1 de mai de 2016

BLUE MAMMOTH - “Stories Of A King” - 2016

Hoje em dia está muito difícil postar algo realmente novo no blog por falta de material de qualidade, entretanto, tenho sido surpreendido por músicos aqui do Brasil, o que para mim é o máximo e agora, chegou a vez do Blue Mammoth com seu segundo e mais novo álbum, “Stories Of A King”, lançado em 25 de abril deste ano, está recheado com histórias viajantes, mescladas ao som do antigo e do novo rock progressivo.

Em uma breve troca de e-mails esta semana com Julian Quilodran, baixista e produtor da banda, ele me comentou da grande dificuldade em poder realizar este novo álbum, mas como não entrou em maiores detalhes, acredito que tendo em vista que o estilo da música é muito pontual, tem um público muito específico, obrigatoriamente é necessário ativar os neurônios para poder entende-la, pude perceber que trata-se de uma produção independente, feita na Masque Records, onde certamente tiveram que se virar e fazer de tudo, deste a produção até a divulgação e distribuição, portanto, além de excelentes músicos, são heróis também.



O dinamismo é a tônica deste álbum em suas dez composições que tiveram início no álbum anterior, de nome homônimo à banda e foram maturadas por um longo tempo até chegar ao seu estágio final, onde são contadas histórias de vida e de fatos de diferentes personas com muita intensidade e sofisticação pelas mãos destes talentosos músicos, e cabe também ressaltar que a belíssima capa capa deste álbum é um projeto de Julio Zartos que já havia feito a capa do álbum anterior.


Quando me refiro ao dinamismo, quero me referir ao movimento de ideias, intensidade variável das músicas, ao lirismo e ao poder supremo e a vários outros sentimentos que podem ser percebidos ao longo do álbum e não raramente em uma única música, dada ao tom passional e teatral das letras, bem como da sua interpretação que é elevada ao máximo com um enredo de harmonizações e solos complexos e sofisticados, criando uma atmosfera altamente viajante, somente encontrada quando estamos diante de algo realmente diferenciado, de bom gosto e consequentemente com qualidade anos luz acima do que ultimamente somos submetidos, principalmente aqui no Brasil.


Daqui para frente amigos, para não parecer sapiência disfarçada de gosto pessoal, é realmente gosto pessoal, portanto, eu não poderia deixar de apontar algumas músicas que me causaram espécie pelo elevado grau de sofisticação e beleza, como “The Endless Road”; “Childrens Far”; “Nobody’s Hero”; “Perfects Dreams”; “Reflections of a Deaths” (essa é fodástica) e “Waiting Room”, que poderiam facilmente ter a assinatura de qualquer outra grande banda de rock progressivo do passado e do presente, dada a sua qualidade, mas graças ao talento e inteligência destes músicos, tem a assinatura do “Blue Mammoth”, muito bom mesmo.

Este álbum como um todo, realmente superou as minhas expectativas, pois o primeiro álbum já tinha sido um trabalho excepcional e esse realmente foi muito mais além do que eu poderia imaginar, pois claramente nota-se o amadurecimento de ideias, o grande esmero de sua produção, e o principal, a qualidade de suas músicas, portanto, sem maiores delongas só nos resta recomendar muito este álbum.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Musicians
Julian Quilodran / bass, cello, flute, backing vocals 
Andre Micheli / keyboards, lead vocals
Thiago Meyer / drums, percussion, backing vocals
Vinícius de Oliveira / guitars, bass, backing vocals
With: 
Cesar Aires / guitars, backing vocals
Tracks
01. Endless Road (7:28)
02. Children's Fear (5:09)
03. Lonely Flight (7:46)
04. Flying Free (6:12)
05. Nobody's Hero (6:10)
06. Perfect Dreams (6:41)
07. The Reign (7:19)
08. Reflections of Death (7:12)
09. Wrong Ways (5:36)
10. Waiting Room (7:14)

Créditos: todas as imagens extraídas do site, http://www.bluemammothband.com/ 


20 de abr de 2016

Johann Sebastian Rio - "O Maestro Provisório" - 2016



Em cartaz no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. 
Dia 24 de Abril de 2016

Fundada em 2014, a orquestra Johann Sebastian Rio fez seu primeiro concerto ao vivo com enorme sucesso no Theatro Municipal em maio de 2015. 

A orquestra que tem como proposta renovar os formatos de apresentação da música clássica, voltando ao Teatro com o musical "O Maestro Provisório", com texto e direção de Deborah Bapt. 

Foto: Ana Clara Miranda
Estrelado por Kadu Garcia, Letícia Medella, Aramís David Correia e os músicos da Johann Sebastian Rio, "O Maestro Provisório" é uma realização da Johann, faz parte do projeto da Temporada 2016, patrocinado pela Prefeitura do Rio, Secretaria Municipal de Cultura e Anbima (através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura).

Foto: Ana Clara Miranda

A Johann Sebastian Rio tem direção artística de Felipe Prazeres e assessoria artística de Eduardo Pereira e Ivan Zandonade.

O espetáculo é voltado para o público infanto juvenil, contando a história de um palhaço em crise, que reencontra uma amiga palhaça, antiga companheira de circo, e ambos decidem tentar a sorte como maestro e maestrina assistente de uma orquestra

IMPERDÍVEL!!!!


Dia 24 de Abril, 11:30h.
Theatro Municipal, Cinelândia.
Venda de ingressos no site: ingresso.com
R$10,00.




17 de abr de 2016

RICK WAKEMAN - "Starship Trooper” - 2016

CARACA!!!! Daqui para frente não é necessário ler mais nada, apenas escutar o álbum, mas como sou muito teimoso vou continuar escrevendo, pois quando a gente imagina que o cidadão está à beira da aposentadoria, já vestido com pijama listrado e o famoso chinelão de couro, ele nos brinda com um álbum cheio de boas surpresas e com convidados muito interessantes.

As surpresas vão desde algumas músicas que não conheço a autoria, mas são excelentes,  até a alguns covers  para lá de alucinados, pois passam por obras do The Who, Yes (quase um cover dele mesmo), Pink Floyd, The Doors, Supertramp e até o 10CC, reescritos sob a ótica de Rick Wakeman com resultados alarmantemente positivos no álbum de nome muito sugestivo, “Starship Trooper”, lançado no último dia 15 de abril deste mesmo ano. 

Rick Wakeman é um gênio por tudo o que já criou e executou, mas temos que reconhecer que ao longo de sua brilhante carreira, ele sempre esteve muito bem acompanhado de músicos de primeiríssima linha para poder dar vida a suas complexas criações desde os seus primórdios nos idos da década de setenta e agora não foi diferente.

Na linha de frente dos convidados temos Billy Sherwood, Tony Levin, Steve Hillage, Tony Kaye, Willian Shatner (o Capitão Kirk), Steve Howe, Carmine Appice, Jürgen Engler, Colin Moulding, Jerry Goodman, Nik Turner, Jimmy Haslip, Huw Lloyd-Langton, Mickey Thomas e para completar o time, o Nektar.

