pops integrantes do Pink Floyd? Já escutei muita besteira sobre isso, no orkut, nem se fala, mas se "Atom Heart Mother", com seus mais de 20 minutos,com orquestra e cheia de variações, sinfônica demais, assim como outras suites que o Floyd fez, não é um som progressivo, então, nem mesmo o Yes e o Gentle Giant, que reconheço serem mais progressivos do que o Floyd, são progressivos.

    Abraços

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  7. Amigos,

    Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer pela participação constante de vocês, que com certeza fazem desse espaço um lugar muito melhor......

    Como eu estou um pouco atrapalhado, não consegui participar deste debate, porém, na próxima postagem que será com um bootleg do Genesis, estarei externando minhas impressões sobre tudo o que foi falado aqui.....

    Abraços a todos.....

    Gustavo

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