29 de mai de 2015

YES - "Progeny: Seven Shows from Seventy-Two" - 2015

“Invasão de privacidade”, este deveria ser o nome deste CDbox do Yes, intitulado, “Progeny: Seven Shows from Seventy-Two”, composto por quatorze CD’s, espelhando o que de melhor o Yes soube fazer ao longo dos anos setenta, “MÚSICA”, com letras maiúsculas, para que não paire nenhuma dúvida.

Aliás, uma MÚSICA, simplesmente irresistível, invasora de corações e mentes, viajante, um estímulo cultural sem precedentes, que no meu caso, me persegue há mais de quarenta anos e a história se repete a cada álbum ou bootleg escutado, pois ela está sempre renovada com um novo caminho a ser percorrido.

Espantosamente desta vez a acéfala indústria fonográfica saiu na frente e lançou esta magnífica coleção de shows acontecidos no ano de 1972, entre outubro e novembro, distribuídos pelos USA e o Canada, cobrindo a “Close to The Edge Tour”, apenas lembrando que neste mesmo ano já havia sido lançado o álbum “Fragile” outra super pérola da banda.

O negócio é tão sério em relação ao Yes, que sabiamente, na abertura de seus shows eles usavam um trecho da “Firebird Suite” resultando em uma expectativa devastadora sobre o que viria a seguir e posso assegurar por ter vivido esta experiência que a viagem começava ao apagar das luzes e o início desta abertura, simplesmente inigualável. 

Fazendo um “Brain-Storm” bem sucinto, vamos voltar ao ano de 1969, quando foi lançado o primeiro álbum, “YES” onde não tínhamos ideia completa de qual seria o caminho que esta nova banda iria seguir, mas só pelo fato de incluírem uma música dos “Beatles”, chamada, “Every Little Thing", com uma excelente versão psicodélica, já mostrava algo diferenciado em sua própria música e uma dose elevada de audácia para quem estava começando.

No ano seguinte, eles começavam a ligar as turbinas em direção ao rock progressivo com seu álbum, “Time and Word”, ainda de forma muito tímida, mas demonstrando uma forte personalidade, que veio a eclodir verdadeiramente no ano seguinte com o “Yes Album”, um clássico do rock com lugar de destaque garantido na história do rock.


Agora, lançar dois álbuns com a indiscutível qualidade musical, como “Fragile” e “Close to the Edge”, aclamados pela crítica e principalmente pelos fãs no período de um ano, não é para qualquer, é coisa de gênio e neste momento, inegavelmente a banda dispunha dos melhores músicos e compositores da época.

É certo que falar em melhor banda ou melhor músico daquela época, chega a ser um sacrilégio ou mesmo uma tentativa de suicídio, pois se colocarmos lado a lado, Yes, Genesis, ELP, PFM, Camel, Triumvirat, Jethro Tull, Pink Floyd, Eloy, Kansas e mais um sem número de bandas, vamos todos sair na porrada e não vamos chegar a lugar algum, mesmo porque até mesmo em certos casos a comparação se tornaria impossível, portanto, humildemente peço a licença a todos para considerar que para esta resenha o Yes fosse a melhor banda naquele momento.

Vale lembrar que, logo depois em 1973, não satisfeitos com o que já tinham feito, ainda iriam lançar o que para mim define um dos paradigmas do rock progressivo, “Tales From Topographic Oceans”, obra mais do que prima do rock.

Sei que muitos vão lembrar que este álbum foi o estopim para o primeiro pedido de demissão de Rick Wakeman da banda e bla bla bla, entretanto, há alguns anos atrás o próprio reconheceu seu inestimável valor, pois não poderia ser diferente.

Mesmo depois de sua saída, o álbum “Relayer”, de 1974 com o “bolha d’água” do Patrick Moraz, que sem dúvidas é um excelente tecladista, talvez um dos melhores do mundo, mas infelizmente como nem tudo é perfeito, além de muito pedante, ele é um “chato de galochas”, mas justiça seja feita, saiu-se muito bem neste álbum, tanto nos estúdios, bem como em suas apresentações públicas, transformando-o em um dos maiores feitos do Yes.

Resumindo este imbróglio todo, o Yes é a síntese de parte de uma época, onde o pior músico era excelente, a música era arrebatadora e cativante, com uma inteligência incomum, capaz de proporcionar viagens sem sair do lugar, coisa de louco mesmo, sem explicação lógica. 

Voltando ao álbum, “Progeny: Seven Shows from Seventy-Two”, ele registra as apresentações em sete ocasiões diferentes, entretanto, seu repertório é praticamente o mesmo em todos os shows, o que não tira o mérito deste CDbox, que está com o áudio mais do que perfeito, o que para os fãs da banda fica como mais um documento histórico, portanto amigos, sejam bem rápidos, pois este link deve durar muito pouco tempo. Boa audição a todos!!!

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Yes:
Jon Anderson / vocals
Steve Howe / guitar
Chris Squire / bass
Rick Wakeman / keyboards
Alan White / drums

Track Listing for every show/double disc:
Opening (Excerpt From Firebird Suite)
Siberian Khatru
I've Seen All Good People
  a. Your Move
  b. All Good People
Heart Of The Sunrise
Clap/Mood For A Day
And You And I
  i. Cord Of Life
  ii. Eclipse
  iii. The Preacher The Teacher
  iv. Apocalypse
Close To The Edge
  i. The Solid Time Of Change
  ii. Total Mass Retain
  iii. I Get Up I Get Down
  iv. Seasons Of Man
Excerpts From "The Six Wives Of Henry VIII"
Roundabout
Yours Is No Disgrace

LINK

21 de mai de 2015

ELOY - "Minden" - 1973

Se eu não estiver muito enganado, esse será o vigésimo quarto álbum do Eloy que posto aqui no blog e prestando bem atenção, verifiquei que postei mais álbuns da banda alemã do que para o ELP, Jethro Tull ou até mesmo o Kansas, que são bandas mais populares e difundidas do que o Eloy, mas existem algumas particularidades que o diferenciam das demais citadas.

Uma das particularidades é a existência de Frank Bornemann, um mago do rock, um visionário muito além de seu tempo, ótimo compositor, excelente guitarrista, um bom cantor e uma das figuras mais queridas e admiradas em seu meio que soube cativar uma legião de fãs espalhadas pelos cinco continentes em pouco mais quatro décadas de dedicação à música.

Outra atratividade da banda, é a quantidade de músicos que já passaram pelo grupo, algo em torno de uns 15 músicos que entraram e saíram, alguns até retornaram e pelo incrível que possa parecer, o som da banda manteve uma invejável uniformidade musical.

Esse fenômeno foi possível graças a boa administração de Frank Bornemann, que só esteve fora de um único álbum, a trilha sonora do filme “Codename Wildgeese”, de 1984, estrelado por alguns nomes bem conhecidos como Lee Van Cleef, Ernest Borgnine, Klaus Kinki e outros, já postado aqui em dezembro de 2010.

Como se fosse um camaleão, a música do Eloy foi se adaptando ao longo do tempo e ao invés de mudar de cor conforme a necessidade ele mudou sua música conforme os movimentos musicais iam surgindo, sem perder sua real vocação, o rock progressivo, passando pelas fases Hard Rock, Progressiva, Sinfônica e até mesmo uma fase metal, bastando dar uma escutada no álbum “Metromania” de 1984 que é recheado de pegadas bem fortes de guitarra e bateria.

Uma triste característica desta banda é justamente a falta de material alternativo à sua discografia oficial, portanto quando aparece al diferente, é uma obrigação dividir com todos este bootleg, intitulado, “Minden”, gravado no “Zur Grille” em abril de 1973, na cidade alemã de Minden.

Parte desta gravação foi feita a partir de músicas extraídas do álbum, “Inside”, deste mesmo ano, bem como duas músicas que a princípio não se encaixam em álbum de estúdio algum, “The Church” e “Flying High” e mais duas que não possuem qualquer identificação, portanto temos algo de inédito neste bootleg, o que é muito bom, para uma banda tão “mosca branca” como esta.

Nesta época o som da banda estava muito próximo ao Hard Rock, entretanto já com nítidas influências do rock progressivo que começavam a incendiar a genial mente de Frank Bornemann, que daí por diante iria revelar sua veia progressiva nos álbuns seguintes.

Do álbum “Inside” temos as músicas, “Inside”; “Future City”, “Castle In The Air” e “Land Of No Body” e para dar vida a estas músicas, além do próprio Frank Bornemann, a formação do Eloy foi completada por Manfred Wieczorke nos teclados, Wolfgan Stocker no baixo e Fritz Randow na bateria completam o elenco de músicos.

Apenas para situar a discografia da banda, a partir de 1971 até 2014, foram lançados dezessete álbuns de estúdio, três álbuns “live”, duas compilações com suas melhores músicas e uma trilha sonora de filme, completam este rico acervo musical. 

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Eloy:
Frank Bornemann - guitar, vocals
Manfred Wieczorke- organ
Wolfgang Stocker - bass
Fritz Randow - drums


Tracks:
01 Inside
02 Future City
03 Castle In The Air
04 The Church
05 Flying High
06 Land Of No Body
07 Unknown
08 Drum Solo
09 Unknown


13 de mai de 2015

THE BEATLES - "Bootleg Recordings" - 1963


BEATLES!!!! Cada vez mais vivos e presentes em nossas vidas, atravessando as décadas sempre com muita dignidade, carisma e ainda cooptando gerações e mais gerações de fãs, independente de tribos da qual pertençam.

Por que? São tantas as explicações que fica até difícil escolher uma, pois sempre há um detalhe a mais quando surge um novo pensamento a respeito deste fenômeno que ronda a vida em conjunto dos quatro fabulosos de Liverpool.

Uma das teorias que gosto muito, se baseia na ideia de que a simplicidade das composições tanto na letra como na música é tanta, que eles conseguiram abrir um portal na mente das pessoas criando uma atração, praticamente irresistível.

Tempo e espaço é muito importante nesta questão também, portanto, eles surgiram na época certa e no lugar certo e trabalharam muito e desse modo o reconhecimento e o sucesso mais que merecido, veio na cauda do cometa Beatles.

Todos sem exceção, tinham “cara de bom moço”, se vestiam de modo adequado para os padrões da época, foram muito bem recebidos pela mídia e principalmente pela legião de fãs e ainda por cima, tiveram a sorte de cair nas mãos de Brian Epstein que foi o descobridor e empresário da banda até sua morte em 1967 e de George Martin que era o mais criativo produtor musical da época, obtendo com isso a química perfeita para o sucesso.

É lógico que talento eles tinham de sobra para criar suas composições e principalmente dar vida a elas quando se apresentavam em público e isso é inegável, mas analisando friamente a questão e deixando a simpatia pessoal por um ou outro membro da banda de lado, nenhum deles era um “guitar hero” em seu instrumento de trabalho, mesmo porque a estrutura musical das composições não exigia grandes esforços e também não era esse o objetivo do grupo que nunca produziu uma música para este ou aquele fazer um solo de seu instrumento.

Entretanto, cabe ressaltar que todas elas sempre soaram muito grande, com um apelo emocional muito difícil de segurar até hoje, o que me leva a crer que o que eles produziram lá trás, na década de sessenta, estava muito além de seu tempo e ao que tudo indica, sempre vai estar, pois é música de vanguarda.

Eu já perdi a conta de quantas remasterizações foram feitas na discografia dos Beatles nestas mais de cinco décadas de existência, num claro sinal que este fenômeno está muito longe de acabar e sem medo de errar, posso afirmar que ele não terá fim.

Voltando a minha primeira teoria, acredito que esta compilação de ensaios, intitulada, “Bootleg Recordings 1963”, possa dar crédito que em determinados momentos e situações, a simplificação do ato, o torna gigante, imensurável e até incontrolável.

São audições a partir de ensaios da gravação dos álbuns, “Please, Please me” e “With the Beatles”, ambos lançados em 1963 e algumas gravações de shows da época, onde é possível ouvir a gritaria da mulherada completamente enlouquecida, bem como algumas gravações demo de John Lennon.

É um material histórico e fundamental para os amantes da música, mas principalmente para os mais aficionados da banda, que não são poucos, pois é o registro histórico do início da carreira da banda mais aclamada e bem-sucedida do mundo da música.

Diante deste fato, só nos resta agradecer a alma iluminada que se deu ao trabalho de digitalizar o conteúdo das velhas matrizes de gravação e disponibiliza-las no mundo virtual com qualidade excepcional de áudio.  Muitíssimo Obrigado!!!! 

RECOMENDADÍSSIMO!!!!

Beatles:
John Lennon,
Paul MacCartney
Ringo Star
George Harrinson

Tracks:
CD1
01 -‘There’s A Place’ – Takes 5, 6
02 -‘There’s A Place’ – Take 8
03 ‘There’s A Place’ – Take 9
04 - ‘Do You Want To Known A Secret’ – Track 2, Take 7
05 - ‘A Taste Of Honey’ – Track 2, Take 6.
06 -‘I Saw Her Standing There’ – Take 2
07 - ‘Misery’ – Take 1
08 - ‘Misery’ – Take 7
09 - ‘From Me To You’ – Take 1 & 2
10 - ‘From Me To You’ – Take 5
11 - ‘Thank You Girl’ – Take 1
12 - ‘Thank You Girl’ – Take 5
13 - ‘One After 909′ – Take 1 & 2
14 - ‘Hold Me Tight” – Take 21
15 - ‘Money (That’s What I Want)’ – RM 7 Undubbed
16 - ‘Some Other Guy’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 26th January, 1963
17 - ‘Love Me Do’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 26th January, 1963
18 - ‘Too Much Monkey Business’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 16th March, 1963
19 - ‘I Saw Her Standing There’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 16th March, 1963
20 - ‘Do You Want To Know A Secret’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 25th May, 1963
21 - ‘From Me To You’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 26th May, 1963
22 - ‘I Got To Find My Baby’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 26th January, 1963
23 - ‘Roll Over Beethoven’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 29th June, 1963
24 - ‘A Taste Of Honey’ – Live At BBC For ‘Easy Beat’ / 23rd June, 1963
25 - ‘Love Me Do’ – Live At BBC For ‘Easy Beat’ / 20th October, 1963
26 - ‘Please Please Me’ – Live At BBC For ‘Easy Beat’ / 20th October, 1963
27 - ‘She Loves You’ – Live At BBC For ‘Easy Beat’ / 20th October, 1963
28 - ‘I Want To Hold Your Hand’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 21st December, 1963
29 - ‘Till There Was You’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 21st December, 1963
30 - ‘Roll Over Beethoveen’ – Live At BBC For ‘Saturday Club’ / 21st December, 1963
CD2
01 - ‘You Really Got A Hold On Me’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 4th June, 1963
02 - ‘The Hippy Hippy Shake’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 4th June, 1963
03 - ‘Till There Was You’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ /11th June, 1963
04 - ‘A Shot Of Rhythm And Blues’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 18th June, 1963
05 - ‘A Taste Of Honey’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 18th June, 1963
06 - ‘Money (That’s What I Want)’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 18th June, 1963
07 - ‘Anna’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 25th June, 1963
08 - ‘Love Me Do’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 10th September, 1963
09 - ‘She Loves You’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 24th September, 1963
10 - ‘I’ll Get You’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 10th September, 1963
11 - ‘A Taste Of Honey’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 10th September, 1963
12 - ‘Boys’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 17th September, 1963
13 - ‘Chains’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 17th September, 1963
14 - ‘You Really Got A Hold On Me’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 17th September, 1963
15 - ‘I Saw Her Standing There’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 24th September, 1963
16 - ‘She Loves You’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 10th September, 1963
17 - ‘Twist And Shout’ – Live At BBC For ‘Pop Go The Beatles’ / 24th September, 1963
18 - ‘Do You Want To Know A Secret’ – Live At BBC For ‘Here We Go’ / 12th March, 1963
19 - ‘Please Please Me’ – Live At BBC For ‘Here We Go’ / 12th March, 1963
20 - ‘Long Tall Sally’ – Live At BBC For ‘Side By Side’ / 13th May, 1963
21 - ‘Chains’ – Live At BBC For ‘Side By Side’ / 13th May, 1963
22 - ‘Boys’ – Live At BBC For ‘Side By Side’ / 13th May, 1963
23 - ‘A Taste Of Honey’ – Live At BBC For ‘Side By Side’ / 13th May, 1963
24 - ‘Roll Over Beethoven’ – Live At BBC For ‘From Us To You’ / 26th December, 1963
25 - ‘All My Loving’ – Live At BBC For ‘From Us To You’ / 26th December, 1963
26 - ‘She Loves You’ – Live At BBC For “From Us To You” / 26th December, 1963
27 - ‘Till There Was You’ – Live At BBC For “From Us To You” / 26th December, 1963
28 - ‘Bad To Me’ – Demo
29 - ‘I’m In Love’ – (John demo key of F)
30 - ‘I’m In Love’ – (John demo key of g)

LINKS

7 de mai de 2015

RENAISSANCE - "DeLane Lea Studios" - 1973

Existem algumas bandas de rock (e.g.: Triumvirat) que são um tanto “mosca branca” na hora de pintar com um álbum “ao vivo”, alguma gravação perdida em algum estúdio ou mesmo um bootleg e o Renaissance, pode ser incluído nesta categoria, ainda mais por tratar-se de uma apresentação feita no ano de 1973 no “DeLane Lea Studios", Londres, Inglaterra.

Esse estúdio é muito emblemático para os britânicos, pois grandes nomes da música passaram por lá, como os Beatles, Pink Floyd, Queen, Deep Purple, Eletric Light Orchestra, The Who, Jimi Hendrix Experience e mais uma penca de nomes famosos.

Inicialmente ele se prestava para a cópia e dublagem de filmes e programas de TV para a língua francesa, mas com o tempo ganhou corpo expandindo seus negócios e entrando definitivamente para o mundo da música e mais recentemente, em 2012, foi comprado pela Warner Bros, onde tem sido usado por renomados diretores de cinema, como Tim Burton, Guilherme Del Toro e outros figurões do mundo do telão.

Voltando ao álbum em questão e tendo passado pouco mais de quatro décadas de sua gravação, este álbum revela claramente o “modus operandi”, aliás, marca registrada da banda de compor e executar suas músicas, que ao contrário das demais bandas de sua geração que primavam pelo virtuosismo, digo, exibicionismo, o Renaissance, de forma simples, quase “Franciscana”, conseguia e ainda consegue provocar o mesmo efeito e sentimento que um Genesis, Yes, ELP, Pink Floyd e Cia...., com toda a teatralidade, pirotecnias e trapizombas eletro-eletrônicas disponíveis na época.

Eu sei, alguém vai dizer, e a Annie Haslan não conta??? Claro que conta!!!! Ela é com certeza um ponto fora da curva de normalidade esperada para uma vocalista de banda de rock, pois sua inimitável voz é angelical, hipnótica, é aveludada e afinada como uma espada de samurai dos tempos feudais no Japão e isso é incontestável.

Outro fato, de menor importância, mas relevante para quem se expõe é que ela era lindíssima, tinha um carisma invejável, parecia um anjo diante do público e até hoje, basta procurar no Facebook, seus traços de beleza estão perpetuados na face de uma bela senhora que ainda gosta de cantar rock.

Mas eu me refiro ao conjunto da obra, com músicas absolutamente fantásticas, calcadas apenas em enredos deliciosamente encantadores e envolventes, mais para o Folk do que para o Progressivo, contando apenas com a raça e a coragem de Michel Dunford com sua guitarra, Jon Camp no baixo, Jon Tout nos teclados (99% de piano, mas dando um show), Terence Sullivan na bateria e logicamente Annie Haslan, destruindo corações com sua voz, para dar vida a essas espetaculares composições.

Como a banda é das antigas, muita gente já conhece a obra, mas para quem ainda não teve o prazer de conhecer, não custa citar algumas músicas como, “Prologue”, “Can You Understand?”; “Let It Grow”, “Ashes Are Burning” e tantas outras presentes neste e em outros álbuns de estúdio da banda, portanto, como de costume está feito o convite a audição deste grande álbum.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Renaissance:
Michel Dunford 
Jon Camp
Jon Tout
Terence Sullivan
Annie Haslan

Tracks:
01. Can You Understand
02. Let It Grow
03. Sounds Of The Sea
04. Carpet Of The Sun
05. At The Harbour
06. Ashes Are Burning (with Andy Power and Al Stewart)
07. Prologue


19 de abr de 2015

ELP - "Once Upon A Time In South America" - 2015

Quando o assunto é o ELP, o negócio é ser curto e grosso, pois não há mais adjetivos para descrever os feitos de seus músicos e principalmente a sua música que atravessa as décadas sem levar em conta o momento e continua atual.

Eu muitas vezes me pergunto o porquê de continuar postando determinadas bandas, como o ELP e a cada tentativa de justificar esse ato eu encontro uma resposta diferente, entretanto ultimamente eu me deparei com uma resposta que pode ser a mais próxima deste fenômeno.


A proporção em que a tecnologia em todos os setores vai avançando, a criatividade humana vai sendo esvaziada pelo uso de softwares cada vez mais sofisticados, hardware de alto poder, APPS que tudo fazem e tudo mais que um “geek” de ultima geração possa sonhar, facilitando a nossa vida e fazendo com que raciocinemos cada vez menos, pois com um simples toque, temos a resposta e/ou a solução para alguma necessidade. 


No universo da música, não está diferente, pois salvo raríssimas exceções, a partir da década de noventa para os dias atuais, o que se escuta está longe de ser chamado de música como realmente ela deveria ser, pois há ausência de letras e arranjos musicais com um mínimo de inteligência e sofisticação que chamem a atenção.

Emerson
Até bandas da incomparável e inconfundível era jurássica do rock que insistem em permanecer na ativa também padecem deste mal, com o um agravante que é o desgaste natural de décadas de trabalho a serviço da arte, onde a criatividade parece que se aposentou unilateralmente em algum momento e não mandou um aviso aos seus patrões que estava encerrando suas atividades.

Tenho notado que sistematicamente têm surgido novas bandas de rock, principalmente no universo progressivo que é onde eu tenho feito minhas observações e esta situação vem se repetindo, com músicas feitas a partir de sofisticada tecnologia de ponta que está disponível nas melhores casas do ramo, que em alguns casos revelam bons músicos, mas que infelizmente são desprovidos de alma musical, que é ponte que liga o músico ao seu destino final, nós, simples mortais, porém, extremamente exigentes e implacáveis, quando o assunto é a boa música.

Lake
Não adianta ter o mais sofisticado teclado ou guitarra ou o instrumento musical que for, se ele é utilizado de forma protocolar sem o músico e a música transferir o código que mexe nas nossas emoções e nos faz atravessar décadas escutando as mesmas músicas como se elas fossem atuais.

Dai chegar até ao álbum, “Once Upon a Time - Live in South America” do ELP, com shows acontecidos na década de noventa, com a maioria das músicas feitas na década de setenta e mesmo assim soar como algo inédito, pois a cada execução é possível sentir a capacidade de renovação que seus músicos conseguem transferir à música mesmo que subliminarmente, ativando o código que dá a centelha em nossos neurônios liberando sensações e bem estar que tecnologia nenhuma consegue proporcionar, isso sim, é o que há.

Palmer
Agora, chega de bla bla bla e vamos ao que interessa, que é o ELP e sua música, desta vez em terras Sul-americanas, inclusive com direito a passagem em terras Tupiniquins, mais precisamente na Cidade do Rio de Janeiro.

Esse álbum é o registro da passagem do ELP, pelo Chile, Argentina e pelo Brasil na década de noventa nos anos de 1993 e 1997 e para situar cronologicamente a banda, em 1992 foi lançado o álbum de estúdio “Black Moon” e em 1994 o álbum, “In the Hot Seat” e desde então não se juntaram mais para trabalhos em estúdios, produzindo apenas novos trabalhos individuais, no entanto, a parceria continuou nos palcos.

Falar de seu membros está fora de questão e falar de suas músicas é chover no molhado, mas não mencionar músicas como, Tarkus, Pictures At An Exhibition, Karn Evil 9, Hoedown, From The Beginning, Knife Edge, Fanfarre For The Common Man e Lucky Man, seria um sacrilégio, portanto, para quem já conhece, a lembrança que elas ainda soam muito forte foi feita e para quem ainda não conhece, não perca tempo, escute estas músicas e se encante definitivamente com o ELP

RECOMENDADÍSSIMO!!!!

ELP
Keith Emerson
Greg Lake
Carl Palmer

Tracks
Disc One

01 Introductory Fanfare
02 Tarkus
03 Knife Edge
04 Paper Blood
05 Black Moon
06 Close To Home
07 Creole Dance
08 Still… You Turn Me On
09 C’est La Vie
10 Lucky Man
11 Honky Tonk Train Blues
12 Touch And Go
13 Pirates
Tracks 1-13 Recorded Live at Estadio Chile, Santiago, Chile on April 1, 1993

Disc Two

01 Hoedown
02 Pictures At An Exhibition
03 Fanfare For The Common Man / America / Rondo
04 Introductory Fanfare
05 Tarkus
06 Knife Edge
07 Paper Blood
08 Black Moon
09 Keith Emerson Piano Solo
Tracks 1-3 Recorded Live at Estadio Chile, Santiago, Chile on Aril 1, 1993. Tracks 4-9 Recorded Live at Obras Stadium, Buenos Aires, Argentina on April 5, 1993

Disc Three
01 Creole Dance
02 From The Beginning
03 C’est La Vie
04 Lucky Man
05 Honky Tonk Train Blues
06 Touch And Go
07 Pirates
08 Hoedown
09 Instrumental Jam
10 Pictures At An Exhibition
Tracks 1-10 Recorded Live at Obras Stadium, Buenos Aires, Argentina on April 5, 1993

Disc Four
01 Fanfare For The Common Man / America / Rondo
02 Karn Evil 9 1st Impression Part 2
03 Hoedown
04 Touch And Go
05 From The Beginning
06 Knife Edge
07 Lucky Man
08 Tarkus
09 Pictures At An Exhibition
10 21st Century Schizoid Man
11 America
Track 1 Recorded Live at Obras Stadium, Buenos Aires, Argentina on April 5, 1993. Tracks 2-11 Recorded Live at the Metropolitan Theater, Rio de Janeiro, Brazil on August 16, 1997



1 de abr de 2015

THE ROYAL PHILHARMONIC ORCHESTRA - "Plays Prog Rock Classics" - 2015

Não é incomum o lançamento de álbuns como este, com orquestras executando peças clássicas do rock, entretanto, esse foi criado dentro dos estúdios Abbey Road, com a participação da The Royal Philharmonic Orchestra e como se não bastasse, teve também a participação de alguns nomes estelares da estratosfera do rock progressivo para então formar uma grande banda de rock.

Associado a isto, devemos somar um elenco de músicas de bandas não menos estelares como o Yes, Pink Floyd, Jethro Tull, ELP, Rush, King Crimson, Focus, Genesis, Moody Blues e o Gentle Giant, para transformar este álbum em uma celebração ao rock, a música clássica e a tudo de bom que ela proporciona.

Músicos da RPO
Se alguém perguntar se há algum pré-requisito para se escutar um álbum de música clássica ao ritmo do melhor rock progressivo, eu diria que sim, apenas gostar de música, não importando a tribo ou a tendência musical que se associe ao perfil do ouvinte e vou mais longe, pois do modo como foi concebido, é um convite irrecusável para quem não tem familiaridade com a música clássica.

A The Royal Philharmonic Orchestra dispensa maiores comentários por razões óbvias, mas como o intuito é informar, não custa lembrar que ela é originária da Inglaterra, tendo sido fundada em 1946, pelo então maestro Thomas Beecham que ficou no comando artístico até 1961 como diretor e regente titular da filarmônica.

Adrian Smith
Isto posto, vamos aos convidados estelares que se agregaram a filarmônica e faço questão de começar por Gavin Harrison, ele mesmo, o batera do Porcupine Tree, que doa seu talento para a música, “21st Century Schizoid Man” do King Crimson.

Adrian Smith, um dos guitarristas do Iron Maiden, dá o ar da graça na música, “Red Barchetta” do Rush e como não poderia deixar de ser, deixa sua marca “metálica” registrada e no mesmo tom, Patrick Moraz impõe seu estilo à música "Think Of Me With Kindness" do Gentle Giant.

Há uma contribuição muito significativa na música, “Roundabout” do Yes feita pelo tecladista Jimmy Greenspoon do Three Dog Night, que infelizmente faleceu no início de 2015, deixando suas últimas impressões muito bem gravadas neste álbum.

Ian Bairnson, multi-instrumentista, membro quase que cativo do “Alan Parsons Project”, mostra o que sabe em “Comfortably Numb” do Pink Floyd, e na sequencia, Guthrie Govan que por um bom tempo foi membro do Asia, também está presente em “21st Century Schizoid Man”.

Patrick Moraz
Mark Feltham do New Model Army vem convidado para a música “Nights In White Satin”  do Moddy Blues e por fim, o musico e compositor, Richard Harvey do Gryphon, contribui para a música, Thick As A Brick do Jethro Tull.

Finalmente podemos chegar sem muitas delongas ao ápice deste álbum que sem dúvidas alguma são suas músicas, que a luz dos meus sentimentos, foram muito bem escolhidas, todas elas sem exceção, mas como tenho língua grande, ou melhor dizendo, uma escrita longa, aponto a primeira faixa, uma suíte especialmente montada com a junção das músicas Tarkus e From the Beginning do ELP, como umas das melhores versões orquestradas que já ouvi. 

Thijs Van Leer
Roundabout, Watcher of the Skies, 21st Century Schizoid Man são músicas que estão em um formato para fazer levantar defunto de caixão e sair pulando de alegria, pois além de clássicos em sua forma original, com certeza se tornarão clássicos da música clássica também.

A música Focus II que teve a participação especialíssima de Thijs Van Leer, dá a impressão que foi feita propositadamente para um dia, migrar do rock para a música clássica, assim como uma lagarta se transforma em uma borboleta, ficando até difícil de escolher qual a melhor versão, mas como sou declaradamente um volúvel musical, fico com as duas.

RECOMENDADÍSSIMO!!!!

Musicians:
The Royal Philharmonic Orchestra

Guest Musicians:
Gavin Harrison
Adrian Smith
Patrick Moraz
Jimmy Greenspoon
Ian Bairnson
Mark Feltham
Richard Harvey
Thijs Van Leer

Tracks:
01. ELP Suite: Tarkus / From The Beginning / Tarkus (Reprise)
02. Comfortably Numb feat. Ian Bairnson
03. Thick As A Brick feat. Richard Harvey
04. 21st Century Schizoid Man feat. Gavin Harrison and Guthrie Govan
05. Focus II feat. Thijs Van Leer
06. Nights In White Satin feat. Mark Feltham
07. Think Of Me With Kindness feat. Patrick Moraz
08. Roundabout feat. Jimmy Greenspoon
09. Watcher Of The Skies
10. Red Barchetta feat. Adrian Smith

LINK


21 de mar de 2015

FISH - "Gone Fishing - Leamington Spa Convention" - 2012

Tem um bom tempo que não escrevo absolutamente nada sobre Derek William Dick, sim, o Fish (ex-Marillion) e, como hoje dei de cara com esse álbum, o motivo que eu precisava estava arrumado e ainda por cima, como é um álbum gravado a partir de um show, lançado em 2012, intitulado, “Gone Fishing -Leamington Spa Convention”, foi o combustível suficiente para começar a resenhar o álbum.

O detalhe é que eu estou escutando este álbum pela primeira vez enquanto vou escrevendo, portanto, logo na primeira faixa, “Script For A Jester's Tear”, fui surpreendido pela voz de Fish muito rouca e em um tom bem abaixo do que normalmente ele canta, bem como um pouco mais lenta que o normal.

Fato, nem tudo são flores e com Fish não esta sendo diferente, pois sua voz está muito abatida, nem tanto pela sua idade, que deve estar em torno de uns cinquenta e cinco anos ou mais, mas muito provavelmente pela forma agressiva que usou sua voz ao longo de mais de trinta anos de palcos e estúdios de gravação, portanto, não é de se estranhar que sua voz não seja a mesma.

Este triste fenômeno não tira o mérito deste álbum, que está repleto de clássicos de sua época junto ao Marillion (que saudade!!), suas próprias criações, das mais antigas até algumas do último álbum, “A Feast Of Consequences” e como sempre muito bem acompanhado de músicos de primeiríssima categoria.

É possível perceber facilmente que as músicas de seu último álbum (muito bom por sinal), foram ajustadas especialmente para seu atual timbre vocal, portanto o que se escuta está em perfeita sintonia e não é possível detectar a sua perda vocal que é evidente.

Entretanto, quem um dia foi “Rei”, não perde a "Majestade" nunca, pois audaciosamente Fish e sua banda, interpretaram na íntegra a música, “Grendel”, para mim a melhor música do Marillion em todos os tempos, dada a sua complexidade musical, mas não esperem um “revival Marilliano”, pois não é isso que acontece.

Mas só pelo fato da música ter sido escalada, o que por si só é um problemão para os demais músicos, pois esta música não é nem um pouco fácil de ser executada (Frank Usher de um show com sua guitarra), foi muito bem recebida pelo publico que não é tão somente fã do Marillion, mas principalmente fã de Fish, que cada vez mais está perto de seu público.

Além de “Grendel” e Script For A Jester's Tear, outras músicas como, “He Knows You Know”, “Jigsaw”, “Freaks” e “Market Square Heroes” complementam o show com clássicos do Marillion que são intercaladas com seus próprios clássicos mais conhecidos, como, “Lucky”, “Internal Exile”, “The Company” e outras que garantem a qualidade deste show.

Por tudo que Fish já fez pela música, junto ao Marillion e fora dele, merece o meu total respeito e admiração, portanto se hoje sua voz não vibra mais como anteriormente e se não é mais possível atingir um determinado agudo, isso pouco importa, seu legado para a história do rock é inestimável, considero-o uma lenda viva e como tal deve ser respeitado, portanto sem medo de estar errando, recomendo este álbum a todos. 

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!


Musicians
Gavin Dickie / Bass (9-16)
Steve Vantsis / Bass (1-8)
Gavin Griffiths / Drums
Frank Usher / Guitar
Foss Patterson / Keyboards
Fish / Vocals


Tracks:
CD1

01. Script For A Jester's Tear
02. Long Cold Day
03. Innocent Party
04. He Knows You Know
05. Square Go
06. Feast Of Consequences
07. Other Side Of Me
08. Dark Star
09. Pilgrim's Address


CD2
01. Jigsaw
02. Freaks
03. Lucky
04. Internal Exile
05. Market Square Heroes
06. Grendel
07. The Company




11 de mar de 2015

OMEGA - "Oratórium" - 2013

Eu sempre fui muito fã do “Omega”, mas depois de escutar este álbum, “Oratórium” lançado em 2013, eu passei incondicionalmente a ser um fã de carteirinha, pois nunca tinha visto e/ou ouvido tanta grandiosidade musical executada de forma tão Franciscana, ou seja, com simplicidade e isto pode ser observado nos vídeos abaixo.

Antes até de tecer algum comentário sobre este álbum, acredito que seja prudente dar uma pequena ideia das origens do “Omega”, uma banda de rock da Hungria, mais precisamente de Budapeste, formada no final do ano de 1962, tendo como inspiração inicial a música dos Beatles e posteriormente das bandas de rock psicodélico.

O primeiro álbum, “Trombitás Frédi és a Rettenetes Emberek” foi lançado em 1968 e desta data até 1975, foram lançados um total de dez álbuns, onde o estilo predominante da banda era a fusão do Pop com o Rock’n Roll convencional e o sucesso foi tanto, que alguns álbuns tiveram as músicas cantadas na língua Húngara e em Inglês.

Catedral de Szegedi
Entre 1976 e 1987, influenciados pela música do Pink Floyd e do Eloy, lançaram mais onze álbuns, entretanto, houve um hiato de uns oito anos, com a dissolução da banda por problemas de ordem criativa, reunindo-se novamente em 1995, para o lançamento do álbum, “Trans And Dance”, e atém onde consegui apurar lançaram neste período mais nove álbuns de estúdio, mantendo-se na ativa até hoje.

“Oratórium” pode ser encarado como uma agulha num palheiro de mil hectares cúbicos, pois fazer este tipo de música nos dias de hoje para quem não é familiarizado pode parecer até um ato de suicídio musical, entretanto, certamente podemos encarar este álbum como um ato de coragem.

Tendo como pano de fundo o lindíssimo som do órgão de “László Benkő”, aliás, membro fundador da banda junto a “János Kóbor”, a instigante voz do Omega, mais uma pequena orquestra e coro, juntos produziram um dos álbuns mais significativos que escutei nos últimos vinte anos, deixando muita banda tradicional e conhecida para trás.

Igreja de Debreceni
Interessante que todas as músicas cantadas, estão na língua nativa, isto é, não é possível entender o que é dito (pelo menos para mim), mas isso de forma alguma tira o encanto que estas músicas produzem ao serem ouvidas, chegando a emocionar de verdade.

Esta percepção me faz pensar que a música é uma linguagem universal que tem o dom de atingir os nossos mais profundos sentimentos mesmo quando não temos o conhecimento de seu significado direto, pois mesmo as músicas que são mais cantadas, tendo como apoio uma leve instrumentação, chamaram muito a minha atenção.

É o tipo de álbum que dá para deixar o som rolar da primeira à última faixa sem o menor constrangimento e dentre estas músicas destaco, “Ne legyen”; “En elmegyek”; “Boldog angyalok”; “Koncert a Mennyben” e “Az egben lebegok csarnoka”, mas tenham fé que as demais músicas também são muito boas.

Os vídeos postados abaixo dão uma dimensão muito interessante e esclarecedora sobre as músicas deste álbum que consequentemente viraram um belíssimo show dentro da Catedral de Szegedi, localizada nos arredores da cidade de Szeged e também na grande Igreja de Debreceni na cidade de Debrecen em mais uma lição de cidadania e educação dada por um país do Leste Europeu, portanto, o convite a estes vídeos e ao álbum de estúdio está feito.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!

Musicians:
János Kóbor / lead and backing vocals
László Benkő / keyboards
Ferenc Debreceni / drums and percussion
Zsolt Gömöry / keyboards
Tamás Szekeres / guitar
Kati Szöllössy / bass
Orchestra Nyíregyházi Cantemus Kórus / choir

Tracks:
01. Les Preludes - Nyitány (F. Liszt) (0:46)
02. Hajnal a város felett (5:46)
03. Egy életre szól (4:35)
04. Boldog angyalok (5:19)
05. A legenda (4:57)
06. Az éjszakai országúton (3:34)
07. Ne legyen (5:30)
08. Ballada a fegyverkovács fiáról (4:04)
09. Álmod őrzi egy kép (3:15)
10. Én elmegyek (5:27)
11. Megszentelt világ (5:32)
12. Szállj le hozzánk angyal (Ördögi cirkusz) (4:27)
13. Koncert a Mennyben (4:15)
14. Egy új nap a Teremtésben (4:26)
15. Az égben lebegők csarnoka (2:40)
16. Les Preludes - Finálé (F. Liszt) (0:58)



27 de fev de 2015

TRION – “Tortoise” – 2003

Este álbum, “Tortoise”, chegou ao meu conhecimento por conta da inspiradora capa, que a principio julguei ser mais uma obra de Roger Dean, o mago do Design moderno, mas para meu espanto, quem assina a capa é Jasper Joppe Geers, que gentilmente dedicou esta arte a sua fonte de inspiração: Roger Dean.

Descoberto o autor da capa, faltava descobrir quem eram os músicos, mesmo antes de escutar o álbum, portanto, cheguei à Edo Spanninga, Eddie Mulder e Menno Boomsma, o trio que forma o “TRION”, produtor de um progressivo sinfônico instrumental muito bom, sem muitas firulas, até certo ponto pragmático e cartesiano.

Com essas características a possibilidade dessa química dar certo é muito grande e é o que realmente acontece neste álbum, pois são faixas bem dinâmicas, lastreadas por temas ricos em nuances líricas, que sustentam o enredo em toda a sua extensão, seja qual for a música.


Um ponto favorável a audição deste álbum é que ele não se parece com nada que já tenha escutado e muito menos tenha alguma semelhança com alguma banda mais marcante e conhecida, portanto ele tem uma dose de ineditismo em seu DNA, conferindo certa singularidade à banda e ao álbum.

Como o grupo faz parte de uma fase do progressivo tardio, pela data de sua criação, podemos classifica-lo como originário da terceira geração do rock progressivo, pois caracteristicamente suas músicas são bem curtas, chegando a um máximo de oito minutos, entretanto, o que se observa é que para este álbum, elas estão na medida certa, facilitando em muito sua audição, principalmente para os ouvintes mais jovens, o que o torna um atrativo.

Este álbum, “Tortoise” é o primeiro de três da banda que é originária da Holanda e seus membros são oriundos de outras duas bandas, o “ODYSSICE” e a “FLAMBOROUGH HEAD” formando este consistente trio que tem como espinha dorsal o uso dos mellotrons, que, aliás, é parte do nome da banda, pois a contração das palavras “trio” e “mellotron” gerou o nome “TRION”, muito criativo não? 

Mesmo ouvindo pouco este álbum, dá para destacar algumas músicas que chamaram a atenção como, “Tortoise”, “The New Moon”, “Jemetrion”, “Tribulation” e “Endgame”, logicamente as com mais duração e fora isso, as que se mostraram mais consistentes e sofisticadas.

O trio é muito coeso, sendo muito bem sustentado pelos órgãos e mellotrons de Edo Spanninga, que consegue criar diversas atmosferas que nas mãos de Eddie Mulder, propiciam solos de guitarra que flutuam com muita facilidade sobre o enredo, sendo muito bem costurados pela percussão de Menno Boomsma, ou seja, diversão garantida, pois é isso que importa.

Eu acredito que quando uma música, seja ela qual for, chega a categoria de “Divertimento”, pois tira o ouvinte momentaneamente da realidade, isto significa que ela atingiu seu objetivo máximo que é encantar o nosso consciente, abrindo as portas do nosso coração musical, portanto, esta feito o convite a todos para este álbum. 


ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!