Tem música para tudo quanto é gosto, pois além de suas próprias composições que estão realmente muito interessantes, com ares setentistas em seus arranjos , ele de forma muito eclética, selecionou vários clássicos da música como, “Love Reign O'er Me” do The Who que se em sua origem já era genial, agora com um pequeno toque progressivo, ganhou mais alguns predicados, pois realmente nunca tinha imaginado escutá-la em uma versão instrumental sem a magnífica VOZ de Roger Daltrey, poderia ser tão linda quanto o seu original. 

Botar as mãos em uma música como “The Great Gig in the Sky” é uma temeridade equivalente a abrir a porta de um Boeing a 18.000 pés de altitude, pois a chance de acontecer uma catástrofe é muito grande, entretanto, estamos nos referindo a Rick Wakeman, e ele como sempre, com sua generosidade faz uma grande homenagem ao Pink Floyd, pois a música manteve o seu encanto agora pelas suas mãos e pelas mãos não menos generosas de Steve Howe, só aplaudindo de pé.

Continuando seu tributo ao Pink Floyd, agora com a música “Nobody Home”, veio a minha mente a imagem de Roger Waters a interpretando juntamente com Rick Wakeman, o que seria algo muitíssimo bem-vindo e inusitado, pois seria juntar duas forças de magnitude estratosférica da música em um único espaço, quase uma fusão nuclear musical. 

Interessante ouvir “Crime of the Century”, um Mega clássico do Supertramp, em um formato
mais sinfônico, diferente de seu original, criando uma nova atmosfera, provando que música boa, é ilimitada, que mexendo aqui e ali, ela se adapta, se recria e que pode atrair magicamente.

Uma bela homenagem a música pop do século passado, um clássico do 10CC, “I'm Not in Love” que tanto embalou os casais românticos, agora mais uma vez envolto em um cenário romântico que manteve o espírito da música, pode sem sombra de dúvidas embalar os casais deste novo século.

Nos últimos anos, não é incomum vê-lo executando “Starship Trooper” em suas apresentações, um Yes, música integrante do “Yes Album” que ele não participou, entretanto, como é um poço de generosidade, coloca a seu lado Tony Kaye que a época de seu lançamento era o tecladista oficial da banda para mais uma vez reviver este sonho de música e logicamente dar o seu toque mágico em “Wurm” onde é o momento em que Rick Wakeman claramente se diverte ao dedilhar seu teclados, pois cada vez que ele a executa, uma nova variação surge sobre o mesmo tema, mais uma vez provando que música boa, é metamórfica.


Não satisfeito, pega um Hiper clássico do rock, como “Light My Fire” do The Doors e o eleva a um outro plano musical completamente diferente de seu formato original, mas ela está lá, intrigante, magnética, agora totalmente sinfônica e a conclusão que chego é que mais uma vez a música venceu o tempo, os preconceitos, está acima do bem e do mal e não aceita desaforos se tiver origem, berço, pois a aura de encanto que a envolve permanece intacta.

Deixei propositadamente para o final, tecer alguns comentários sobre algumas músicas do álbum, uma vez que escutei pouco esse álbum e ainda não tenho uma opinião formada sobre elas, entretanto, não posso me furtar do direito de alertar sobre a música que abre este álbum, “Sober”, pois tinha muito tempo que não escutava algo parecido, tão rock progressivo, música de raiz, visceral, Space Rock e mais uma série de adjetivos que vão surgindo à mente a cada viajante audição.

No caso de Rick Wakeman, sou extremamente suspeito e parcial, portanto desconfiem de tudo o que disse e tirem suas próprias conclusões escutando esse álbum, que para mim provavelmente será o melhor de 2016 e se não for, será um prêmio para todos nós, pois para superá-lo o esforço vai ter que ser hercúleo e o resultado inesperado.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!


Tracks:
01. Sober (feat. Billy Sherwood & Jürgen Engler)
02. Are We to Believe? (feat. Steve Hillage, Billy Sherwood & Jürgen Engler)
03. Random Acts (feat. Jerry Goodman, Nik Turner, Jimmy Haslip, Billy Sherwood & Jürgen Engler)
04. Dynamics of Delirium (feat. Jürgen Engler)
05. Love Reign O’er Me (feat. Huw Lloyd-Langton & Carmine Appice)
06. Crime of the Century (feat. Tony Levin & Billy Sherwood)
07. The Great Gig in the Sky (feat. Steve Howe)
08. I’m Not in Love (feat. Nektar)
09. Starship Trooper (feat. Tony Kaye, Mickey Thomas & Billy Sherwood)
10. Check Point Karma (feat. Colin Moulding & Billy Sherwood)
11. Change (feat. William Shatner & Billy Sherwood)
12. Nobody Home (feat. Billy Sherwood)
13. Light My Fire (feat. Steve Howe & Jürgen Engler)

LINK


13 de abr de 2016

LOBÃO - "O Rigor e a Misericórdia" - 2016

Acredito que nos últimos quinze anos este seja o melhor álbum produzido aqui no Brasil, sim, o álbum do Lobão, “O Rigor e a Misericórdia”, produção 100% independente, sob todos os aspectos, pois ele fez tudo, executou todos os instrumentos musicais de forma exemplar e para completar o feito, não satisfeito, lançou um livro de mesmo nome simultaneamente. Já sei, alguém vai dizer, sim e daí? Simples, são bons “pra caralho!!!” 

Mas nem tudo são flores, eu preciso voltar uns trinta anos no tempo, lá pelos idos dos anos oitenta e confessar que eu o odiava com todas as minhas forças (....eu era muito careta....), apesar de contraditoriamente gostar muito de suas músicas, “Me Chama”; “Corações Psicodélicos”; “Decadence Avec Elegance” ,“Radio Blá”, “Vida Bandida” e tantas outras que ele fez, (...mas não contava pra ninguém...), pois ele tinha aquele “ar rebelde” estampado na cara que me incomodava muito (....acho que era aquele cabelão, o jeito de falar com certa superioridade que era foda de aturar.....). 

Para completar minha ira, alguns anos mais tarde vejo Lobão de braços dados com o maior problema da atualidade que estamos vivendo aqui no Brasil...., Lula, PT e cia....., pensei, agora fodeu tudo, se passar na minha frente eu passo com o carro por cima, não tem conversa, e com isso o meu ódio só aumentou. 

Entretanto, a História (com agá maiúsculo) é muito cruel e implacável, pois um dia ela chega e cobra seu preço, e isto aconteceu com ele, viu o monte de merda que fez em nome da democracia, achando que estava dando sua contribuição cívica e com o passar do tempo descobriu que estava rodeado por uma horda de aloprados com o firme propósito de criar um Projeto de Poder e não de Governo, lógico, pulou fora imediatamente.

