Rádio Nas Ondas da Net

03/04/2014

ROLLING STONE - "Pink Floyd - O Guia Definitivo" - 2014

Saiu bem recentemente uma edição especial da revista Rolling Stone, trazendo “Pink Floyd - O Guia Definitivo, com muitas histórias, entrevistas exclusivas, a discografia comentada, realmente muito bem produzida com diversas ilustrações ao preço de R$ 25,90, o que é uma quantia bem razoável para a qualidade do material ofertado.

Entretanto, que me desculpem os editores da revista, mas sou obrigado a discordar de um ponto, pois um ícone da música com a magnitude do Pink Floyd, jamais terá uma história “definitiva”, mesmo porque enquanto houver um único membro da banda vivo, mesmo fora dos estúdios e dos palcos com o logo do Pink Floyd, sua essência estará sempre entre nós e mesmo depois que os membros remanescentes se forem, sempre haverá um novo fato a respeito do Pink Floyd a ser revelado mantendo a chama acesa sobre a banda.

O Pink Floyd vai muito além de seus próprios criadores, pois não é o simples nome de uma banda ou grupo, por ter se tornado uma “entidade”, que está acima do bem e do mal, que é um fenômeno mercadológico sem precedentes na história da indústria fonográfica (mesmo que acéfala), atravessando décadas com todos os seus álbuns ainda em catálogo, sendo vendidos desde supermercados até as lojas mais especializadas do ramo.

Outro fato incontestável é que o numero de fãs vai crescendo de geração em geração, independente do momento social ou das tendências musicais, que hoje em dia se modificam na velocidade da internet, bastando postar um simples vídeo no Youtube para que em pouquíssimas horas ele tenha sido acessado por centenas de milhares de internautas, entretanto nada parece abalar o caminho do Pink Floyd que em escala geométrica, mantém seu crescimento.

O DNA do Pink Floyd foi construído à partir da história de vida de cinco seres humanos, com seus medos e angustias, momentos de arrogâncias e prepotência, mas acima de tudo com muita garra, inteligência, talento e inspiração, que com o desenrolar dos acontecimentos, foi se revelando e guiando a trajetória do grupo rumo a sucesso. 

Não foi nada fácil chegar até onde estão merecidamente ainda estão chegando, uma vez que passaram por toda a sorte de acontecimentos, desde os problemas que prematuramente tiveram com a doença mental de Sid Barrett, muito provavelmente provocada pelo consumo maciço de drogas pesadas, o que culminou com a sua expulsão da banda, uma vez que não conseguia mais se controlar e consequente produzir e neste momento um cérebro privilegiado era vencido por uma das mais nefastas formas de desgraça que pode se abater sobre o homem, as drogas.

Este fato acontece logo nos primeiros anos de vida da banda, onde todos muito inseguros com o futuro da banda tocaram com muito sucesso a vida adiante até o momento da separação onde o ódio mútuo ficou evidente em meio a brigas judiciais intermináveis pelo direito de uso da marca Pink Floyd.

Todos os fatos marcantes que cercaram a vida da banda, estão muito bem documentado nesta Edição Especial da Rolling Stone, com uma serie de informações e detalhes que dão a dimensão do que foi e ainda é carregar o peso da legenda Pink Floyd.

Para acompanhar esta leitura, recomendo a audição do bootleg, “Frankfurt Stop Over” com data de novembro de 1972, trazendo a integra do pré-álbum, “The Dark Side Of The Moon” que só seria lançado em março de 1973, mais algumas peças importantes como, “One Of These Days” e “Echoes” do álbum “Meddle” lançado em outubro de 1971; a música, "Set the Controls for the Heart of the Sun" do álbum, “A Saucerful of Secrets” e finalmente a música "Careful with That Axe, Eugene" do álbum “Ummagumma”.

Vale ressaltar que a versão da música “The Great Gig In The Sky” nesta apresentação está apenas em um formato embrionário instrumental, sem aquele vozeirão feminino que estamos tão acostumados a ouvir.

Curiosamente neste bootleg, não figura nenhuma música do álbum, “Obscure By Clouds”, lançado em junho de 1972, ou seja, com data anterior a deste bootleg que como consta na capa é de novembro de 1972, portanto este enigma Pinkfloydiano vai permanecer ecoando em nossas cabeças até o fim dos tempos.

