28 de fev de 2010

Terremoto do Chile foi 100 vezes mais forte do que o do Haiti

A energia liberada pelo terremoto deste sábado foi 100 vezes maior à registrada nos tremores do Haiti, no mês passado. A magnitude de 8,8 graus na escala Richter fez do sismo chileno o sexto maior já medido pelos cientistas. A catástrofe, segundo os sismólogos, era previsível, embora a expectativa era de que acontecesse em um outro ponto de encontro de placas tectônicas, a 300 quilômetros ao sul.

A energia liberada pelo terremoto equivale a de 3 mil bombas de Hiroshima - ressalta João Willy Rosa, geofísico da Universidade de Brasília. - O número de mortos será menor, comparado ao Haiti, porque dessa vez o epicentro era distante dos centros urbanos.

O sismo do Chile foi a 90 quilômetros de Concepción, segunda maior cidade do país. Já o terremoto do Haiti teve seu epicentro a apenas 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe.

Vice-presidente da Associação Brasileira de Geólogos de Petróleo, Nilo Azambuja acredita que a engenharia também tem um papel fundamental para que o Chile perdesse menos vidas.

Os prédios, na área de ocorrência do terremoto, obedecem a índices severos de segurança - explica. - São padrões comuns em locais de intensa atividade sísmica, mas ainda não vistos no Haiti. Logo após os tremores do Haiti, especialistas em pesquisa de engenharia em terremotos da Universidade de Buffalo, nos EUA, afirmaram que os efeitos da catástrofe foram agravados pela falta de padrões rigorosos da edificação de prédios que funcionaram como referência - hospitais, quartéis de bombeiros e torres de comunicação.

Embora o Chile tenha uma infraestrutura capacitada para enfrentar terremotos, sua configuração geográfica pode comprometer os trabalhos de socorro e o funcionamento de serviços básicos.

Como o país é uma faixa de terra muito estreita, serviços como eletricidade e água seguem o mesmo caminho, por não haver outras alternativas. Se esta linha é interrompida, portanto, haverá mais pessoas prejudicadas - conclui Moacyr Duarte, coordenador do Grupo de Análise de Risco Tecnológico e Ambiental da Coppe/UFRJ. - Outro fator que dificulta o socorro é o vasto número de ecossistemas em um espaço curto, dos Andes ao litoral. Cada região obriga a Defesa Civil a assumir uma postura.

Até o meio da tarde, 48 réplicas atingiram o Chile, cinco delas de grande magnitude (acima de 6 graus). Um tremor semelhante, de 6,3 graus, foi registrado em Salta, no norte da Argentina.

Fonte: Jornal O Globo, Rio,  27/02/2010 às 23:18 h

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