Isso aconteceu poucos anos depois de seu engajamento no mundo político, e como já passou muito tempo desde então, a merda é a mesma, atualize-se agora, basta ler em qualquer site de informação, as manchetes de agora, de amanhã e depois, e depois......., ele enxergou isso muito antes de todos nós..., um visionário??, não, apenas sentiu na pele o que é estar nos bastidores do poder. 

Então pela primeira vez tive que reconhecer o seu valor como pessoa física, cidadã, pagador de pesados impostos, uma vez que publicamente admitiu seu engano e tornou-se um feroz desafeto de tudo o que representasse aquele projeto, seja na figura das pessoas, das ideias e de tudo mais....., mas para mim, ainda não era o suficiente, eu não estava convencido que ele pudesse ser uma pessoa legal.

O tempo passa, e mais uma vez, lá vem ela, a História, veio cobrar seu preço, desta vez eu era a vítima, e veio na forma de um livro, chamado “50 Anos a Mil”, deste mesmo Lobão, comprado com um único propósito, o de esculachar geral, ter motivo para falar mal e poder odiá-lo ainda mais.

Entretanto, fui atingido mortalmente logo nos primeiros capítulos, pois passei a enxergar um outro indivíduo, humano pra cacete, com seus medos e receios, de rara inteligência e cultura (....só lendo o livro para entender...) que teve a coragem de expor suas entranhas, dentro e fora do seio familiar, contando tudo o que aconteceu com ele desde a sua infância até tempos anteriores ao livro. Leiam, pois vale cada centavo de seu custo.

Então, pensei, “....mas que merda, virei um fã do cara, e agora, o que eu faço??? Agora velho, já era, e pouco tempo depois, eu começa a ler o livro, “Manifesto Do Nada Na Terra Do Nunca”, seu segundo trabalho literário, muito bom por sinal, que enfureceu alguns críticos vendidos que não merecem o menor crédito, bem como todos os escalões políticos, seguidores e afins dos aloprados, o que lhe rende até hoje uma série de chateações e prejuízos, inclusive de ordem financeira, pois em várias ocasiões, teve shows cancelados por ameaças veladas e algumas diretas junto a organizadores e produtores, mas enfim, este é o preço que se paga quando doutrinas violentadoras são confrontadas, mas o fim está próximo. 

Não quero ser piegas, mas não conseguiria por questões de ordem ideológica, escrever a resenha deste álbum, sem antes fazer o meu “Manifesto do Ódio na Terra do Xurupito”, pois não seria justo com o artista, portanto, isto feito, vamos ao que interessa, que é a música e o belíssimo álbum, “O Rigor e a Misericórdia”, onde Lobão não se preocupou nem um pouco em fazer uma música comercial (....aliás, acho que ele nunca teve esta preocupação...), fácil de escutar, pra tocar em rádios FM ou coisa parecida.

Fez o que quis, tocou pra cacete, teve a audácia e a coragem de produzir um álbum sem se prender a estilos musicais, algo incomparável, mostrando maturidade, virtuosismo e capacidade intelectual em produzir um material com real qualidade e esmero. 

Esta coragem é a que falta à vários bundões dos mais diversos segmentos musicais dos Brasil, que um dia fizeram sucesso e agora vivem à sombra do passado, com sabor naftalina e por conta desta covardia coletiva, propiciou-se o abre alas para o atual “FEBEAPA” – Festival de Besteiras que Assolam o País (Stanislaw Ponte Preta), para a categoria, “MPB do século 21”, um desastre total, culpa também de produtores raquíticos e medíocres intelectualmente e da nossa estimada e acéfala indústria fonográfica.

Não tenho a menor pretensão de fazer uma autopsia, música à música, mesmo porque, Lobão já se deu a este trabalho e fez isso de forma muito bem detalhada em seu mais novo livro,  intitulado, “Em Busca do Rigor e da Misericórdia”, descrevendo o processo de criação de cada música, onde buscou a inspiração e com muita precisão técnica descreve os instrumentos e softwares que usou em sua jornada solitária.

Paralelamente retrata de forma visceral suas tretas mais recentes com seus desafetos, que não são poucos, tendo em vista a sinceridade com que Lobão lida com os fatos e acontecimentos, principalmente do atual momento social e político e de suas consequências. 

O livro está disponível para usuários do Kindle ou em versão física na “amazon.com”, Saraiva e nas demais casas do ramo. 

Voltando ao álbum, logo na primeira faixa em um rompante progressivo, Lobão é possuído por uma entidade tecladista e manda ver em uma belíssima peça instrumental, chamada “Overture”, um prelúdio composto com um enredo cromático muito interessante, feito com harmonizações bem sofisticadas, completamente fora da curva da normalidade musical a que estamos acostumados nos dias atuais.


Aliás, a tônica deste álbum é estar fora da curva da normalidade sob quaisquer aspectos, pois além de ter tocado todos os instrumentos, deu uma caraterística inovadora no seu modo de cantar, as vezes em modo gutural, outras em tom de deboche o que lhe é muito peculiar e como fez a mixagem das músicas, deu uma nova perspectiva à sua voz, ou seja, ousou e se deu bem, mas teve gente esbravejando, o que é normal, afinal, gosto não se discute, se respeita.

Dois bons exemplos disso são as músicas “Os Vulneráveis” e principalmente a “Marcha do Infames” que teve claro endereçamento, com uma letra bem pesada, mas sem ser agressiva, que descreve nosso momento social e político, compassada em ritmo marcial o que confere um tom patriótico a canção e fere mortalmente a quem tem que ser ferido, sensacional.

Como todo álbum temático que se preza, sempre há um “gran finale” e Lobão não se fez de rogado, pois acertou na mosca, bem entre os olhos, com a música título, “O Rigor e a Misericórdia” e mais uma vez possuído, agora por uma entidade sinfônica, deu um banho de bom gosto no arranjo que fez sob medida para letra da música com uma riqueza de detalhes presente em todos os instrumentos, só percebido em músicas dos anos setenta....., seria uma influência dos tempos do Vímana??? Pouco importa, a música é sensacional, to com ela grudada na cabeça já a alguns dias.  

Resumo da ópera, particularmente gostei muito do álbum por sua excelência, diversidade musical, pois cada música representa um caminho bem distinto, com identidade própria, com linguagem independente, portanto, esse álbum possui uma dinâmica muito grande e capacidade de penetração bem abrangente para agradar a gregos e troianos, basta ouvir, o resto, vem naturalmente.

Ficha Técnica:
Lobão - Voz, todos os instrumentos e engenharia de som.

Tracks:
01. Overture
02. Os Vulneráveis
03. A Marcha Dos Infames
04. Assim Sangra A Mata
05. O Que Es La Soledad En Sermos Nosotros
06. Alguma Coisa Qualquer
07. Dilacerar
08. Os Últimos Farrapos Da Liberdade
09. A Posse Dos Impostores
10. Ação Fantasmagórica A Distância
11. Profunda E Deslumbrante Como O Sol
12. Uma Ilha Na Lua
13. A Esperança É A Praia De Um Outro Mar
14. O Rigor E A Misericórdia

LINKS

Spotify - https://open.spotify.com/album/15S4UCrGu36rKG1lUKkeCo
Deezer - http://www.deezer.com/album/12006112
iTunes  - https://itunes.apple.com/br/album/o-rigor-e-a-misericordia/id1068897086

20 de mar de 2016

V. A. - “Zarathustra's Revenge - Tribute To Italian Progressive Rock Of The Seventies” - 1997

Hoje no Brasil estamos vivendo um momento muito triste, conturbado, mas muito importante para o futuro da Nação e não há como não estar envolvido emocionalmente, pois atinge diretamente a vida de todos, independentes das preferencias político partidárias.

O cenário atual mostra que a situação é uma chaleira cheia d’água que está prestes a entrar em ponto de ebulição a qualquer momento com consequências inimagináveis, pois a cada instante somos surpreendidos com novidades nada agradáveis e muitas das quais, nos faz sentir vergonha perante aos demais países.

Isto tudo acaba por interferir na vida das pessoas, inclusive na minha e não há como não refletir negativamente no andamento das minhas atividades aqui no blog que funciona para mim como uma válvula de escape onde posso compartilhar com os amigos e leitores que aqui frequentam, as maravilhas musicais que se encontram nas profundezas da internet a espera de alguém que as encontre e as divulgue.

Fica difícil ter um mínimo de inspiração para pensar e escrever algo que faça sentido diante de tanta barbárie que estamos tomando conhecimento pela massificação de informações que chegam a cada momento, através das diversas mídias e principalmente pelas redes sociais.

Entretanto, em um raro momento de paz que tive, cheguei até o CD box, “Zarathustra's Revenge - Tribute To Italian Progressive Rock Of The Seventies”, que está recheado de pérolas do rock progressivo Italiano, que oferece desde as bandas mais obscuras até as mais conhecidas.

Tradicionalmente as bandas italianas influenciadas pelo rock progressivo proporcionam uma música vibrante e muito passional, refletindo de certo modo as características pessoais de seu povo, e essa característica marcante encontradas em bandas como, PFM, Banco Del Mutuo Soccorso, Museo Rosenbach e outras, são encontradas também em bandas que tiveram menos apelo comercial, mas são tão tão boas ou melhores que as mais conhecidas, portanto há uma unidade musical muito forte no rock progressivo italiano o que o difere dos demais.

Como são quatro CD’s, tem música para tudo quanto é gosto e mesmo em se tratando de um álbum tributo, fica claro a presença de bandas e músicos escolhidos a dedo para a difícil missão de dar vida a músicas complexas e de difícil execução.

Imaginem, a suíte Zarathustra do Museo Rosembach, sem a emocionada voz de Stefano Galifi, substituída por um sintetizador!!!!! Blasfêmia??? Não, não é!!! Particularmente eu prefiro a música cantada, entretanto, trata-se de um digno tributo  às bandas do rock progressivo Italiano e alguns dos dogmas da vertente progressiva, é a capacidade de inovação, da mudança, de até certos exageros que são cometidos em nome de uma música vanguarda que caracteristicamente está sempre em movimento.

Por outro lado, existem reproduções bem fiéis aos originais e por exemplo, cito a música “Impressioni Di Settembre” do PFM, um monumento musical à poesia e ao lirismo, linda, inigualável, que a décadas continua a me emocionar e neste tributo não foi diferente, pois foi executada com muita emoção, por uma banda italiana, mais precisamente de Torino, chamada Zauber.

Este brevíssimo relato é uma gota no oceano, perto do que este tributo oferece com o melhor da música italiana setentista, um importantíssimo do berço do rock de onde surgiram grandes estrelas da música das mais diversas magnitudes.

A lista de homenageados é extensa e além dos já citados acima, temos também, o Le Orme, Alusa Fallax; Locanda dele Fatte; Quella Vecchia Locanda; Goblin; New Trolls, Il Balleto di Bronzo; Acqua Fragile e Ossana que são as bandas mais próximas de meu conhecimento, entretanto, este tributo abriu as portas para mais algumas bandas que eu não conhecia e com isso, a vontade de conhece-las mais a fundo surgiu, realmente valendo a pena dar uma conferida nos originais.

Para coroar este álbum, a lista dos que prestaram a homenagem não ficou atrás, portanto, alguns nomes muito bem conhecidos aparecem, como, Gerard, Fonya, A Piedi Nudi, Finisterre, Algebra, Arsnova, H2O e outros que não são de meu conhecimento, mas que com extrema eficiência cumpriram a missão de não macular estas músicas maravilhosas.

Para que eu não fique com um peso na consciência, sinto me na obrigação de destacar o Finisterre pela execução com precisão cirúrgica da música, “Alta Loma Five Till Nine”, que é no mínimo um Hiper Mega clássico do rock, pois simplesmente ficou perfeita, digna do expoente máximo do rock italiano, o Premiata Forneria Marconi, em minha humilde opinião.

Para quem quer fugir um pouco de toda esta confusão que estamos vivendo aqui no Brasil, fica o convite para audição deste belo trabalho e para aqueles que estão na boa, também.    

RECOMENDADÍSSIMO !!!!

Line-up / Musicians:
SEA REACH & FRIENDS (Finland) / A PIEDI NUDI (Italy) / ZAUBER (Italy) / MARY NEWSLETTER (Italy) / HOSTSONATEN (Italy) / FONYA (USA) / NOSTALGIA (Italy) / AVARTA (Italy) / LUNA INCOSTANTE (Italy) / PROWLERS (Italy) / FINISTERRE (Italy) / CLARION (Italy) / NOVA MALA' STRANA (Italy) / TRAMA (Italy) / MARCO MASONI (Italy) / ASTRAL WEEKS (Italy) / ATON'S (Italy) / NDLICH ALLEIN (Italy) / INTERFACE (Japan) / ICONAE (Italy) / ALTERA (Italy) / MAD CRAYON (Italy) / MASSIMO MAZZEO (Italy) / ALGEBRA (Italy) / MOUSE (Italy) / AUDIO (Italy) / STRANGE NEW TOYS (USA) / THE ANCIENT VEIL (Italy) MYROS (Italy) / ITALIAN ROCK SESSION BAND (Japan) / GERARD (Japan) / ARS NOVA (Japan) / FINNEUS GAUGE (USA) / LODOVICO ELLENA (Italy) / BLONDIE FOX (Italy) / NOTTURNO CONCERTANTE (Italy) / TMA (Italy) / BEGGAR'S FARM (Italy) / 3VEL (Italy) / PAGE (USA) / PHIL BEANE (USA) / EFTUS (Italy) / DREAM TOYS (Italy) / MINDFLOWER (Italy) / SEQUENZA PRINCIPALE (Italy) / FRANCO SERENA (Italy) / H2O (Italy) / MOONGARDEN (Italy)


Tracks Listing
CD 1
01. SEA REACH & FRIENDS (Finland) Principe di un giorno /Celeste/ (6:30)
02. A PIEDI NUDI (Italy) Era inverno /Le Orme/ (4:36)
03. ZAUBER (Italy) Impressioni di settembre /PFM/ (3:30)
04. MARY NEWSLETTER (Italy) In un vecchio cieco /Osanna/ (4:42)
05. HOSTSONATEN (Italy) Vorrei incontrarti /Alan Sorrenti/ (5:36)
06. FONYA (USA) PFM medley: River of life / Celebration /Paper charms /PFM/ (6:04)
07. NOSTALGIA (Italy) Ciò che nasce con me /Alusa Fallax/ (5:32)
08. AVARTA (Italy) Europa minor /Mauro Pagani/ (6:15)
09. LUNA INCOSTANTE (Italy) Sono un pesce /Flea/ (4:27)
10. PROWLERS (Italy) Ultima ora e Ode a J. Hendrix /The trip/ (11:07)
11. FINISTERRE (Italy) Alta Loma Five Till Nine /PFM/ (8:20)
CD 2
01. CLARION (Italy) R.I.P. (Requiescant in pace) /Banco/ (4:57)
02. NOVA MALA' STRANA (Italy) Luglio,agosto, settembre (nero) /Area/ (4:23)
03. TRAMA (Italy) Profumo di colla bianca /Locanda delle Fate/ (6:40)
04. MARCO MASONI (Italy) Medley: Areknames / Fenomenologia / Plancton / Tao / Meccanica /Battiato/ (7:44)
05. ASTRAL WEEKS (Italy) Molto lontano (a colori) /Le Stelle di Mario Schifano/ (4:18)
06. ATON'S (Italy) Canzone per un'amica /Guccini - Nomadi/ (4:08)
07. ENDLICH ALLEIN (Italy) Il duomo di notte /Fortis/ (4:48)
08. INTERFACE (Japan) Canto del capro /Cervello/ (6:37)
09. ICONAE (Italy) U.F.D.E.M. /Jacula/ (5:36)
10. ALTERA (Italy) Prologo /Quella vecchia locanda/ (6:00)
11. MAD CRAYON (Italy) Sotto i ponti /Pierrot Lunaire/ (6:38)
12. MASSIMO MAZZEO (Italy) Vecchie notti distese sulla spuma del mare /Portici/ (2:08)
CD 3
01. ALGEBRA (Italy) Felona e Sorona /Le Orme/ (13:12)
02. MOUSE (Italy) Zarathustra /Museo Rosenbach/ (8:25)
03. AUDIO (Italy) Sguardo verso il cielo /Le Orme/ (4:28)
04. STRANGE NEW TOYS (USA) Snip-Snap /Goblin/ (3:20)
05. THE ANCIENT VEIL (Italy) Gioco di bimba /Le Orme/ (3:08)
06. MYROS (Italy) Suoni /I Nomadi/ (3:36)
07. ITALIAN ROCK SESSION BAND (Japan) Concerto grosso n°2 - 1°tempo: vivace /New Trolls/ (2:54)
08. ITALIAN ROCK SESSION BAND (Japan) Primo incontro /Il Balletto di Bronzo/ (6:40)
09. GERARD (Japan) La conquista della posizione eretta /Banco del Mutuo Soccorso/ (8:23)
10. ARS NOVA (Japan) Epilogo /Il Balletto di Bronzo/ (6:20)
11. FINNEUS GAUGE (USA) Sconcerto /Il baricentro/ (4:50)
12. LODOVICO ELLENA (Italy) La realtà non esiste /Claudio Rocchi/ (2:03)
CD 4
01. BLONDIE FOX (Italy) Neve calda /Il Balletto di Bronzo/ (2:45)
02. NOTTURNO CONCERTANTE (Italy) Coffee song /Acqua fragile/ (4:09)
03. TMA (Italy) Il mercato degli dei /Battiato/ (4:48)
04. BEGGAR'S FARM (Italy) Dove... Quando... /PFM/ (3:22)
05. 3VEL (Italy) Akua /Il Baricentro/ (5:32)
06. PAGE (USA) PFM medley: Mr. 9'till 5 / Four holes in the ground / Grazie davvero /PFM/ (6:08)
07. PHIL BEANE (USA) Via Lumière /PFM/ (7:02)
08. EFTUS (Italy) Favole antiche /Celeste/ (10:18)
09. DREAM TOYS (Italy) Nel cuore nell'anima /Equipe 84/ (3:10)
10. MINDFLOWER (Italy) Non chiudere a chiave le stelle /Locanda delle fate/ (4:44)
11. SEQUENZA PRINCIPALE (Italy) Genealogia /Perigeo/ (5:13)
12. FRANCO SERENA (Italy) E' un giorno caldo, triste e fiacco /Le Nuvole di Paglia/ (3:38)
13. H2O (Italy) C'è un paese al mondo /Maxophone/ (10:58)
14. MOONGARDEN (Italy) There will be time /Osanna/ (4:30)


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PFM - 1972 - Impressioni Di Settembre

13 de fev de 2016

JOEY DEFRANCESCO - "Never Can Say Goodbye: The Music of Michael Jackson" - 2010

Olha ele de novo aí gente, sim, Michael Jackson, agora nas mãos talentosas de Joey DeFrancesco e sua banda, que mostra grande intimidade a frente do temível e legendário órgão Hammond e mesmo sem fazer grandes arabescos ou algo parecido para aparecer mais que a música, ele ao contrário disto, com muita elegância e habilidade soube equilibrar e harmonizar a fúria deste instrumento ao balanço das músicas de Michel Jackson e ainda arriscou soltar a voz saindo-se muito bem.

O álbum chama-se, “Never Can Say Goodbye: The Music of Michael Jackson”, lançado em setembro de 2010 que além do protagonista temos a seu lado uma incrível banda que o acompanha de igual para igual, fazendo deste, um delicioso álbum, bom de escutar, bater o pezinho para acompanhar as músicas e tudo mais que o gênero deste tipo de música tem a oferecer.

As músicas foram muito bem escolhidas e para mim como um mero ouvinte só faltou “Smooth Criminal” que considero uma das músicas mais incríveis de Michael Jackson, a qual inclusive tem uma versão metal fora de série já publicada aqui no blog (http://7062khz.blogspot.com.br/2013/12/v-thiller-metal-tribute-to-michael.html), aliás, este álbum é uma loucura total e completa, vale a pena dar uma conferida.

Deste fato, veio um questionamento imediato, pois pela segunda vez, eu estava postando de forma indireta a obra de Michael Jackson aqui no blog, que a bem da verdade, nunca foi um dos meus ídolos musicais, apesar de ter vivido bem à época dele, desde os tempos dos “Jackson Five” e ter total ciência da abrangência e grandiosidade que ele atingiu merecidamente e ter se tornado um ídolo da música Pop que por alguma razão inexplicável não conseguiu preencher o meu lado "The Dark Side Of  The Force".

Então, porque postar Michael Jackson aqui no blog se não há um vínculo forte entre o ídolo (pode até não ser meu ídolo, mas ele é um ídolo da música....) e eu, que por questões lógicas, só posto aquilo que eu gosto de ouvir, pois como não sou e nem me considero um crítico musical, não teria sentido eu postar algo que não houvesse uma forte ligação, apenas para eu ficar esculachando algo que não é do meu gosto ou pelo simples fato de não ter inteligência o suficiente para compreender determinado tipo de música.

Fazendo uma simples pesquisa no Google e pegando o primeiro link que apareceu, a “Wikipédia” (https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_cover_versions_of_Michael_Jackson_songs), que nem é tão confiável assim, deve ter pelo menos uns cento e cinquenta nomes ou mais que já fizeram cover de alguma música de Michel Jackson,  alguns até de peso, como Alicia Keys, Celine Dion, Chaka Khan, David Garret, Diana Ross, Faith No More, George Benson, Henry Mancini, James Last, London Symphonic Orchestra, Metallica, Moscow Symphony Orchestra, Prince, Quincy Jones, Supergrass, The Miracles, Yngwie Malmsteen e tantos outros, inclusive com a presença de alguns brazucas.

Sim e daí? A maioria aqui citada e a que está na lista da Wikipédia é do mundo Pop, portanto há uma sinergia muito grande, entretanto, ouvindo algumas músicas em versões originais, com absoluta isenção, sem aquela vontade de esculachar geral só porque não é muito do meu gosto, pude observar o nível de cuidado, riqueza de detalhamento e sofisticação que os arranjos das músicas de Michael Jackson têm e, nem vou entrar no mérito da questão que seus “videoclips” sempre foram os melhores, mas nem isso eu conseguia enxergar quando era mais jovem.

Então, não é difícil entender porque a música dele passou e ainda passa pela mão de tanta gente de mais ou menos importância e ela não perde sua essência e originalidade, proporcionando ainda a possibilidade de uma nova leitura que pode agradar aos menos afetos como eu, que só vão enxergar a grandiosidade da obra de Michael Jackson nas mãos de outrem, pois foi o que aconteceu comigo.

Voltando ao álbum, cerne desta resenha, Joey DeFrancesco e sua banda, esbanjam elegância e ao mesmo tempo virtuosismo na medida certa, sem exageros, o suficiente para agradar e entreter quem esteja ouvindo, ao bom compasso de um jazz-blues.

De forma muito inteligente a primeira faixa é a música “Triller” e o sentimento que bate é de não ter para onde fugir, pois é boa demais, o arranjo está sensacional, as harmonizações do seu Hammond são simplesmente perfeitas e além disso como os músicos que o acompanham não ficam atrás, o ganho de escala é muito grande, ou seja, há uma amplitude musical que provoca uma expectativa muito grande em relação ao que podemos espera a próxima música, e ao final do álbum, o sentimento é de saudades, portanto voltar a primeira faixa em seguida não é de se admirar. 

No mínimo o que podemos fazer é agradecer a Michael Jackson (“In Memoriam”) por ter deixado tamanho legado e motivo de inspiração a tantos artistas e músicos que de certa forma o prestigiaram e homenagearam e especificamente agora a Joey DeFrancesco por nos presentear com este delicioso e incrível álbum.

PS: A resenha ficaria muito grande para aprofundarmos em quem é Joey Defrancesco, portanto vale uma conferida em sua homepage: http://www.joeydefrancesco.com/ , pois ele é o cara.



Músicos:
Joey DeFrancesco - numa organ, keyb duo organ, numa piano, hammond organ, trumpet, vocals 
Paul Bollenback - electric guitar, nylon-string guitar
Byron Landham - drums
Pat Bianchi - keyboards
Carmen Intorre - percussion
Ann Fontinella - violin
Annie Sciola & Samantha Aurelio - background vocals
Mark Reynolds - sound effects

Tracks:
01. Thriller (7:48)
02. Never Can Say Goodbye (5:52)
03. Beat It (7:13)
04. Human Nature (5:03)
05. Rock With You (6:30)
06. She's Out Of My Life (6:44)
07. The Way You Make Me Feel (4:55)
08. Lady In My Life (5:36)
09. Billie Jean (9:47)


Versão metal de Smooth Criminal

8 de fev de 2016

ERIK NORLANDER - "Seas of Orion" - 2004

Esse é o cara, Erik Norlander, compositor e multi-tecladista de primeira linha, que tem como fonte de inspiração para seus trabalhos e modo como executar suas músicas nada menos que os deuses do Olimpo, Rick Wakeman, Keith Emerson e Jon Lord e isto está muito bem registrado em suas músicas.

Desta vez, vamos voltar ao ano de 2004 e chegar ao seu quinto álbum solo intitulado, “Seas of Orion”, muito mais próximo do progressivo eletrônico do “Tangerine Dream” do recém falecido Edgar Froese (01-2015), gênio alemão da música eletrônica, do que do progressivo clássico de suas principais fontes de inspiração.

Muito bem, isto significa que estamos frente a frente com um álbum naturalmente eletrônico, genuinamente instrumental, destinado especialmente a ouvidos afetos a este tipo de música, pois não estamos diante de um eletrônico dançante, mas sim a um eletrônico viajante, portanto é necessário que o ouvinte tenha certa dose de paciência e atenção para captar os mínimos detalhes que este tipo e composição oferece. 

Erik Norlander
Por falar em viagem, ela começa muito bem com a música, “Fanfarre For Absents Friends”, que é uma viagem frenética a bordo de um não menos frenético sintetizador que nos proporciona momentos memoráveis que nos remetem aos deuses do Olimpo acima citados, acompanhados de uma poderosa percussão sob a execução de Greg Ellis, marcando o compasso e os rumos dessa viagem.

Este álbum a rigor é bem dinâmico, com poucas ou quase nenhuma experimentação eletrônica que em alguns casos torna-se algo maçante e por muitas vezes acaba estragando o clima da música, fato este que não acontece neste trabalho, portanto é um bom sinal de divertimento, predicado essencial para um bom álbum.

Moog Modular
Este álbum segue um padrão único de comportamento, mas não causa monotonia de espécie alguma, pois a música de Erik Norlander atrai pela capacidade de criar diferentes atmosferas, portanto não é raro bater aquele “dejà vu” e sentir a presença de algo que já foi escutado em outras épocas (não vou pronunciar o que ou quem, para não perder a graça) e/ou mesmo, o modo da execução que é muito peculiar em muitos tecladistas que conhecemos.

A naturalidade com que ele mistura as tecnologias do passado com as do presente, talvez seja seu maior trunfo, pois dar sentido musical com equipamentos analógicos vintage como por exemplo, um Moog Modular de 1967 (aliás, fico pensando como ele conseguiu um raro instrumento como este) e de outro lado com um sintetizador  Alesis A6 Andromeda, que  tem agregada ao seu DNA as mais altas concepções tecnológicas.