Neste momento só resta a mim, recomendar à todos a leitura desta fascinante história de vida destes cinco músicos e de quase todos os eventos que envolveram a banda, pois acredito que ainda há muitas histórias a serem contadas, bem como escutar o bootleg, “Frankfurt Stop Over”, uma declaração de amor a música, feita apenas com garra, talento e nada mais.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Pink Floyd
Roger Waters
David Gimour
Nick Mason
Rick Wright

Tracks:
101 - Speak To Me
102 - Breathe In The Air
103 - On The Run
104 - Time
105 - Breathe Reprise
106 - The Great Gig In The Sky
107 - Money
108 - Us And Them
109 - Any Colour You Like
110 - Brain Damage + Eclipse
201 - One Of These Days
202 - Careful With That Axe, Eugene
203 - Echoes
204 - Set The Controls For The Heart Of The Sun

LINK

Neste Vídeo, está a imagem mais esperada que todo fã da banda gostaria de ver!!!
Foram quase 25 anos de espera por este momento!!!


“Frankfurt Stop Over”

15/03/2014

GENESIS - "Live at the Rainbow Theatre" - 1973

Quando a música é boa, tem essência, tem uma história, ela fatalmente se perpetua e quanto mais o tempo vai passando, mais forte e presente vai ficando e essa percepção é muito fácil de entender, pois quando comecei a me interessar por música, há uns quarenta anos passados, meu pai além de MPB e Jazz escutava muita música clássica, que teoricamente em meu entendimento naquela época, era um hábito musical de gente “velha”.

Legal né, além do rock progressivo que eu tanto amo, eu também escuto muito a musica clássica, então, por conseguinte eu também sou um “velho”, certo? Não, errado!!!

Eu escuto a música clássica por conta de sua qualidade, da sua história, das suas origens, e este fenômeno está se repetindo com o rock progressivo, que já é um quarentão, que na sua puberdade quase sucumbiu por razões diversas, mas foi inteligente o suficiente, para “se fingir de morto” por um pequeno espaço de tempo e poder continuar sua trajetória.


Essa é uma questão que me persegue, porque para alguns pareço um louco por estar escutando sempre as mesmas “velhas” músicas e canções, mas o que muitos não conseguem compreender é que por não serem descartáveis, nem representantes de um momento específico (e.g. “Carnaval”), elas realmente se perpetuam em nossas vidas de tal forma, que quando escutadas por nós que realmente às amamos, parece que sempre escutamos algo novo.

O caso é tão sério, que se notaram, há bem pouco tempo coloquei um “Plug-in” de uma Rádio, no topo da página e a primeira “música” que começa a tocar, é a íntegra do álbum, “Tales From Topographics Oceans”, do Yes e o resultado é que ainda não consegui chegar ao álbum seguinte, pois não tenho coragem de pular o álbum, por razões óbvias, mesmo sabendo que há uma interessante seleção musical a minha espera na sequencia.

Há quem torça o nariz para as gerações seguintes que sucederam as bandas do rock progressivo clássico dos anos setenta, mas tudo bem, gosto é algo pessoal, intransferível e merece todo o nosso respeito, entretanto, estas gerações seguintes foram o esteio necessário para a longevidade de seus antecessores, portanto, só resta agradecer a bandas como o Marillion, IQ, Pendragon, Pallas, Procupine Tree, Glass Hammer, Citizen Cain e tantas outras que por também amarem o rock progressivo, proporcionaram aos seus ídolos a longevidade eterna.

Se não fosse assim, eu não poderia estar publicando mais uma vez, algo sobre o Genesis, um fenômeno musical, que nos anos setenta, junto a bandas como o Pink Floyd, Yes, ELP, Camel, Jethro Tull, Eloy, PFM e mais um sem numero de outras bandas de mesma grandeza, que promoveram uma nova ordem e um renascimento musical que até hoje influencia o nascimento de novas bandas que seguem o estilo e modifica outros, como no caso do mundo do “metal”, com o surgimento de novas bandas de metal sinfônico.

Muito bem, desta vez a gravação é de um show feita em fevereiro de 1973, no legendário Rainbow Theatre, palco de grandes e antológicas apresentações e desta feita, o personagem principal foi o Genesis, com sua clássica formação frente aos seus instrumentos e microfone.

Quanto às músicas, até então já haviam sido lançados os álbuns, Trespass, Nursery Crime e Foxtrot, com o álbum “Selling England By The Pound” ainda no forno, pois só seria lançado oficialmente em outubro deste mesmo ano, portanto, as músicas, Dancing With The moonlit Knight, “I Know What I Like”, “Firth Of Fifth”, “More Fool Me” e “The Battle Of Epping Forest”, estavam sendo colocadas à prova antecipadamente e junto delas mais dois super clássicos, “Watcher Of The Skies” e “Supper's Ready", sendo esta última para mim, simplesmente inigualável, inimitável e indestrutível, pois nem Phil Collins conseguiu destruí-la quando assumiu o controle da banda após a saída de Peter Gabriel.

Comentar as músicas ou seus músicos, nem pensar, pois existem centenas de milhares de blogs que já devem ter escrito de tudo e eu mesmo em outras ocasiões também escrevi bastante sobre o Genesis, no entanto gostaria que este álbum, “Genesis Live At the Rainbow Theatre”, servisse como um bom exemplo do que é uma música perpetuada.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Genesis:
Peter Gabriel
Steve Hackett
Mike Rutherford
Tony Banks
Phil Collins

Tracks:
01 - Watcher Of The Skies
02 - Dancing With The moonlit Knight
03 - I Know What I Like
04 - Firth Of Fifth
05 - More Fool Me
06 - The Battle Of Epping Forest
07 - Peter Gabriel & Phil Collins - Green Grass Tale (Duo Performance)
08 - Supper's Ready



08/03/2014

FONYA - "Perfect Cosmological Principle" - 1998

Continuando a minha saga para encontrar bandas de rock progressivo fora do eixo convencional da Europa como a Inglaterra, Alemanha, Itália e outros, eu indico agora a banda Fonya,  originária dos EUA, a princípio um duo formado pelos irmãos Fournier, Chris e Phil, sendo o primeiro multi-instrumentista e o segundo o vocalista.

O Fonya produziu sete álbuns de estúdio entre os anos de 1992 e 2000, entretanto resolvi começar pelo quarto álbum, "Perfect Cosmological Principle" lançado em 1998, pois além das músicas inéditas, nele está contida uma homenagem ao YES, com uma pequena parte de “The Gates of Delirium” extraída da gravação álbum ao vivo, "Yesshows" e que está refletida na  música, “Delerium's Gate”, última faixa deste álbum.

Aproveitando a oportunidade, coloquei duas faixas bônus, onde mais uma vez o Fonya surpreende pela coragem e competência em executar as musicas do Premiata Forneria Marconi e do Camel, que foram extraídas dos álbuns, “Zarathustra’s Revenge”, um álbum tributo ao rock progressivo Italiano e do álbum “Harbour of Joy”, um tributo ao Camel, ambos postados aqui no blog anteriormente.

Falar em Fonya chega até ser engraçado, pois é uma banda de um só músico, no caso Chris Fournier, pois seu irmão Phil, apenas participou do primeiro álbum emprestando sua voz, com Chris executando todos os instrumentos neste e nos demais álbuns.


Chris tem uma formação musical invejável, pois muito cedo começou a ter aulas de baixo e quando começou a aprender a ler música, foi capaz de aprender guitarra, teclados e bateria sozinho e após sua primeira graduação,  na Maine's Cheverus High School, ele passou por cerca de seis anos, animando festas junto com seu irmão, o que permitiu que pudesse sobrevier neste período, mas como era e é um amante do rock progressivo, ele comprou um gravador de quatro pistas e começou a compor suas próprias músicas de teor progressivo.

Para ele isto era muito pouco, pois sua sede de saber era muito grande, então ele se formou em eletrônica pelo Southern Maine Technical College e em seguida cursou o curso de engenharia eletrônica na University of Maine e com toda essa bagagem acadêmica, associada a sua inteligência musical, finalmente ele pode por em prática seu sonho de ser um músico completo e poder externar sua satisfação através da sua música.

Caracteristicamente é um som eletrônico, que lembra o Tangerine Dream, entretanto menos experimental e mais voltado para o rock progressivo sinfônico, uma vez que consegue produzir várias camadas harmônicas pelo diversos teclados que são acionados simultaneamente produzindo a atmosfera e o cenário característico deste tipo de música.

"Perfect Cosmological Principle" é um álbum altamente viajante, dinâmico, lembrando uma trilha sonora de filme de ficção científica por conta da riqueza estrutural de suas composições que realmente nos remetem ao rock progressivo dos anos setenta.

O álbum conta com duas suítes, Flight of the Rigel Orion e Uniform Expansion and the Perfect Cosmological Principle que revelam esta fantástica experiência, assim como a música, “Delerium's Gate”, que é uma prova de admiração e respeito por uma das obras mais importantes do YES.

A rigor o álbum inteiro é muito bom, completamente envolvente, em momento algum, no meu caso deu aquela maldita vontade de pular uma faixa sequer e ao contrario disso, tive que em alguns casos voltar uma faixa, pois a atração pela música foi imediata. 

Portanto, fica o convite para quem ainda não conhece a obra do Fonya, a ter contato com um novo universo musical, muito rico, inteligente e inspirador, que revela um talento musical pouco conhecido, que tem por nome “Chris Fournier” e para aqueles que já conhecem seu trabalho, fica o convite para relembrar de sua adorável música. 


ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Fonya:
Chris Fournier / all instruments; all music, except for track 7 (by YES)

Tracks:
01. Tetrabiblos (Ptolemy, 200 AD) (9:36)
02. Spiral Structure in Virgo (4:50)
03. Flight of the Rigel Orion (14:02)
     a) Approaching Arctana (4:22)
     b) Compression (5:51)
     c) Spirit of Sunshine (3:41)
04. Mare Nektaris (6:27)
05. Flash Spectrum Scanning Helium Horizon (9:13)
06. Uniform Expansion and the Perfect Cosmological Principle (19:43)
     a) One Hundred Million Years (5:31)
     b) Expansion (5:31)
     c) So Many Parsecs, So Little Time (6:07)
     d) We've Been Here Before 2:13
07. Delerium's Gate (7:36)
Bonus "Ondas":
Fonya plays PFM - Medley
Fonya plays Camel - Eye of the Storm

28/02/2014

A Confraria dos Blogs Apresenta: BANCO DEL MUTUO SOCCORSO - "Come in Un'Ultima Cena" - 1976

Nada acontece sem uma motivação e neste caso, a motivação necessária começou pelo meu total desconhecimento sobre a música do “Banco Del Mutuo Soccorso”, então para suprir esta enorme deficiência musical, fui presenteado pelo amigo Breu Branco, um membro emérito do blog VALVULADO com esta joia rara produzida em 1976 e que se chama, "Come in Un'Ultima Cena".

Entretanto, a motivação infelizmente ganhou um peso extra com o falecimento de “Francesco Di Giacomo”, o homem da poderosa e afinadíssima voz, deixando um tremendo vazio na história do rock progressivo, bem como uma imensa legião de fãs órfãos de sua marcante presença.

Pode parecer até estranho minhas palavras, levando-se em que só tenha escutado algumas vezes um único álbum da banda, porém, quando estamos diante de uma unanimidade musical como o Banco Del Mutuo Soccorso, que nos primeiros acordes impõe sua personalidade e revela a sua vocação para a música, não restam dúvidas de que o que disse não seja apenas uma conjectura, é sim um fato.

“Francesco Di Giacomo”
Diante deste fato, a “Confraria dos Blogs” vai se reunir novamente para prestar uma homenagem conjunta ao Banco Del Mutuo Soccorso que passa por momento inusitado e terrível com a morte prematura de “Francesco Di Giacomo”, divulgando diversos álbuns de sua extensa discografia.

Como pode haver ainda alguns desavisados, assim como eu, do que significa a obra do Banco Del Mutuo Soccorso,  não custa lembrar que seu primeiro álbum é de 1972 e que eles receberam influência direta de bandas como o Genesis, king Crimson, Pink Floyd e o ELP e que até hoje já lançaram mais de quarenta trabalhos entre álbuns de estúdio, gravações de shows em CD’s e DVD’s, compilações e boxset’s, ou seja, não devo estar muito enganado a respeito das qualidades desta banda.

Como toda banda que atravessa décadas trabalhando, não é incomum que as formações se alterem com o passar do tempo e com o Banco Del Mutuo Soccorso não foi diferente e o que pude apurar é que pela banda já teve pelo menos uns quinze músicos diferentes em sua formação, mas não tenho como afirmar se esta alternância de músicos causou algum impacto, seja ele positivo ou negativo sobre as peças musicais que foram surgindo ao longo de sua trajetória.

 "Come in Un'Ultima Cena"
Como navegante de um só álbum, vou me ater ao álbum, "Come in Un'Ultima Cena", muito bom por sinal, para mim uma gratíssima surpresa que infelizmente veio acontecer com certo atraso, algo em torno de 38 anos, mas o que importa é que aconteceu.

O italiano por natureza é muito passional e um tanto trágico e eu pude sentir claramente estas características nas músicas deste álbum o que me obrigou a fazer uma analogia direta com outro grande nome do rock italiano, o Museo Rosembach com seu magnifico álbum Zarathustra, onde a musica é cantada com muita emoção e teatralidade, portanto, não foi difícil gostar deste primeiro encontro com música do Banco Del Mutuo Soccorso.

A sonoridade deste álbum remete diretamente aos anos setenta e nem poderia ser diferente, pois seus músicos atendem a todos os requisitos necessários para que consigam transmitir essa sensação, pois mostraram neste álbum serem exímios instrumentistas e quanto a isso não há a menor dúvida.

Escutar música de uma banda com dois tecladistas foi outro fato que me chamou muito a atenção por não ser comum, mas o resultado foi muito positivo, pois a música ficou mais encorpada o que possibilitou um melhor equilíbrio nos momentos mais densos em que “Francesco Di Giacomo” soltou sua poderosa e teatral voz.

As informações que dei sobre o Banco Del Mutuo Soccorso são poucas, entretanto como a banda será homenageada em diversos blogs ao mesmo, acredito que toda a história dessa banda vá ser contada em mínimos detalhes, portanto, fica o convite a todos a se deliciarem com a obra desta magnífica banda de rock Italiana.


ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

BMS
Francesco Di Giancomo / lead vocals
Vittorio Nocenzi / organs, synthesizers, harpsichord
Gianni Nocenzi / el. and ac. piano, synthesizers, clarinet, recorder
Rudolfo Maltese / el. and ac. guitars, trumpet, French horn and vocals
Pierluigi Calderoni / drums and percussion
Renato D'Angelo / bass, acoustic guitar
Guest musician:
Angelo Branduardi / violin

Tracks:
01. ...a cena, per esempio (6:20)
02. Il ragno (4:55)
03. È così buono Giovanni, ma... (3:32)
04. Slogan (7:23)
05. Si dice che i delfini parlino (5:50)
06. Voilà Mida (Il guaritore) (6:14)
07. Quando la buona gente dice (1:57)
08. La notte è piena (4:14)
09. Fino alla mia porta (4:30)





Confraria dos Blogs ( roubartilhado do VALVULADO):
Contramão Prog Rock - BMS - Garofano Rosso
Som Trimado - Discografia
Som Mutante - Gli Anni Setenta
Nas Ondas da Net - "Come in Un'Ultima Cena" - 1976
Valvulado - Banco Del Mutuo Soccorso (Uma homenagem a Franceso di Giacomo)
(Por enquanto...)

21/02/2014

ILÚVATAR - "Children" - 1995

Agora bem recente, nosso amigo Luciano, frequentador deste blog, lançou uma pergunta no ar, que botou a moçada, inclusive eu, para queimar alguns neurônios para responder qual o país que ofereceu as melhores bandas de rock progressivo e logicamente a respostas foram as variadas o possível, pois depende da preferência de cada um independente da nacionalidade, mas o continente todo mundo acertou em cheio, pois só os países da Europa foram citados, mesmo porque o movimento musical começou por aquele continente, portanto nada mais justo a concentração de bandas.

Entretanto, existe vida musicalmente inteligente fora da Europa, portanto a proposta desta resenha é a de trazer uma banda fora do eixo europeu e eu imediatamente pensei nos caipiras progressivos do “Kansas”, mas esta banda é um ponto fora da curva, é excelente por natureza e já conta com o devido reconhecimento internacional, então, por que não pensar em algo mais alternativo como o “Ilúvatar”, uma banda tão americana quanto à anteriormente citada só que bem menos conhecida, mas que carrega um fortíssimo DNA progressivo em suas músicas.


Este blog teve o início das suas atividades em fevereiro de 2010 e em março deste mesmo ano eu postei um álbum do “Ilúvatar”, intitulado “Children”, mas só que nesta época a frequência do blog não passava de uns cinco acessos diários, então a resenha teve como resultado, um fracasso total, uma verdadeira lástima, não para o blog, mas sim para o álbum e para banda, que são muito bons, mas se perderam no deserto em que se encontrava este espaço.

“Ilúvatar” foi criado em Baltimore, Maryland, USA, em 1992, lançando quatro álbuns oficiais que são o “Ilúvatar” em 1993; “Children” em 1995, “Sideshow” em 1997 e finalmente em 1999 lançaram, “A Story Two Days Wide” completando a curta, mas excelente discografia, desta banda tardia, praticamente situando-se na terceira geração do rock progressivo ou como gostam de classificar, uma banda de Neoprog.

Apesar de contar com toda a discografia da banda, fiz questão de retornar ao álbum “Children”, por considera-lo um de seus melhores trabalhos, que merece ser conhecido e explorado, por conta de suas características progressivas em plena metade dos anos noventa, um verdadeiro ato de coragem e ousadia destes músicos.

Apenas para situar a banda no contexto musical da década de noventa, cabe lembrar que Neoprog nos USA em plena ascensão do movimento Grunge chega ser uma situação surreal para aquela época e por isso tenho a maior consideração e respeito pelo trabalho do  “Ilúvatar”.

A banda buscou na obra do Pink Floyd, Marillion, IQ, Pendragon, Yes e Genesis a inspiração para poder com muita personalidade e criatividade ter sua própria obra, que tem como marca registrada, belos arranjos e um vocal pitoresco, que muitos teorizam como “influenciado” por Peter Gabriel, mas honestamente não consigo fazer esta analogia, pois nem no modo de cantar e muito menos no tipo de timbre vocal eles se parecem.

Os arranjos são muito sofisticados e bem elaborados onde se nota claramente o dueto guitarra e teclados dando a tônica da essência da banda no modo de compor, que é feita de forma muito harmoniosa e equilibrada, proporcionando longos momentos viajantes que são quebrados por solos de guitarra e teclado que claramente mostram a vocação dos músicos, aliás, todos muito bons músicos.

As musicas deste álbum não soam monotônicas isoladamente e nem entre elas, o que por si é uma qualidade rara, pois em muitos casos é possível escutar alguns álbuns de bandas mais recentes que dão a impressão que só tem uma única música divida em atos, por serem muito repetitivas estruturalmente, mas isso talvez seja uma característica musical do início dos anos setenta que foi sendo suprimida ao longo das décadas seguintes por razões óbvias já exaustivamente discutidas.

Neste álbum, a formação da banda sofreu uma pequena alteração em relação ao álbum anterior com a saída de Mick Trimble e a entrada de Dean Morekas no baixo, permanecendo Gary Chambers na bateria, Glenn McLaughlin nos vocais e percussão, Dennis Mullin nas guitarras e Jim Rezek nos teclados. 

São apenas oito músicas neste álbum e apenas para pontuar, assim como fiz na primeira resenha, novamente elejo “The Final Stroke” como a música que mais me chamou atenção, portanto, fica o convite a todos para realizar uma interessante viagem musical na nave “Ilúvatar” rumo ao desconhecido.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Musicians:
Gary Chambers / drums, percussion, back vocals
Glenn McLaughlin / lead vocals, percussion
Dean Morekas / bass, back vocals
Dennis Mullin / guitars
Jim Rezek / keyboards

Tracks:
01. Haze (6:43)
02. In Our Lives (6:35)
03. Given Away (6;39)
04. Late Of Conscience (8:56)
05. Cracker (5:59)
06. Eye Next To Glass (4:56)
07. Your Darkest Hour (5:04)
08. The Final Stroke (12:29)

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