15 de jan de 2012

JETHRO TULL - "Tullbox" - 2009

Estamos aqui no Brasil, vivendo a era “Michel Teló” e sua “Ai se eu te pego”, com uma letra de duplo sentido, bem duvidosa, acompanhada de uma coreografia semi-pornográfica que já se espalhou por todos os continentes e, portanto é o hit do momento e com certeza do próximo carnaval. 

Por quanto tempo, este tipo de música consegue se sustentar??? Será que após o carnaval ela vai virar um, “Rebolation chon chon” do “Parangolé” e definitivamente desaparecer do mapa, juntamente com seu criador que em um raro momento de distração e inspiração, consegue "parir" uma pseudo-música temporária como esta??? 

Eu acredito que sim, pois a atual crise musical que vive o Planeta está espelhando esta situação não só aqui no Brasil, mas em diversos outros países que também estão passando por esta crise de identidade artística, onde o que vale é uma letra que fale de alguma sacanagem de cunho erótico, acompanhada de um ritmo dançante também erótico, mas isto não é um privilégio do nosso “brega tupiniquim”, pois o Pop internacional está fartamente servido deste mesmo material onde o “Cetro” é passado todo ano de mão em mão para a bola da vez, dependendo do tamanho da bunda ou  do biquini que é usado para as apresentações. 

Voltando a nossa esfera, que é muito diferente deste universo dos parágrafos acima, vem um questionamento que às vezes incomoda um pouco, que é a possibilidade de estar parado no tempo e não estar conseguindo acompanhar as novas tendências musicais, mas por outro lado, a educação musical que eu tive, era com bandas de rock que transformavam “clássicos” da música clássica em rock. 

Que tremenda ousadia, que coragem, mas acima de tudo, que talento, que levava a loucura quem estava assistindo ou mesmo apenas ouvindo e estas sim, “Pérolas” musicais que até hoje, mais de quarenta anos depois, são encontradas à venda em quaisquer casas do ramo e em sites da internet. 

Não é um fenômeno, é apenas por terem um berço, uma origem e ser uma referência de uma época em que a criatividade, a inspiração e o talento individual e/ou em grupo eram a principal matéria prima, pois não havia espaço para material descartável. 

O rock, assim como a música clássica, foram feitos para ficar, já estão imortalizados e serão ainda muito apreciados por boa parte das novas gerações que sucederão à atual e assim por diante, que ao descobri-los, serão instintivamente cooptados pelo poder de atração e os encantos que uma boa música têm. 

Eu entendo que este falatório todo é um saco para quem escreve e mais ainda para quem lê, mas infelizmente é necessário para justificar o porquê de postar uma coletânea, intitulada “Tullbox”,  montada pelo blog Baistophe que é especialista em montar coletâneas com muito cuidado e esmero.

Obviamente estou  me referindo ao Jethro Tull, onde em três CD’s, está depositada a história de um dos vários fenômenos musicais que surgiram na década de setenta e que até hoje se mantém na ativa, conquistando novos adeptos. 

A história da banda está distribuída pelas quarenta e nove músicas, começando a viagem pela louca “A Song for Jeffrey” que é um hiper clássico do Tull, passando por “Aqualung”; “Cross-Eyed Mary”; “Locomotive Breath”; “Thick as a Brick (extract)”; “Skating Away on the Thin Ice of a New Day”; “Minstrel in the Gallery”;” Songs From the Wood”, “One Brown Mouse”; “Fylingdale Flyer”; “Broadsword” e mais uma penca de músicas que com certeza vão trazer deliciosas lembranças. 

Comentar qualquer coisa a respeito do Jethro Tull é gastar teclado à toa, portanto, a única observação que me atrevo a fazer é que a diversão está garantida com este álbum, pois só tem clássicos que há muito tempo são a trilha sonora dos nossos sonhos. 

PS: Enquanto escrevia esta resenha, ao mesmo tempo estava fuçando no blog de um “amigo Lobo”, O Som Mutante e lá, está postado uma raridade do “King Crimson”, o álbum, "In the Court of the Crimson King" (40th Anniversary Edition Box set 05 discs), ou seja, é imperdível, não deixem de fazer o download.

Band:

Tracks:
CD1:
01. A Song For Jeffrey
02. A New Day Yesterday
03. Fat Man
04. Reasons For Waiting
05. With You There To Help Me
06. To Cry You A Song
07. Love Story
08. Aqualung
09. Cross-Eyed Mary
10. My God
11. Locomotive Breath
12. Wind Up (Quad. Version)
13. Wond'ring Again
14. Life Is A Long Song
15. Thick As A Brick (extract)
16. Critique Oblique

CD2:
01. Magus Perdè
02. War Child
03. Back-Door Angel
04. Skating Away On The Thin Ice Of A New Day
05. The Third Hoorah
06. Minstrel In The Gallery
07. One White Duck / 0^10 = Nothing At All
08. Quizz Kid
09. Salamander
10. The Chequered Flag
11. Songs From THe Woods
12. The Whistler
13. One Brown Mouse
14. Heavy Horses
15. Conundrum
16. Quatrain

CD3:
01. Dark Ages
02. Dun Ringhill
03. Fylingdale Flyer
04. The Pine Martin's Jig
05. Broadsword
06. Cheerio
07. Jump Start
08. Part Of The Machine
09. A Christmas Song
10. Another Christmas Song
11. Still Loving You Tonight
12. Like A Tall Thin Girl
13. Valley
14. Wounded Old And Treacherous
15. Hot Mango Flush
16. El Niño
17. A Winter Snowscape


"Cross-Eyed Mary"

"Skating Away On The Thin Ice Of A New Day"

"Broadsword"

6 comentários:

  1. Prezado Mano Véio...

    Sou do tempo que para achar um cara que soubesse exatamente o que era o Jethro Tull era simplesmente a agulha no palheiro...