Musicians
Edo Spanninga / flute, oboe, strings, organ, cello, vibe, Mellotron samples, Elka leslie
Eddie Mulder / acoustic and electric guitars, bass
Menno Boomsma / drums

Tracks Listing
01. Tortoise (5:25)
02. The New Moon (7:59)
03. Hindsight (3:33)
04. Radiation Part 1 (1:27)
05. Jemetrion (6:05)
06. Radiation Part 2 (1:16)
07. The Seagulls (5:53)
08. Hurt (1:47)
09. Tribulaton (7:03)
10. Spectrum of Colours (3:17)
11. Endgame (5:39)

LINK


16 de fev de 2015

V. A. - “The Many Faces of Yes..... A Journey Through The Inner World of Yes” - 2014

YES, eu não curto carnaval!!! Mas nada contra com quem curte, pois afinal de contas, a tribuna aqui é livre e cada um faz o que quer!!! E por falar em Yes, existe uma coleção musical intitulada, “Many Faces Of.....”, que já fez o favor de homenagear o Pink Floyd, Deep Purple, Ozzy Osborne, Led Zeppelin e agora, chegou a vez do Yes com o lançamento do álbum, “The Many Faces of Yes..... A Journey Through The Inner World Of Yes”.

Muito legal essa compilação, que é feita a partir extrações do álbum, “The BBC Sessions”, com os primórdios musicais da banda, com os projetos pessoais de seus músicos antes e/ou depois do YES (... só estranhei a falta de algum material de Jon Anderson...) e também com covers do "Pink Floyd", "Genesis" e pasmem, até do “Boston”, com seu principal hino, “More than a feeling”, no mínimo, um fato inusitado.


No primeiro CD, temos a integra do álbum, “The BBC Sessions”, com músicas dos álbuns de 1969 e 1970, respectivamente, “YES” e “Time And Word”, que naquela época, já indicavam o futuro promissor que a banda teria na década de setenta e por seu grande legado, permitiria que mais de quatro décadas após, ainda estivesse “NO AR”, mesmo com todos os problemas que muito bem conhecemos.

Destaco a coragem do Yes em utilizar uma música emblemática, como, ”Every Little Thing” dos “Beatles”, imprimindo a sua marc e criando uma nova leitura, sem se preocupar com sua origem, que talvez tenha o mais forte e importante “pedigree musical” de todos os tempos da história da música contemporânea. 

Não satisfeitos fizeram o mesmo com a música, “No Opportunity Necessary, No Experience Needed”, composta originariamente por “Richie Havens”, um dos músicos mais influentes e atuantes da “Folk Music” que encantou o mundo com sua participação na abertura do “Festival de Woodstock”, estando em cena até abril de 2013 quando de seu falecimento.

As demais músicas são clássicos imortalizados que a própria história já se encarregou de dar o tratamento devido, portanto, apenas para destacar, vamos lembrar-nos de “Dear Father”, “Sweet Dreams”, “Astral Treveller” e “Then”

Chegando ao segundo CD, “Projets Before and After Yes”, temos uma miscelânea musical, composta por diversas influências que necessariamente não tem ligação direta com a música do Yes, o que torna esta parte do projeto muito interessante.

Bandas como o “The Buggles” de “Geoff Downes e Trevor Horn”, “Flash” que conta com a participação “Peter Banks”, “The Syn” com Chris Squire, contribuem com musicas mais tendentes ao Pop, mas com um tratamento sofisticado em suas composições.

Por outro lado, Rick Wakeman aparece com musicas do Yes e uma única música autoral, a legendária, “Catherine Howard”, mas faço questão de destacar em especial a música, “The Revealing Silence Of God”, do não menos legendário álbum, “Tales From Topographic Oceans”, o estopim de sua primeira saída da banda, que talvez em sua própria época não tenha sido compreendido por ele, mas que anos depois teve o seu devido reconhecimento, aqui registrado.

As músicas “América” e “Long Distance Runaround” também estão sob a batuta de Rick Wakeman, assim como o “Asia” se fez presente com as músicas, “Here Comes The Feeling” e “Sole Survivor”, verdadeiros clássicos da banda e leais representantes do rock progressivo dos anos oitenta.

Finalmente chegando ao terceiro CD, “Playin Their Favourite Songs”, temos como principal homenageado, o "Pink Floyd", com peças de “The Dark Side Of The Moon” e “The wall” extraídas de diversos álbuns tributo à banda, bem como uma faixa dedicada ao “Genesis”, com a música “Los Endos” (sensacional), com participação de “Patrick Moraz” e outra dedicada ao “Boston” com a música, “More than a feeling”, que contou com a participação de “Alan White” e “Tony Kaye”.

Resumindo, tem música suficiente para agradar a Gregos e Troianos, pois há uma grande diversidade musical nesta compilação, portanto, como de costume, fica o meu convite à audição deste álbum triplo que tem fortes convicções para divertir e entreter, em meio às comemorações carnavalescas.


ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!


Tracks:

CD1 - The BBC Sessions01. Then (4:19)
02. Sweet Dreams (3:27)
03. Looking Around (3:40)
04. No Opportunity Necessary, No Experience Needed (4:16)
05. Everydays (5:54)
06. Astral Traveller (5:47)
07. Every Little Thing (6:38 )
08. Sweetness (4:14)
09. Something's Coming (7:39)
10. Dear Father (5:34)
11. For Everyone (4:36)

CD2 - Projects Before and After Yes
01. Rick Wakeman — Catherine Howard (9:14)
02. Flash — Lifetime (10:07)
03. Syn — Flowerman (2:34)
04. Peter Banks — Last Eclipse (2:27)
05. Rick Wakeman — The Revealing Silence Of God (7:57)
06. Syn — 14 Hour Technicolour Dream (2:57)
07. Flash — Monday Morning Eyes (5:12)
08. Rick Wakeman — Long Distance Runaround (3:25)
09. Asia — Sole Survivor (6:16)
10. Rick Wakeman — America (10:00)
11. Asia — Here Comes The Feeling (5:26)
12. Buggles — Video Killed The Radio Star (3:21)

CD3 - Playin' Their Favourite Songs
01. Breathe (4:41)
02. Money (6:22)
03. Brain Damage (3:28 )
04. Comfortably Numb (6:52)
05. The Great Gig In The Sky (4:39)
06. In The Flesh? (3:04)
07. Los Endos (5:59)
08. Us And Them (7:34)
09. On The Run (3:16)
10. Goodbye Blue Sky (2:41)
11. Eclipse (1:49)
12. More Than A Feeling (4:39)


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