Alesis Andromeda A6
Isso é uma tarefa dificílima que requer muito equilíbrio, sensibilidade musical e profundos conhecimentos técnicos do que estes sofisticados equipamentos podem oferecer para gerar um produto final com qualidade e principalmente que dê sentido lógico à obra. 

Este álbum ainda revela uma boa surpresa, pois há um pequeno cover da música “Opera Souvage: Hymne” do legendário “Evángelos Odysséas Papathanassíu”, sim o “Vangelis”, que é outro Mega-Hiper-Blaster compositor e multi-tecladista que tenho certeza que é também sem sombra de dúvidas fonte de inspiração para Erik Norlander

Bem, acervo musical ele tem de sobra, pois são nove álbuns de sua carreira solo, mais oito álbuns de sua banda, a Rockets Scientists e com a sua esposa que tem um belo vozeirão, Lana Lane, são mais dezoito álbuns, ou seja, o cidadão trabalha e estuda muito sobre tudo o que faz, portanto não é de se admirar que ele consiga produzir álbuns muito bons e consistentes, fazendo-nos sempre retornar aos seus demais trabalhos.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Musicians:
Erik Norlander - Keyborads
Greg Ellis - Drums and Percussion

Tracks:
01 - Fanfarre For Absents Friends
02 - City Of Livings Machines
03 - New  Gotham Prime
04 - Adrift On The Fires Seas Of Orion's Shield
05 - Oasis In Stasis
06 - Opera Souvage: Hymne



3 de fev de 2016

EMERSON LAKE & PALMER - "Live At The Mar Y Sol Festival '72"

Vamos começar o ano agora, um tanto atrasados, mas o ano anterior foi muito complicado do início ao fim para mim e acredito que para muitos também, por razões diversas que passam desde as questões políticas e econômicas, bem como as de ordem pessoal, portanto vamos engatar uma primeira e começar o ano com o pé direito.

Para tanto, nada melhor do que voltar bem no tempo, pelo menos uns quarenta anos para nos deparar com o ELP, isso mesmo, o Emerson Lake & Palmer, em plena forma, com tudo o que tem de direito.

E por estar plena forma, nada melhor do que se exibir em um festival de música, mais precisamente em Puerto Rico, regado a muito sol caribenho, intitulado, “The Mar Y Sol Festival '72”, mostrando como se faz e se executa música de verdade.

O mais interessante neste tipo de álbum e especificamente com o ELP é que quando estão sob os holofotes, tudo pode acontecer e o improviso comanda o espetáculo, portanto não é de se admirar uma exibição da música Tarkus, na íntegra durando 23 minutos ou mesmo eles estarem executando a música Rondo com seus mais de 18 minutos sempre dando uma nova dimensão a estas músicas.

Álbum de poucas e longas músicas, tudo o que um fundamentalista xiita progressivo como eu aprecia, logicamente recheado de muito virtuosismo e dedicação, notadamente registrado em cada nota, com Keith Emerson destruidor sobre seus teclados, sempre retirando tudo que um Moog Modular pode oferecer e Greg Lake com sua tradicional e poderosa voz e elegância ao empunhar seu baixo ou guitarra e claro, o não menos poderoso Carl Palmer a aplicar toda a sua fúria em sua antológica bateria com a sabedoria dos grandes percussionistas que o precederam.

Bem, o ELP é uma das bandas mais manjadas do Rock Progressivo, portanto, não adianta ficarmos nos alongando em elogios e rasgações de seda, pois realmente eles não precisam disto há muito tempo, mas vale a pena comentar este álbum em questão por não fazer parte da discografia oficial da banda e creiam, a gravação está ótima, com qualidade muito acima do que tenho escutado, dando para perceber detalhes sutis e muito interessante nas músicas.

Para começar, antes que a resenha acabe, o nome deste álbum é “Emerson, Lake & Palmer - Live At The Mar Y Sol Festival '72”, gravado na cidade Vega Baja, Puerto Rico entre os dias 1 a 3 de abril de 1972 e logicamente por tratar-se um festival, outros nomes de peso também estiveram por lá como, B.B. King; Black Sabbath; Faces, Dave Brubeck, Almann Brothers Bands, Alice Cooper; Osibisa e tantos outros que prestigiaram este evento.

Muito bem, quanto às músicas, lógico, só tem pérolas, pois além das citadas logo acima, temos também, Hoedown, Take a Pebble, Lucky Man,  Piano  Improvisation  (sensacional)  e pasmem, Pictures At An Exhibition sendo apresentada em um festival de rock, só mesmo sendo loucos e gênios, mas como eles se enquadram nas duas categorias, está tudo certo e podem crer, deu tudo certo.

Então amigos, feliz por estar voltando a ativa e logo com um álbum como este, só resta desejar um 2016 muito especial para todos esquecerem que houve um 2015 tão catastrófico como o que vivemos, portanto fica o convite estendido a todos a se encontrarem com mais esta gema do rock progressivo.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

ELP
Keith Emeson;
GregLake;
Carl Palmer

Tracks:
01.Hoedown
02.Tarkus
03.Take A Pebble
04.Lucky Man
05.Piano Improvisation
06.Pictures At An Exhibition
07.Rondo

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15 de out de 2015

ANDERSON PONTY BAND - “Better Late Than Never” - 2015

Finalmente!!!! Demorou, mas finalmente saiu o álbum tão esperado da Anderson Ponty Band, intitulado, “Better Late Than Never” (nunca vi um título ser tão preciso quanto este) que eu já havia mencionado aqui no blog em agosto do ano passado em uma longa resenha que se comentava a reunião destes dois astros do rock.

Para quem está pegando o bonde andando e não está entendendo nada, eu estou me referindo a Jon Anderson e a Jean Luc Ponty, duas gemas preciosíssimas do universo rock que a praticamente cinquenta anos continuam a encantar com o seu talento. 

Ainda não deu tempo de escutá-lo com calma, mas o que se observa em um primeiro momento, é que há poucas músicas inéditas e na sua grande maioria foram usados antigos sucessos de ambos os músicos com uma nova roupagem e no caso das músicas de Jean Luc Ponty que tiveram seus nomes alterados, se já eram muito boas na versão original, agora com o vocal de Jon Anderson, ganharam mais cem anos de vida.

Esse álbum, assim como aconteceu com último álbum do Pink Floyd, “The Endless River” foi criado a partir de temas já conhecidos e consagrados dos dois artistas, o que de forma alguma é um problema, muito ao contrário, pois as músicas que não tinham voz criadas por Jean Luc Ponty, ganharam a alma de Jon Anderson.

Por outro lado, as músicas de Jon Anderson, ganharam um elemento que nunca tiveram, o mágico violino de Jean Luc Ponty, um mago insubstituível em seu instrumento, portanto ganham todos, principalmente nós, o destino final desta loucura toda, que por conta destes dois gênios, poderemos nos deliciar com este novo trabalho.

Vale ressaltar a força de vontade que tanto Jon como Jean tiveram em produzir um álbum depois dos setenta anos, pois realmente não é fácil, levando se em conta que depende de muita dedicação, criatividade e até uma certa dose de coragem, pois como as músicas são em sua maioria releituras e acréscimos sobre temas conhecidos, o balanço das críticas positivas e negativas, possa ser um incomodo.

Entretanto eu não acredito que isto possa acontecer, pois como são duas figurinhas extremamente queridas no meio artístico e principalmente por seus fãs que não são poucos acrescidos do talento nato que tem, mensurados em nível estratosférico, acho muito pouco provável que possam ter este trabalho crucificado por conta da falta de um álbum conceitual inédito.

Particularmente eu prefiro escutar este tipo de álbum do que escutar uma nova criação que geralmente soa inconsistente, fora de seu tempo, com vícios que se no passado eram a tônica, o máximo, hoje causam certo desconforto, pois a comparação é inevitável e muitas vezes nesta hora, somos cruéis e implacáveis com nossos ídolos, o que não é muito legal de nossa parte, mas infelizmente acontece.

Por fim, a única coisa que posso afirmar a respeito deste álbum neste momento, é que ele é extremamente agradável de se escutar, da primeira à última faixa, talvez até pelo vínculo muito íntimo que temos com seus criadores e suas músicas que são de conhecimento popular, portanto fica o convite feito a escutarem este belo álbum que tem tudo para agradar a todas as tribos espalhadas pelo globo terrestre.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Anderson Ponty Band:
Jon Anderson - vocals, guitar
Jean-Luc Ponty - violin
Rayford Griffin - drums,
Jamie Glaser - guitar,
Wally Minko - keyboards
Baron Browne - bass

Tracks:
01. Intro
02. One In The Rhythm Of Hope
03. A For Aria
04. Owner Of A Lonely Heart
05. Listening With Me
06. Time And A Word
07. Infinite Mirage
08. Soul Eternal
09. Wonderous Stories
10. And You And I
11. Renaissance Of The Sun
12. Roundabout
13. I See You Messenger
14. New New World


12 de set de 2015

THE BEATLES - "Why Don’t We Do It In The Bowl" - 1964/1965

Como nem só de rock progressivo vive o homem (no caso, eu) e o álbum em questão é no mínimo um registro histórico da banda mais famosa do mundo, claro que eu me refiro a “The Beatles”, com direito a gritaria histérica da mulherada ao fundo de todas as músicas e tudo mais, conferindo a autenticidade do que relato agora, dou uma parada na minha praia progressiva e parto para o puro e saudável Rock’n Roll.

A gravação está da melhor qualidade, o que é um fato raro, tendo em vista à época em que os shows foram gravados, portanto desde já, nossos maiores agradecimentos aos homens da remasterização deste álbum.

Hollywood Bowl
Este álbum, "Why Don’t We Do It In The Bowl” nos brinda com três shows realizados no não menos legendário Hollywood Bowl, a mais famosa concha acústica do planeta, situada em Los Angeles, CA, USA, no dia 23 de agosto de 1964 e nos dias 29 e 30 de agosto de 1965.

Obviamente há uma repetição de músicas entre os shows, mas em se tratando dos “Fab Four”, não é um incomodo, é um prêmio e como qualidade sonora das gravações está muito boa, pela gritaria dá para imaginar a loucura que foi um show desses, com casa cheia, a mulherada completamente enlouquecida com os quatro carinhas, fazendo o que de melhor faziam naqueles tempos, tocar de forma franciscana, o mais simples o possível, sem pirotecnias ou qualquer tipo de intervenção externa que não fosse a própria música. 

Acredito que como num alinhamento dos planetas com o sol, tudo conspirou para que estes quatro jovens músicos se tornassem uma lenda (algumas vivas e outras não) e talvez esse fenômeno esteja ligado diretamente à época em que surgiram, pós Segunda Grande Guerra, Guerra do Vietnam, as mudanças comportamentais da que a sociedade passava, logicamente tudo isto somado a inteligência musical que tinham e que é inegável.

As músicas realmente são um fenômeno pela simplicidade com que foram criadas inicialmente, utilizando-se de temas diversos, com curta duração, mas que no inconsciente coletivo, cada uma delas virou um hino em nossas mentes e este fenômeno parece que não quer acabar, pois até as gerações mais recentes também se rendem a elas.

Com toda esta simplicidade eles não só mudaram os rumos da música nos anos sessenta, como também influenciaram as demais gerações que vieram no aspecto comportamental, na moda e logicamente a música nunca mais foi a mesma com o surgimento deles e talvez pelo fim prematuro, o que abriu as portas dos anos setenta para a proliferação de vertentes musicais de toda a sorte e bandas de rock que até hoje habitam nossas mentes.

A separação deles é algo muito traumático até hoje, entretanto não podemos negar que com a separação, ganhamos quatro gênios musicais que isoladamente a sua maneira nos proporcionaram uma overdose musical sem precedentes na história da música contemporânea, pois será que com eles juntos, teríamos por exemplo, um momento tão mágico como foi o “The Concert For Bangladesh” de George Harrison, ou mesmo o surgimento de uma banda como foi o Wings de Paul MacCartney ou até mesmo será que teríamos tido o privilégio de escutar uma música como “Imagine” de John Lennon no auge de sua simplicidade, ou seja, o que se percebe é que de uma forma ou de outra eles mudaram o mundo.

Apenas abrindo um parêntesis, nem só de simplicidade eles viveram, pois à partir de 1967, se levarmos em conta álbuns como, “Magical Mistery Tour”, “White Album”, “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, "Yellow Submarine" e "Abbey Road", todos muito influenciados pelo surgimento do movimento psicodélico nos final dos anos sessenta e principalmente pelo encontro que tiveram nesta época com o guru indiano, Maharishi Mahesh Yogi que os elevou a um outro plano espiritual através da meditação transcendental, contribuindo para o amadurecimento da banda. 


Tem uma música em especial dos "The Beatles", chamada “Tomorrow Never Knows”, que está disponível no álbum “Revolver” de 1966, que de tanto que já foi regravada, dá até para fazer uma resenha só para ela com suas diversas versões gravadas por grandes nomes de rock como, “Jimi Hendrix”, “Collage”, “Phil Collins” (pasmem, a versão é ótima), "Tangerine Dream", “The Mission”, “Living Colour”, “Herbie Hancock” e tantos outros.

Seu conteúdo já carregava um pouco do psicodelismo que começava a surgir, conferindo-lhe uma atmosfera intrigante, envolvente e hipnótica, talvez sendo uma das músicas mais complexas e sofisticadas que eles já criaram e uma das versões que mais gosto, está no álbum, “801 live” de "Phil Manzanera", simplesmente e absolutamente fantástica.

IMPERDÍVEL!!!!



Set List:




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