    Todos na maioria acreditavam que se tratava de um cara cabeludo que tocava flauta...

    Já ouvimos falar de todos os tipos de dancinhas possíveis, nos mais diferentes e pobres estilos musicais...Ao ler sua análise sobre o as qualificações artísticas do nosso glorioso Michel Teló, lembrei-me da primeira vez que ví o Jethro Tull...Foi aquela apresentação antológica no Madison Square Gardem em 1977 - a primeira transmitida ao vivo em todo o mundo...

    Fiquei de boca aberta com a performance de Ian Anderson,,,Aquilo sim era "dança"...Aquilo sim era performance...Naquela época, cada um era obrigado a achar seu estilo - não dava para ficar imitando Peter Gabriel -....então cada um era obrigado a dar seus "pulos"..E Ian Anderson era simplesmente fantástico...como se não bastasse, insuperável na flauta transversal..

    E John Evans??? Depois de Rick Wakeman, eu pensei que já tinha visto de tudo...Mas John Evans com aquela cara de louco, aqueles olhos arregalados...Simplesmente fantástico!!!!

    De novo a mesma pergunta de sempre.."Quem faz isso hoje em dia????" e se fizer, como evitar a sombra do Jethro Tull???

    Se Ian Anderson não tivesse feito sucesso com a banda, seria reconhecido no mundo inteiro como um dos maiores produtores de salmão!!!!

    Obras primas como Aqualung ou Thick as a Brick
    vão durar por toda a eternidade...Porque foram escritas por um verdadeiro gênio...

    Aliás Brother, que tal escolhermos os 10 maiores Gênios do Rock ????

    Parabens pelo post, Parabens pelo Blog, e conte sempre com estes humildes colaboradores...Tenho algumas surpresas para te enviar...Acho que você vai simplesmente delirar!!!

    Abraço...Força,,,Sucesso!!!!

    Carlos "The Ancient"

    ResponderExcluir
  2. Bicho,

    O cenário musical atual, tanto aqui no Brasil como em outros países, tá feio.....

    Só nos resta apelar para a velha e boa década de setenta, responsável pelo acervo musical mais criativo da história da música contemporânea......

    Já me perguntaram uma vez se Jethro Tull era nome de remédio..... Pode um negócio desses????

    Um fato interessante relativo ao JT, é a receptividade que ele provoca nos jovens, principalmente quando são álbuns antigos como Aqualung, Songs from the Wood e Thicks as a brick que em especial é uma única música dividida em em duas partes....

    Isto é um indício que o que está faltando, é uma maior divulgação destas bandas do passado que têm um poder de atração fantástico até hoje......

    Vamos ver como podemos fazer para eleger o 10 maiores gênios do rock......

    Grato pelas palavras e pelo tempo gasto meu amigo....

    Um forte abraço....


    Gustavo

    ResponderExcluir
  3. Tive a oportunidade de assistir Jethro em Belo Horizonte, no MIneirinho. Inesquecível. Na época a imprensa local e nacional "desceu o sarrafo" chamando Ian Anderson de velho e ultrapassado. O que se viu no show foi totalmente o contrário. Lembro-me que Ian entrou no palco numa cama de hospital ironizando, é claro,os fazedores de notícia. Hoje, olhando nosso panorama musical percebo o quanto o jethro estava anos luz à frente dessa nossa pobre MPB. Não dá para acreditar. Um sujeito bate forte num padeiro e se diz músico, e o pior: a sociedade o considera sucesso. Lamentável.Será a educação, que está nivelada por baixo, é responsável por isso? Perdemos há muito tempo a qualidade e inteligência em nossa música. É claro, há músicos bons aqui...na verdade, onde eles estão???
    Fernando Barbosa

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fernando,

      Eu assisti a este show no RJ e lembro que Ian Anderson entrou com uma enfermeira empurrando-o em uma cadeira de rodas.... foi sensacional......

      Não só a música brasileira, mas a internacional também, está em um momento de profunda depressão e falta de criatividade em geral...

      São criações que em geral só duram um carnaval e nada mais, feitas com rimas idiotas, de duplo sentido e música bem sofrível comproduções palpérrimas, mas é isto que o povão está querendo ouvir.....

      Só nos resta esperar por tempos melhores e enquanto isto, nos fartar nos tesouros escondidos da década de setenta......


      Um forte abraço,

      Gustavo

      Excluir
  4. Thick As A Brick. O album que purificou minha alma!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse álbum dispensa qualquer comentário, pois sua música traduz exatamente o que ele é....

      Abraços,

      Gustavo

      Excluir

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails